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O
renascimento do saber no intelectual do aluno |
Janete
Leony Vitorino
Historiadora, licenciada pela Universidade do Estado de
Santa Catarina, pósgraduanda e mestranda em Psicopedagogia
pela Universidade do Sul de Santa Catarina UNISUL. Atualmente
é professora-mediadora do Centro Integrado de Educação
do SESI.
Email: janetepsicopedagoga@yahoo.com.br.
Projeto
desenvolvido com o conteúdo "renascimento"
em 6a.Série de uma Escola Pública da Grande
Florianópolis - SC.
Este projeto floresceu quando iniciei minhas atividades
como docente em uma Escola Pública da Grande Florianópolis,
no município de Biguaçu, mas precisamente
no bairro do Prado.
Meu trabalho nesta escola mantida pela prefeitura do município,
teve início em maio de 2002.
Como professora de história, lecionava trinta horas
semanais, possuindo dez turmas distribuídas da
seguinte forma: três quinta séries, três
sexta séries, duas sétima séries
e duas oitava séries, divididas nos horários
matutino e vespertino.
Concluí minha licenciatura e bacharelado em História
ao final de dezembro de 1997, pela Universidade do Estado
de Santa Catarina-UDESC, onde desde meados do curso já
procurei entidades educacionais para lecionar. Lecionei
em diversas escolas públicas e privadas do município
e do estado.
Como agora fixei residência no município
de Biguaçu, tenho procurado desenvolver minhas
atividades em escolas deste município em regime
de A.C.T., por tempo determinado, por não haver
concursos previstos.
O fato de trabalhar este projeto somente com a 6a.série
era um desafio pessoal e, principalmente sendo o conteúdo
parte integrante do segundo bimestre do ano letivo. Nesta
sala de aula de 30 alunos, além de ser uma turma
que gosta muito de aprender conteúdos novos, está
aberta às novas propostas curriculares.
Meu maior desafio está também em trabalhar
com alunos com necessidades especiais de aprendizagem,
pois não fui capacitada para interagir com a linguagem
dos sinais e nesta turma está incluído um
aluno com necessidades especiais de aprendizagem (surdo
mudo). Perrenoud (2002,p.121) afirma que "a forma
de agir e de estar no mundo de uma pessoa não pode
mudar sem transformações advindas de suas
atitudes, de suas representações, de seus
saberes, de suas competências e de seus esquemas
de pensamento e de ação".
A faixa etária dos alunos está em torno
de 11 e 16 anos, necessitando de atenção
especial tanto aos que estão na idade própria
da série, quanto aqueles que já possuem
repetência ou estão retornando a sala de
aula após ficarem alguns anos ausentes.
Com estas características, me propus a realizar
este projeto que já havia amadurecido anteriormente
em minhas pesquisas bibliográficas, porém
o que estava faltando era um ambiente propício
para colocá-lo em prática.
A realidade desta escola não é diferente
de tantas outras distribuídas pelo nosso imenso
Brasil.
A escola está localizada em comunidade bastante
carente do município de Biguaçu, atendendo
crianças da educação infantil a oitava
série do ensino fundamental. Possui setecentos
alunos provenientes de bairros periféricos ou de
morros próximos à escola.Um grande contingente
dos alunos provém de cidades do interior do estado,
possuindo ainda cerca de cinqüenta por cento destes
alunos de origem negra.
Esta escola possui uma biblioteca que funciona precariamente
numa sala de aula que não está sendo utilizada,
possuindo iluminação inadequada e pouca
ventilação.
O arsenal de livros está desatualizado, possuindo
somente como volumes recentes os livros do projeto "vamos
fazer o Brasil um país de leitores".
Sempre que necessito solicitar um trabalho de pesquisa,
verifico primeiramente quais os livros que a biblioteca
possui. Tudo isso para evitar encaminhar os alunos para
a biblioteca central, pois os alunos necessitam fazer
a travessia da BR 101, sendo muito arriscado e o trecho
em que a escola está localizada ainda não
possui passarela para pedestre. É nesta biblioteca
que está instalado também a TV e o vídeo.
Possuímos também uma quadra de esporte,
reformada em 2002 pela prefeitura local, além de
uma cozinha com pouco espaço para servir a merenda.
