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professor e o computador |
Marilene
dos Santos Terra
Graduada em Pedagogia (UFSJ-MG), pós-graduada em
Informática em Educação (UFLA-MG)
E-mail: marilelasantos@yahoo.com.br
Os
profissionais da educação atuando nas escolas
públicas do Brasil, viram, nas 3 (três) últimas
décadas uma máquina ir chegando devagar
para "ocupar" o seu lugar de detentor do saber.
O medo do desconhecido se fez presente, assim muitos mitos
foram criados sobre o computador - "O Monstro".
Inicialmente tido como um "sabe tudo", por grande
parte da classe de professores, o computador, considerado
um rival, foi endeusado. Num segundo momento, o mito foi
sendo explicado por partes e todos começaram a
enxergar que "hardware" é o computador
- palpável, físico; que "software"
é o programa que será usado para a utilização
do computador e que por trás, ou frente, dessas
partes está o "peopleware" - a parte
humana que comanda o conjunto. Sem as pessoas para operá-la
a fabulosa máquina de nada adiantaria.
Dentro desta perspectiva os profissionais da educação
começaram a se interessar pela nova ferramenta.
O aprendizado para a utilização desta máquina
saía do cognitivo(sem sentido) para o experimental
(significativo), em consonância com a teoria de
C. Rogers sobre a aprendizagem.
O comportamento se modifica. As dúvidas foram surgindo
e as respostas começaram a ser encontradas.
A base da aprendizagem, de Carl Rogers, torna-ser uma
constante entre os profissionais da educação,
que, interessados na influência significativa da
informática na mudança de comportamento
humano, buscam o desafio e passam a compreender o significado
desse processo.
Com o funcionamento da "máquina computador"
teoricamente dominado, deixa de existir a ameaça
do desconhecido, ficando livre o caminho da superação,
assim o aprendizado avança.
Desde a década de 80, muitos cursos foram criados
para suprir a necessidade do aprendizado auto-iniciado,
que, segundo Rogers é o mais duradouro e permanente.
Apesar dos progressos e sucessos, ainda é enfática
a necessidade de capacitação de professores,
principalmente os que atuam nas séries iniciais
do ensino fundamental. Estes que, normalmente, se mantêm
mais afastados da nova tecnologia, visando capacitá-los
a extrair o máximo de benefícios que o computador
pode oferecer ao aluno.
A maioria dos professores brasileiros, segundo Poletti,
ainda tem um grau mínimo de envolvimento com a
informática. As escolas públicas, em sua
grande parte, não contam com laboratórios
de informática.,Os professores estão desmotivados
e com baixa auto-estima.
É urgente que políticas públicas
garantam o acesso desses professores ao mundo "net".
É premente a busca de motivação destes
profissionais neste sentido. É preciso que o aprendizado
seja a eles facilitado. Para Rogers, o aprendizado é
facilitado quando:
* o indivíduo participa completamente do processo
de aprendizado e tem controle sobre a sua natureza e direção;
* é, primariamente, baseado na confrontação
direta com problemas práticos, sociais, pessoais
ou de pesquisa;
* a auto-avaliação é o principal
método de avaliar o progresso ou o sucesso.
* é uma abertura para a mudança;
Baseando-se na premissa de que a escola publica é,
ainda, pouco instrumentada para esta nova tendência
tecnológica, surgem as perguntas: como despertar
o professor da rede pública na busca do domínio
das novas ferramentas tecnológicas, utilizando-as
na no ambiente escolar? Como incentivá-lo a romper
seus limites e adquirir novas habilidades?
Observando-se pela ótica de que a realidade da
escola pública de educação básica
é caótica, onde existem muitos professores
que já estão para se aposentar e não
têm interesse em se atualizar, outros não
se dispõem a freqüentar cursos específicos
de informática por não disporem de tempo
- por falta de incentivo. Existe também o fator
econômico.
Os profissionais da educação, infelizmente
não são valorizados como deveriam e muitos
deles não possuem, em casa, a máquina para
estudos práticos. Entretanto, não se deve
ficar preso ao conceito de que o professor é o
vilão, bem como só ao governo, cabe a solução.
De acordo com a teoria de Rogers, "uma pessoa interessada
em aprender busca o conhecimento". Tal indivíduo
percebe (e aprende) qualquer informação
fornecida sobre o assunto de modo diferente. O aprendizado
avança mais rápido quando o assunto é
relevante para os interesses pessoais do aluno.
Assim, pode-se seduzir os profissionais resistentes à
aprendizagem do uso do computador, mostrando-lhes o quanto
a informática está presente em nosso mundo.
Seja no uso do terminal eletrônico do banco, no
controle remoto dos aparelhos domésticos, na calculadora
e em muitos outros momentos do seu dia-a-dia. Ao se ver
"conhecedor" e "usuário" da
tecnologia, a aprendizagem se apresenta significativa,
real na relação com o seu existir.
O domínio das novas tecnologias é posto
à disposição do aprendiz, e não
imposto. O profissional da educação perceberá
que a informática é oferecida para ser usada,
tornando-se útil se colocada à disposição
do aprendiz, para que ele vivencie a experiência
de sua aprendizagem.
Rompidas as amarras, os profissionais da educação
estarão aptos a adquirir novas experiências,
formando novas atitudes, para modificar as percepções
da realidade, através da aquisição
de novas habilidades.
Conhecedor desse novo parceiro e aliando-se a ele, o professor
passará a respeitar a busca do conhecimento pelo
próprio aluno (via internet, "orkut",
"Blogs", "e-mails", etc) e concentrará
na formação de atitudes, através
do respeito mútuo, o seu papel de acompanhante
do processo ensino-aprendizagem.
É possível que o profissional que baseia
sua prática pedagógica na linha liberal
renovadora não diretiva (escola nova), tenha mais
facilidade no repasse do conhecimento. O relacionamento
com o aluno é baseado no respeito e está
nele centrado. A troca de conhecimento entre o professor
e o aluno servirá como enriquecimento do processo
ensino aprendizagem.
Concluindo, a necessidade da formação do
profissional de educação para que possa
usar as novas tecnologias no ensino-aprendizagem é
urgente. Cursos gratuitos, palestras, discussões
sobre a inclusão digital, facilidade para a aquisição
de computadores pelos professores, etc, são "caminhos"
que podem ser oferecidos, pelos responsáveis pelas
instituições, para que os profissionais
se aprofundem ao máximo, neste novo campo da aprendizagem.
Capacitados, os profissionais poderão participar
com os alunos, na busca por novos conhecimentos de forma
mais segura.
POLETTI, Valéria. Internet na educação:
não fique fora dessa professor! Disponível
em: <http://www.profissaomestre.com.br/smu/smu_montachamada.php?s=501
ROGERS, Calrs R. "Liberdade de
aprender em nossa década". Porto Alegre:
Artes Médicas, 1985.
_____________. "Tornar-se pessoa". Trad. Manuel
J. C. Ferreira, 5 ed. São Paulo: Martins Fontes,1997
ROGERS,
Carl. Aprendizado experimental. Disponível em:
<http://www.planetaeducacao. com.br/new/professor/teorias/teoria20aprendexp.asp>
Publicado
em 06/02/2008
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