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estress na sala de aula, e suas conseqüências
para a aprendizagem |
Rita
de Cássia Menezes de Mattos
Graduanda do curso de Pedagogia 4º semestre, da Universidade
Estadual de Feira de Santana/UEFS.
E-mail: kassiamattos@hotmail.com
Resumo: O objetivo deste artigo é socializar aos
docentes de Educação Infantil, a temática
ainda pouco divulgada, sobre o estress na sala de aula,
bem como suas conseqüências para á aprendizagem;
de modo que estes profissionais possam agir com propriedade
e autonomia diante dos fatores que contribuem para o desencadeamento
do estress na sala de aula. As pressões atuais
sobre as crianças para crescerem depressa começam
desde a infância. Uma delas é a pressão
por uma aquisição intelectual precoce. A
causa do estresse sempre esteve presente na sala de aula,
mesmo de forma camuflada, o aluno demonstra que algo está
errado ou mal explicado, seja no relacionamento com a
família com os professores ou mesmo com os colegas.
A maior dificuldade dos professores em detectar o estress
nas crianças é as sua semelhança
dos sintomas com o mau comportamento, rebeldia e até
hiperatividade. Sendo assim, se faz necessário
conhecimento de como lidar com as crianças estressadas
na sala de aula, pois pode não ser o transtorno
do déficit de atenção com hiperatividade,
e sim estress. O instrumento de socialização
sugerido é a realização de oficinas¹
com os docentes, na busca de fazer com que esses professores
conheçam ou aprimorem os conhecimentos sobre os
fatores que podem desencadear o estresse na sala de aula.
(1)
Atividade sugerida pela autora, em projeto de intervenção
apresentado como discente na disciplina Fundamentos
Biológicos da Educação, sob a orientação
da Prfª Kenya Anjos, no curso de Pedagogia 3º
semestre na Universidade Estadual de Feira de Santana.
Palavras Chaves: estress infantil/sala de aula/mau comportamento/
O
estress infantil
O
estress é um estado de tensão emocional
que produz um estado psicológico desagradável
caracterizado por distúrbio do sono, dificuldade
de concentração, irritabilidade, etc.
Quando nosso cérebro se manifesta de forma independente
de nossa vontade, interpretar alguma situação
como ameaçadora (estressante), todo nosso organismo
começa a desenvolver uma série de alterações
denominadas em seu conjunto, de Síndrome Geral
da Adaptação ao Estress, onde todas as
respostas corporais e psicológicas tendem a entrar
em estado de alerta geral, ou seja, todo organismo é
envolvido sem que haja uma exclusividade ou especificidade
de algum órgão em particular, assim cita
a Revista PsiqWeb, em seu caderno especial sobre o estress,
esses são alguns dos sintomas desse mal que atinge
também crianças... Nas últimas
décadas, mudança nos níveis da
sociedade passou a exigir do homem, da mulher e da criança
uma grande capacidade de adaptação física,
mental e social.
As pressões atuais sobre as crianças para
crescerem depressa começam desde a infância.
Uma delas é a pressão por uma aquisição
intelectual precoce. Várias décadas atrás,
a precocidade era encarada com desconfiança.
Segundo Elkind (2004), a criança prodígio
- assim se pesava - transformava-se em um adulto neurótico;
daí a expressão "amadurecimento precoce,
deteriorização precoce!". Diziam-se
aos pais que se eles não começassem a
ensinar as crianças quando pequenas seria perdida
uma oportunidade para a aprendizagem. "As crianças
precisam de tempo para crescer, para aprender e para
se desenvolver. Trata-las diferente dos adultos não
é discriminá-las, mas reconhecer sua condição
especial" (ELKIND, 2004).
Estress na sala de aula
A
causa do estresse sempre esteve presente na sala de
aula, mesmo de forma camuflada, o aluno demonstra que
algo está errado ou mal explicado, seja no relacionamento
com a família com os professores ou mesmo com
os colegas. Isso nos dias atuais tem sido tema de pesquisa
de psicólogo, neurologista e, preocupação
da família, de diretores e professores. Uma sociedade
que cobra o cidadão a contemplação
de várias habilidades é a mesma que contribui
para que as crianças não suportem a pressão
e cobranças dos adultos a sua participação
nas diversas atividades que não condizem com
a estrutura física e psicológica da criança.
Além das responsabilidades do estudo da convivência
na escola, a criança hoje vive em uma sociedade
que exige um sujeito competente e que possua um alto
índice de conhecimento, ao mesmo tempo essa sociedade
apresenta um percentual de marginalidade e violência
muito grande, fazendo assim, surgir sintomas desencadeantes
para o estresse na sala de aula. A criança passa
a demonstrar vários medos, falta de concentração,
agressividade, irritação constante ou
momentos de isolamento, mudanças bruscas de comportamento
e outros males que atingem as crianças em idade
escolar.