Teve início em 2001, um laboratório de informática
possuindo 11 computadores, alguns não funcionam
e a assistência técnica é bastante
burocratizada dificultando o andamento das aulas. Não
possuímos linha para internet, pois na escola somente
está instalado um telefone público que recebe
chamadas.
Temos também uma orientadora educacional que realiza
um trabalho bastante amplo de conscientização
e prevenção nos mais diversos temas contemporâneos
relacionados às crianças e aos adolescentes.
Está instalado no pátio da escola um consultório
odontológico que atende os alunos e a comunidade
em geral.
É justamente nesta unidade educacional diversificada
que encontrei o campo ideal para desenvolver meus projetos
como educadora.
O conteúdo seria o próximo tema sugerido
no livro didático adotado pelo município.Este
programa ia de encontro ao projeto que eu havia idealizado
para o segundo bimestre do ano letivo.
Qual foi minha surpresa: os alunos nunca tinham ouvido
falar sobre o "renascimento", mas, para Cowan
(2002,p.75), "ensinar é uma criação
proposital de situações, nas quais aprendizes
motivados não devem escapar sem aprender ou desenvolver-se".
Com este diagnóstico inicial tive que rever meus
conceitos e pré-conceitos com relação
à realidade escolar dos alunos em escola pública
em nosso país.
Eu imaginava que todos ou boa parte dos alunos já
deveriam ter ouvido falar em "renascimento".
Porém, nenhum dos alunos respondeu que sim. O que
fazer, pensei comigo: vou lançar um debate. Vou
auxilia-los provocando-os para que reflitam até
encontrarmos um conceito para a palavra "renascimento".
Inicialmente foi difícil, o silêncio foi
geral. Apenas um aluno se aventurou em dizer que era "nascer
de novo". Já fiquei contente. Porém
outros falaram sobre ressurreição.
Mediante do mapa-mundi, iniciei o tema definindo a palavra
"renascimento", onde todos levaram para casa
como atividade na aula anterior.
Definido o conceito para "renascimento", partimos
para conhecer o local onde tudo teve início, ou
seja, a Itália. Ver meus alunos organizando suas
idéias diante do novo me fascinava. Minha intenção
era justamente fazer com que os alunos conseguissem compreender
a visão de conceito de homem tanto na Idade Média,
quanto no renascimento. A comparação com
os homens da idade contemporânea viria espontaneamente,
pois seria a própria vivência dos alunos.
Os alunos deveriam ao final deste projeto obter as competências
quanto a visão das virtudes humanas medievais,
renascentistas e contemporâneas.
Ao final deste trabalho também deveriam reconhecer
os principais locais de difusão das idéias
renascentistas, o papel da igreja na história e
os principais artistas e suas obras. Afirma Tosi (2001,
p.148) que "o conjunto de métodos, técnicas,
recursos e procedimentos determinados em um cronograma,
tem em vista atingir, com sucesso, objetivos previamente
determinados".
Uma exposição de arte também seria
montada a escola com as obras de arte renascentistas.
O tema também seria complementado com o filme Romeu
e Julieta, em que os alunos fariam avaliação
crítica em forma de texto, reconhecendo o vocabulário
da época redesenhada na obra imortal de William
Shakespeare.
Leonardo Da Vinci seria ficou bem conhecido entre os alunos
e a obra Monalisa foi projetada com o "episcópio"
na parede em tamanho bastante grande, o que facilitava
a compreensão dos detalhes da obra.
Ao atuarem em forma de representação teatral
da peça "Romeu e Julieta", nunca mais
esqueceria, aquela história de amor que sobrevive
através dos tempos.
A parte final deste projeto contemplaria a confecção
de um livro com a história de vida de cada aluno
onde o título seria: "Minha Vida". Este
livro foi montado com folhas de papel ofício e
os passos das seqüências das páginas
foram fornecidos por mim, como forma de comparação
com os hábitos dos homens da atualidade. Acreditando
como Daniel (2003, p.27), que "a motivação
é o ponto de partida crucial para um percurso bem
sucedido rumo à educação para todos".
Foi um grande aprendizado, tanto para os alunos quanto
para mim e ao final desta problematização
e internalização os alunos estariam seguros
com relação ao conteúdo programático.
