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::. Meninos e meninas: O papel de cada um nos distúrbios de aprendizagem
Janete Leony Vitorino
Graduada em História pela Universidade do Estado de Santa Catarina-UDESC, pós-graduada em Psicopedagogia pela Universidade do Sul de Santa Catarina - UNISUL, pós-graduanda em Educação Infantil e Séries Iniciais pela Faculdade de Educação de Joinville. Atualmente é Professora Mediadora do Centro Integrado de Educação do SESI, desenvolvendo trabalho com alunos que apresentam dificuldade de aprendizagem.
Email: janetepsicopedagoga@yahoo.com.br.

Não precisamos ir muito longe para ter acesso a bibliografias que tratam da relação existente entre a diferença sexual e os distúrbios de aprendizagem. Geralmente, os autores afirmam que a maioria das dificuldades de aprendizagem são freqüentemente encontradas em meninos e não em meninas. Inclusive a dislexia.
Alguns autores como Condemarín e Blomquist (1975), afirmam que esta diferença seria de três meninos para cada uma menina.
Uma outra teoria, a do amadurecimento. Baseia-se de que as meninas possuem um amadurecimento físico e cognitivo muito mais rápido que os meninos. Por isso, ao ingressarem na 1a. série, ambos com sete anos, haveria uma diferença perceptível entre o desenvolvimento físico e cognitivo em favor das meninas. Isso seria muito visível na aprendizagem da escrita e da leitura.
A hereditariedade é uma outra teoria que tenta explicar as dificuldades de aprendizagem nos meninos.
Aponta-se agora para questões de gene específico, que se manifesta no agrupamento de meninas.
No grupo das meninas, a puberdade acontece mais cedo.
Com relação aos aspectos lingüísticos, a maioria das meninas começam a falar mais cedo e as noções visuais e auditivas seriam mais aguçadas.
Baseando-se em todos estes fatores, as meninas saem em vantagem nas questões da vida acadêmica.
Não podemos deixar que estas teorias tomem conta de nossa consciência reflexiva. Como psicopedagoga, temos percebido que teorias podem ser contestadas por justificativas sócio-culturais.
Uma destas contestações seria de que meninos e meninas são submetidos a modelos (tipos) de educação diferenciadas.
Evidências nos mostram que há pais muito mais preocupados com a educação dos filhos (homens) do que das filhas (mulheres). Isso tem muito a ver com o papel esperado de um homem em nossa atual sociedade. Espera-se muito do papel de um homem, principalmente que ele possa manter uma família (economicamente). Isso quer dizer que o menino (homem) deve possuir uma colocação no mercado de trabalho que proporcione segurança, bem como da família que ele venha construir.
Desde o primeiro momento do ingresso do filho (menino) na escola, mesmo que, inconscientemente, os pais desejam que esta criança tenha sucesso, seja um vencedor. Para OLIVEIRA (2003), "em pré-adolescentes e adolescentes deve-se investigar pormenorizadamente, com o objetivo de se saber quais as interferências e orientações que estão recebendo". E, se aparece problemas relacionados com a aprendizagem, tratam logo de procurar ajuda (na maioria das vezes).
Em relação às meninas a expectativas dos pais é um pouco diferente. Espera-se na menina (mulher) que ela supra apenas as necessidades do lar. A preocupação dos pais em relação a aprendizagem das meninas é bem mais tranqüilo.
As espectativas, em relação a ambos os papéis (menino e menina) está nos comportamentos esperados.
Dos meninos espera-se: interesse pelos esportes, lazer e que respondam satisfatoriamente as exigências escolares.
Das meninas espera-se: interesse por atividades relacionadas ao lar e a escola.
Se um menino fecha-se no quarto durante algumas horas para estudar e organizar seu material de aula, ele pode ser motivo de deboche, porém de uma menina tem o mesmo comportamento é considerada caprichosa.
Um outro fator relevante é o dos professores primários serem, em sua maioria, mulheres o que identifica com facilidade as meninas. Ser igual à professora é um comportamento normal das meninas, não dos meninos.
Por outro lado, os meninos encontram dificuldade em aprender pela não existência de um modelo para eles copiarem (um professor homem, por exemplo).
Apesar de muitos estudos e muitas teorias relacionando dificuldades de aprendizagem e diferenças sexuais, ainda não existem dados conclusivos a este respeito. Portanto, muito se tem a estudar com relação a dificuldades de aprendizagem. O espaço está aberto. Cabe a nós pesquisadores, pedagogos, educadores, professores e psicopedagogos ligados diretamente com sala de aula e defrontados diariamente com questões de aprendizagem, começarmos a colocar no papel nosso trabalho. Fica a dica de quem está sempre pesquisando inquietamente questões de aprendizagem.

Referência:

CONDEMARIN, M. e Blomquist, M. La dislexia: manual de lectura corretiva. Chile, Editorial Universitária, 1970.

FERREIRO, E. A representação da linguagem e o processo de alfabetização. Cad. Pesq. São Paulo (52): 7-17, fev. 1985.

MORAIS, António Manuel Pamplona. Distúrbios da aprendizagem: uma obordagem psicopedagógica. 5a. ed. São Paulo: Edicon, 1992.

OLIVEIRA, Gislene de Campos. Avaliação psicomotora à luz da psicologia e da psicopedagogia.Petrópolis, RJ: vozes, 2002.

VAYER, P. A criança diante do mundo - Na idade da aprendizagem escolar. Porto Alegre: Artes Médicas (tradução de P.A. Pabst).
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