Segundo reportagem da revista Nova Escola, edição
167, do mês de novembro de 2003, o excesso de
atividades (cursos, esportes e outros) causadores do
estresse na classe média alta, também
atinge a criança das classes populares que precisa
trabalhar cada vez mais cedo seja para ganhar dinheiro
e ajudar a família ou cuidar de irmãos
mais novos, ir para escola com fome, viver em locais
que trazem riscos e não ter quem ajudem nas tarefas
escolares. Mesmo assim a sociedade cobra delas desempenho
e responsabilidade.
O uso de medicamentos
Esse quadro de instabilidade e estresse nas crianças
tem levado muitos pais a procurar nos consultórios
médicos soluções rápidas,
para resolver problemas que muitas vezes possuem um
histórico de comportamento familiar ou de afetividade.
Em reportagem na Revista Época, dezembro de 2006
diz: "Estamos dando remédios demais para
as crianças"? Mostra os riscos de uma geração
que toma remédio até pelo mau comportamento,
tem contribuído para que crianças iniciem
precocemente o uso de substancias químicas (drogas)
desde muito sedo para que consigam ter aprendizagem,
segurança e bom comportamento. "Parece que
a medicina tem o poder de curar tudo. Ninguém
pode ter uma decepção, ficar triste. Hoje
todos querem uma pílula" diz o neurologista
Eduardo Genaro Mutarelli, professor da USP.
De acordo com o psicólogo Bob Jacobs, essa geração
tem crescido encorajada a fazer uso de drogas psiquiatras
antes mesmo de descobrir suas emoções,
inseguranças e frustrações, que
sendo de forma sadia contribuem para a formação
do indivíduo. A ciência não tem
como diagnosticar com precisão e detectar o transtorno,
fazendo assim só uma avaliação
comportamental da criança. Isso tem contribuído
para que muitas crianças estejam sendo medicadas
sem que haja necessidade.
Muitos desses medicamentos pode até ajudar no
início do tratamento, porém os efeitos
colaterais e danos futuros não podem ser previstos,
pois, "hoje já se sabe que os lobos frontais
- a região do cérebro que gerencia os
sentimentos e pensamentos - não ficam completamente
maduros antes dos 30 anos". Com isso tem deixado
cientistas em alerta sobre o uso de medicamentos mais
usados por crianças e adolescentes como a Ritalina
e o Prozac e outras que possuem efeitos maléficos
em longo prazo.
Professores atentos
A
maior dificuldade dos professores em detectar o estress
nas crianças é as sua semelhança
dos sintomas com o mau comportamento, rebeldia e até
hiperatividade. Segundo Marilda Lippe, diretora do Centro
Psicológico de Controle de Estress, situada na
cidade de Campinas - São Paulo, a qual (CALVALCANTE,
2003), faz referência afirma que o estress não
é uma doença, mas um conjunto de reações
físicas e psicológicas que senão
tratadas a tempo podem resultar em doenças".
É por isso que os professores devem está
atentos aos seus alunos na sala de aula, para que possam
ajudá-los de forma correta, uma vez que, estão
mais próximos das crianças. Vale ressaltar
que o professor não é habilitado para
tal diagnóstico, o educador pode se tornar um
facilitador para tal compreensão e futura ajuda
mediante o problema em questão. Na verdade, o
reconhecimento das necessidades especiais de um grupo
e a acomodação a essas necessidades são
as únicas maneiras de lhe garantir realmente
igualdade e oportunidade.
Sendo assim, se faz necessário conhecimento de
como lidar com as crianças estressadas na sala
de aula, pois pode não ser o transtorno do déficit
de atenção com hiperatividade, e sim um
comportamento usado para chamar atenção
das pessoas, nada que um pouco mais de atenção
e afetividade não possam resolver, visto que
"a elaboração da agressividade é
tão importante quanto à da afetividade
na vivência transferencial pedagógica para
fazer o vinculo emocional professor-aluno a grande condição
de aprender a amar o saber na Pedagogia Simbólica
Junguiana" (BYINGTON, 2003). Afinal, os problemas
enfrentados pelas crianças hoje são muito
mais do que elas podem suportar e identificá-lo
no seu estado nascente é a grande contribuição
social do educador.
Referências
BYINGTON, Carlos Amadeu Botelho. A construção
amorosa do saber: O fundamento e a finalidade da Pedagogia
Simbólica Junquiana - 1ª.ed. - São
Paulo: Religare, 2003.
ELKIND,
David. Sem tempo para ser criança: a infância
estressada. Trad. Magda França Lopes - 3ª.ed.
- Porto Alegre: Artmed, 2004.
Revista
Época - edição 446 - dezembro de
2006. SEGATTO, Cristiane; PADILLA, Ivan; FRUTUOSO, Suzane.
Infância Medicada. (caderno de saúde)
Revista
Nova Escola On-line - edição número:
167 - novembro de 2003. CAVALCANTE, Meire. Calma, isso
pode ser estress. E tem jeito. (http://novaescola.abril.com.br/index.htm?ed/167_nov03/html/estresse)
último acesso em (30/11/06).
Revista
PsiqWeb - Caderno especial Estress. Estress
(http://www.psiqweb.med.br/cursos/estresse.html) último
acesso em (11/12/06).
Publicado
em 19/02/2007
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