Dominariam o conceito de homem virtuoso nos três
momentos históricos sugeridos e conheceriam com
detalhes o período compreendido como Idade Média.
Conhecer o pensamento renascentista pode fornecer uma
grande comparação de mudança na vida
humana. Se na Idade Média era a igreja quem comandava
a vida do indivíduo desde seu nascimento até
sua morte, o renascimento veio contestar isso como sendo
o homem o centro do universo (antropocentrismo) e não
somente Deus o centro de tudo (teocentrismo), pregado
na Idade Média.
Realizando manifestação artística
em forma de representação teatral com a
peça "Romeu e Julieta", tive uma grata
surpresa: meu aluno com necessidades especiais de aprendizagem
(surdo-mudo) aceitou representar o papel de "Romeu".
Todos ficaram surpresos e ele muito feliz. Providenciamos
pilhas novas para seu aparelho de audição
que há muitos anos ele não utilizava.
Foi
um sucesso. Para surpresa nossa, ele falou!!!. Claro que
fez emissão de sons, porém todos compreenderam
as falas. O silêncio foi geral o que contribuiu
para o bom andamento da peça. Quando a apresentação
chegou ao final houve muitos aplausos, pois todos se saíram
muito bem tanto na representação quanto
na compreensão do conteúdo. As lágrimas
vieram aos meus olhos, pois nunca havia sentido uma emoção
deste porte deste o nascimento de meu filho. Acredito
ter contribuído muito para o vida destes alunos.
Quanto ao conteúdo curricular, utilizei como base
o livro didático, adotado pela prefeitura, pois
todos os alunos possuíam e a edição
era de 2001.
O capítulo trabalhado com esta 6a.série
foi o "renascimento", porém houve consulta
de diversas outras obras como suporte ao projeto.
O livro da "história de vida" dos alunos
ficou muito rico, tanto em conteúdo informativo
quanto em ilustrações e fotos, ficando bastante
clara os níveis de comparação entre
as mentalidades medievais, renascentistas e contemporâneas
e fazendo verdadeiras viagens literárias nas reflexões
teóricas de Morim (2000), onde ele afirma que "o
mestre tem obrigação de formar" e em
Vigotsky (1996) onde afirma que "cada sujeito é
único, mas marcado pelas inter-relações
no contexto social em que vive e do qual participa".
A
exposição artística feita com relação
ao tema proposto, a obra mais desenhada e pintada foi
"O nascimento de Vênus" de Botticelli.
Talvez pela beleza e sensualidade da obra, onde uma linda
jovem desnuda sai de uma concha. Observei a questão
da sensualidade e da sexualidade, tão aflorada
na adolescência. Nos desenhos dos meninos, os seios
de Vênus variavam de tamanho, cada um a seu gosto
ou preferência de beleza. Já as meninas capricharam
nos cabelos que se tornaram ainda mais esvoaçantes.
Apenas três alunos optaram pela "Monalisa",
que ficou muito bem representada nos desenhos.
Os alunos utilizaram nesta manifestação
as técnicas já utilizadas nas aulas de educação
artística. O uso da comparação de
cores e a idéia de movimento, próprias da
arte renascentista foram empregada com sucesso.
Se meu objetivo inicial era que além do conteúdo
também conhecessem a arte medieval e renascentista,
isso ficou bastante difundido sendo constatado por mim
durante as aulas expositivas em que cada aluno pode se
expressar comentando o que estava compreendendo com relação
ao tema.
A descoberta do estudo através da natureza, onde
na Idade Média era desprezada, no renascimento
tudo passou a mudar. Agora, conhecer a natureza era fundamental,
tanto que até as obras de artes da época
possuíam paisagens como pano de fundo.
O próprio corpo humano que na época medieval
era tido como apenas algo que poderia ser estudado apenas
através dos livros, onde alguns cléricos
tinham acesso e era uma fonte de pecado, no renascimento
este mesmo corpo toma novas formas.
Agora o corpo humano é considerado uma máquina
e que necessita ser conhecido seu funcionamento. Na anatomia,
estudando a dissecação de cadáveres
muito contribuiu para serem lançados os primeiros
Atlas de Anatomia Humana. A medicina teve grande avanço
que se estende até nossos dias.
