| ::. O
maior desafio da educação |
Ivone
Boechat
Bacharel em Direito pela Universidade Cândido Mendes
– RJ.
Graduada em Pedagogia pela Universidade Augusto Mota –
RJ.
Pós-Graduada em Educação pela UERJ
(Universidade do Estado do Rio de Janeiro)
Pós-Graduada em Metodologia do Ensino Superior
pela Universidade Augusto Motta - Rio de Janeiro.
Mestre em Educação – Wisconsin International
University-USA
PhD – Psicologia da Educação - Wisconsin
International University – USA.
A humanidade está evoluindo, emocionalmente, na
velocidade da tartaruga, frente à tecnologia que
ultrapassa a qualquer previsão, na velocidade da
luz! Quem não estiver disposto a rever conceitos,
mas, sobretudo, assumir uma postura de maturidade emocional,
frente a tantos desafios que a modernidade proporcionou
ao homem, ficará à margem do processo. A
pessoa que compõe a estatística de qualquer
tipo de analfabetismo - e são muitos os tipos -
tem vida, conforto, informação, recursos
extraordinários e não é capaz de
ler, interpretar e tomar posse da modernidade. Se alguém
escapa do analfabetismo da leitura e da escrita, com certeza,
pode estar sofrendo como analfabeto funcional, analfabeto
virtual, analfabeto emocional, analfabeto social, analfabeto
espiritual... etc, etc, etc... Isto se parece muito com
aquela velha história do burro na porta do palácio.
Hoje, aos vinte, trinta anos, se o
cidadão parar de aprender, está fora da
concorrência. Aos 90, se estiver sintonizado com
a evolução e fizer parte dela, como sujeito
e objeto da história, não sai da concorrência:
é consultor dos fracos e oprimidos! Logo, quem
está do lado de fora da roda do aprendizado e
do crescimento constante, deve voltar, imediatamente.
O perfil do profissional é baseado na qualidade
essencial. Maisoumenos morreu afogado no mar da tecnologia.
Foi substituído pelos modernos gestores do tempo,
do conhecimento, da informação... O eficiente
tropeçou no eficaz que é capaz de fazer
o impossível. O homem multifuncional, preparado
para exercer numerosas atividades profissionais, deixou
o “especialista” acomodado para trás, especializando-se
no brechó...
As
escolas devem se organizar para receber crianças
cada vez menores e tratar de se estruturar como casa
de educação. Chega de “empresas” que vendem
diploma a preços absurdos e salve aquelas instituições
que têm a capacidade de formar cidadãos
para promover a revolução das consciências
e organizar uma sociedade pacífica, feliz, adaptável,
sim, porque o adaptado sucumbiu!
As escolas devem ainda se preparar,
urgentemente, para oferecer cursos de formação
e atualização para pessoas maduras. Quem
não se programar para entrar no contexto perderá
a grandiosa oportunidade de participar da era mais fantástica
da humanidade. As universidades estão recebendo
estudantes com idades bem superiores, ultimamente. E
tende a aumentar.
O Brasil está cotado para ser
o 5o país do mundo em número de idosos,
até o ano 2010. O conceito de velho como sinônimo
de doença, tristeza, abandono, tralha, desesperança,
deve ser revisto. A palavra velho serve para significar
coisas velhas, enguiçadas. A palavra idoso é
sinônimo de bênção da longevidade.
No Dia Internacional do Idoso, organizam-se
eventos, com a presença de conferencistas “especializados”.
Raramente, eles se lembram de ajudar a mobilizar a motivação
e resgatar a auto-estima dos convidados. De um modo
geral, os assuntos giram em torno do pessimismo, depressão,
estresse, próteses, espinhela caída, trombose,
trombada, cadeira de rodas, muletas, piriri, tosse noturna,
bexiga arriada, artrose, mal disso, mal daquilo e daquilo
outro... Há outros “consultores” que se especializaram
em assombrar só com notícias ruins. Ou
seja, anunciam tantos horrores, dando a impressão
que se o idoso se livrar daquilo tudo, pode não
escapar da bala perdida, da guerra, das batidas no trânsito,
do arrastão, enfim... só desgraça!
Do INPS-assobração que só se desencarna
a sete palmos de terra. A filósofa Dercy Gonçalves,
do apogeu dos 100 anos orienta: “Se você cair
num buraco, dê graças a Deus se não
tiver terra por cima.”
Quando o ser humano e, claro, também
o idoso comparece a uma conferência ele quer ouvir
assuntos que o deixe animado, pronto a sair dali e programar
aquela viagem adiada, retomar um projeto esquecido,
fazer um curso, escrever um livro, inscrever-se num
concurso de poesias, enfim, estimulado a prosseguir,
a valorizar a vida, a ser fiscal da natureza, profissão
na última moda!
As empresas de um modo geral que ainda
não acordaram e não se prepararam para
atender, no momento, a mais de 15 milhões de
pessoas com idade acima de 65 anos, vão falir.
A demanda vai dobrar dentro dos próximos anos.
Se uma jovem senhora vai hoje a um shoping comprar uma
roupa, seja para dias comuns ou para comparecer a uma
festa, é um horror. As roupas bonitas, modernas,
não têm numerações que ultrapassam
o manequim 44. As “outras”, chamadas senhoris, são
da cor bege, preta, marrom, cinza, de florzinha e, na
maioria das vezes, ridículas, sem a mínima
criatividade, tipo assim capa de botijão. Não
existe meio termo. Ou a pessoa sai de paetê até
debaixo do braço...
Quando alguém completa 70 anos,
é muito comum se organizar uma festa. Na cerimônia
de “comemorações”, sublinham-se alguns
versos do Salmo 90, (cuja autoria é atribuída
a Moisés) que são lidos para advertir,
assustar, ameaçar, amedrontar, apontar ao aniversariante
as setas para a reta final. O orador com aquela voz
de relações públicas de necrotério
lê: “A duração de nossa vida é
de 70, 80 anos o que passa disto...” Mas é bom
esclarecer que Moisés escreveu este Salmo, imaginando
que sua vida estaria chegando ao fim. Ele estava passando
pela crise dos 70. Somente aos 80 anos o salmista iniciou
o processo de retirada do povo de Israel do Egito e
a missão se estendeu por mais 40 anos. Aos 120
anos, Moisés morreu. E o seu substituto, Josué,
com 85 anos foi nomeado, com palavras divinas de fortalecimento:
“Tão-somente esforça-te e tem mui bom
ânimo”. (Js 1:7).
Portanto,
o maior desafio de qualquer tempo é aprender
a viver. Que valor tem a vida sem projeto de vida? É
preciso traçar regras de bem viver, estabelecer
prioridades, administrar o tempo, gerir informações,
competência emocional para reconhecer e controlar
as emoções, e aprender a auto-estimular
a produção dos hormônios que formam
o padrão químico do bem estar. Se você
é educador, antes de procurar o valor de x, invista
5 minutos diários, ensinando sobre o VALOR DA
VIDA!
Publicado
em 06/02/2008
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