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Edson
Marques
Filósofo (USP), poeta, sócio-fundador da
Ordem Nacional dos Escritores. Editor do blog Mude. Autor
dos livros "Mude" e "Manual da Separação",
entre outros. http://mude.weblogger.com.br
www.usinadeletras.com.br/exibelocurriculo.php?login=EdmaLux
A
tabuada não basta. Como não bastam funções
hiperbólicas, variáveis complexas, orações
subordinadas. Não bastam Euclides e sua geometria,
não bastam as teorias. O professor deve ensinar
ao aluno a arte de viver com dignidade, com amor, com
liberdade.
Não basta falar das guerras, das batalhas, das
conquistas — tem que ensinar o aluno a conquistar-se primeiro
a si próprio. Ensinar-lhe medir distâncias
é pouco — necessário vencê-las. Não
basta saber o nome dos rios, temos que fluir. Equações
algébricas não resolvem tudo, antes é
preciso resolver-se. Em vez das mentiras históricas,
o professor deve ensinar dezenas de verdades, e o melhor
modo de encontrá-las. Não basta falar de
política, o professor tem que ser democrata. Deve
olhar nos olhos do aluno e dizer-lhe como a vida é.
Aumentar-lhe a coragem de crescer. Ensinar-lhe a lógica
das emoções e o amor pelo raciocínio.
O
professor transmite sabedoria, incentiva o bom senso e
o bom gosto. Mergulha fundo no oceano de dúvidas
que o aluno tem no coração, e traz o tesouro
pulsante lá submerso. Educa, orienta, aviva a chama
na consciência de cada. Ao polir a pedra bruta consegue
intenso brilhante.
Bom
professor é aquele que não exige, não
cobra — obtém. Não corrige — mostra o porquê.
Não hesita quando avalia, não constrange
quando examina. E nunca faz da nota uma espada.
O
bom professor não só ensina, compreende.
Não levanta a voz, amplifica o verbo, convence.
É sério — mas ri da própria seriedade.
Fala do êxtase, da alegria e da profunda emoção
que explode no seu peito quando ensina, como pétalas
no riso de quem ama.
O
professor mostra ao aluno a diferença entre o silogismo
e a serpente. Ensina-o a extrair raiz quadrada com poesia.
Demonstra como ser ousado sem ser burro. Jamais abusa
da confiança do aluno, não lhe invade o
espaço, não procura condicioná-lo.
Não cria relações de dependência,
nem exerce dominação sádica sobre
ele. Infunde-lhe o respeito absoluto pela vida. Prefere
o aluno criativo ao bem-comportado. Nunca o explora, é
só o conquistador de um novo mundo, que leva o
aluno a ver mais — mais alto e mais longe.
Não
levanta paredes em torno do aluno, e sim derruba aquelas
que houver. Abre-lhe as portas da vida, com veemência.
Não o repreende, não o censura, não
o recrimina. Mostra ao aluno a importância da inteligência
na determinação do seu futuro. O velho dilema
entre a caneta e a vassoura...
Como
Sócrates, o bom professor não vê glórias
no que sabe, não esconde o que conhece, nem oculta
o que possa não saber.
Brinca,
tem confiança em si, e não faz da escola
uma cela. Moderno, convence o aluno a saltar os muros
da tradição, porque a aventura está
sempre do outro lado. Lógico, respeita aquele que
aprendeu a questionar. Não o sufoca com preconceitos
nem com juízos de valor. Nem lhe causa medo algum.
Transmite confiança, pega na mão, aplaude,
incentiva, suporta, conduz, ampara na travessia. Não
é hipócrita, faz o que diz e diz o que pensa.
É um farol que não vela o que descobre.
Mostra um caminho. E não apenas mostra — demonstra,
comprova, define.
Aranha
em teia de luz, o professor não prende — liberta.
Carrega o giz como fosse uma flor, com amor. E quando
faz a linha tem firmeza, mas não separa. Ora Dali,
ora Picasso, vai colocando a tinta, pondo seu traço,
amando seu gesto, compondo a canção. Enaltece
o risco do sonho, o círculo do fogo, a pureza da
alma, o princípio da vida, o anel da esperança.
Considera
o aluno obra de arte quase inacabada. Ama-o como se fosse
um anjo. E nunca vai matar-lhe no peito a vontade de ser
livre.
O
professor é o amigo que ajuda o aluno a superar
os limites da vida, desbravando essa fantástica
região chamada Experiência.
Enfim
— o professor é o Mestre.
Publicado
em 29/09/2007
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| Estimule
a criança através de estórias
e músicas.
Professores, Psicopedagogos, Pedagogos, Fonoaudiólogos |
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