Os alunos observaram através das figuras mostradas,
como a "Estátua de Davi" de Michelangelo,
os traços anatômicos do corpo humano, agora
descrito de forma correta, através da observação
do nu. As gravuras de médicos renascentistas dissecando
cadáveres curiosamente desvendando os mistérios
do corpo humano em sua totalidade.
Para estes alunos a idéia medieval de "teocentrismo"
e as idéias renascentistas de "antropocentrismo",
bem como a idéia de "individualismo do homem
contemporâneo, ficou compreendido.
O universo da matemática com a ilustração
de Leonardo Da Vinci, mostrou claramente que a beleza
do corpo humano segue as comparações geométricas,
unindo arte e ciência pelo ideal das ciências
exatas. Esta gravura chama bastante atenção
dos alunos, pois a figura humana encontra-se entre um
quadrado e um círculo, demonstrando assim, pela
técnica da observação as descobertas
científicas lógicas.
Os alunos também puderam comparar Ptolomeu que
defendia a idéia de que a terra era o "centro
do universo", com as pesquisas de Nicolau Copérnico,
que defendeu, através de estudos e observações
que "o sol seria o centro do universo". Ficou
claramente esclarecido que as idéias de Copérnico
estavam corretas, pois até os dias de hoje, esta
teoria permanece.
A
SEQUÊNCIA DIDÁTICA:
O
projeto foi caminhando lentamente e acompanhando o ritmo
dos alunos como foi relatado anteriormente.
Inicialmente conceituamos a palavra "renascimento",
mostrando aos alunos no mapa-mundi, a localização
da Itália e os outros países onde o movimento
renascentista se difundiu. A utilização
do dicionário foi de fundamental importância.
Promovi um debate com as palavras que os alunos desconheciam,
formando, juntamente com eles, os conceitos.
Com o auxílio de um retroprojetor (que nunca
tinha sido utilizado na escola), fiz transparências
enfatizando as idéias do que eram as virtudes
desejáveis em um homem na Idade Média,
no renascimento e na contemporaneidade. A descoberta
da natureza como forma de pesquisa, dos avanços
das descobertas do corpo humano no auxílio anatômico
para a medicina.
Os alunos compreenderam quem comandava a vida das pessoas
na Idade Média, o poder e o papel da igreja e
na inércia dos avanços científicos
em diversas áreas, sendo considerado, o período
medieval, por alguns historiadores como o "período
das trevas" (ausência da luz das descobertas).
A idéia de "teocentrismo" e "antropocentrismo"
foi bastante difundido, inclusive com relação
a pronuncia das palavras. Com o auxílio do episcópio,
(que também nunca tinha sido utilizado nesta
escola), mostrei aos alunos os principais artistas e
obras, comparando sempre as obras renascentistas com
as mesmas obras de igual significado no período
medieval, citando como principal obra comparativa "As
Três Graças" de Botticelli.
A partir das ilustrações comparativas,
foi organizada uma exposição de arte nos
murais da escola. Foi um sucesso. Os alunos descobriram
seus talentos e o gosto pela arte. Ao contato direto
com as obras puderam reproduzi-las, descobrindo o valor
do olhar observador, pois cada aluno comentava algo
novo sobre determinada obra em debate.
Outro artista muito destacado foi William Shakespeare,
por seu estilo romântico/trágico observado
em sua obra imortal "Romeu e Julieta".
Descrevi para os alunos a história deste amor
que sobrevive à décadas e sempre arranca
suspiros de quem a conhece.
O filme para reproduzir esta história é
de 1996 e conta com a participação de
Leonardo Di Caprio e Clavie Danes. Os alunos ficaram
bastante atentos às falas (legendas).
Ao término do filme foi realizado um debate.
Esta discussão ficou riquíssima, pois
os alunos já tinham ouvido falar do romance,
porém nenhum deles conhecia a verdadeira história
e nunca tinham assistido ao filme, mesmo que ele tenha
sido lançado há sete anos atrás.
A maioria dos alunos não ficou satisfeita com
o final, porém entendeu o sentido, mediante ao
próprio estilo do artista.
Solicitei um relatório em forma de texto dissertativo/crítico,
onde os alunos deveriam levar como atividade e trazer
na aula seguinte.
Os textos foram bem elaborados e com observações
pessoais tais como: "foi uma grande história
de amor", "este filme nos mostrou vários
sentimentos: tristeza, inveja, felicidade", "Romeu
e Julieta foi um filme que marcou", "entendi
que o amor de Romeu e Julieta venceu todas as barreias
do mundo", " a parte mais triste do filme
foi quando os dois morreram", "os dois se
encontraram, se apaixonaram e morreram sobre tudo que
Deus construiu", " a cena mais triste foi
a do final do filme, porém foi a que mais gostei".
Os demais alunos apenas descreveram a história
sem maiores comentários próprios.
Na manifestação teatral o aluno com necessidades
especiais de aprendizagem interpretou o papel de Romeu.
Foram descobertos outros talentos para o teatro entre
os alunos que foram incentivados a continuar. O momento
ficou marcado, tanto para mim quanto para os 12 alunos
atores e para a escola que não estava acostumada
com manifestações artísticas em
público. Eu fiquei com a sonoplastia e tive que
me virar para que o som contribuísse para o andamento
da peça.
Mas em se tratando de escrever, expressando o que sentem,
isso foi observado quando os alunos entregaram seus
livros de história de vida. O início da
vida escolar foi descrito por todos. Esta técnica
foi a finalização do projeto, onde fizemos
a comparação das idéias do homem
da atualidade com o medieval e o renascentista.
Esta comparação foi observada em vários
aspectos como: costumes, gostos, sentimentos, hábitos
alimentares, visão de Deus, visão da realidade,
pesquisas, vida estudantil entre outros.
"Ao refirir-me "imagem de homem", as
mulheres estão inseridas no contexto em todos
os momentos.
RECURSOS
DIDÁTICOS UTILIZADOS:
-
Livro Didático dos alunos,
- PCNs,
- Outras referências bibliográficas, citadas
ao final do texto,
- Revistas,
- Retroprojetor,
- Episcópio,
- Filme: Romeu e Julieta,
- Transparências diversas,
- Sites,
- Giz de cera,
- Canetas hidrocor,
- Lápis de cor,
- Lápis preto,
- Cartolina,
- Papel cartão,
- Pincel atômico,
- Cola,
- Tesoura,
- Mural,
- Fotografia,
- Linguagem de sinais,
- Representação Teatral,
- Dicionários,
- Jornais,
- Confecção de livros.
O
QUE OS ALUNOS CONSTRUIRAM COMO COMPETÊNCIAS:
De acordo com o que venho descrevendo, cito também
o que os alunos construíram de conhecimento .
Sendo uma turma de trinta alunos e com faixa etária
bastante diversificada, seria muita pretensão
de minha parte afirmar que todos aprenderam igualitariamente.
Vários ajustes tiveram que ser realizados, como
no caso do filme, o mesmo era legendado e alguns alunos
ainda possuem dificuldades de leitura. Tive que parar
o filme algumas vezes para explicar algumas cenas.
Na questão "expressões artísticas"
em forma de desenho e pintura, alguns trabalhos pareciam
em muito com os originais, porém outros, os alunos
tiveram dificuldade na delineação e na
pintura, porém ficando todos bem representados.
Considero que todos, de maneira geral, alcançaram
de alguma forma os objetivos iniciais de compreensão
do tema proposto. Todos acompanharam as aulas expositivas
e a troca de informações, pois segundo
Stratton, Hayes (1997),"motivação
é o termo geral dado a um estado subjacente inferido
que energiza o comportamento, provocando a sua ocorrência".
Dominaram o conceito de homem, teocentrismo e antropocentrismo.
Ficou em suas memórias o romance eterno de Shakespeare.
Ao observarem o mural pronto, reconheceram suas obras
e os demais alunos observavam com atenção
as explicações dos alunos da sexta série,
com relação aos autores renascentistas
das obras como Botticelli.
Acredito que tudo isso está relacionado com a
implantação deste projeto desde seu início,
pois foi em passos lentos que pude acompanhar cada aluno
em suas necessidades de aprendizagem, bem como do grupo
como um todo.
TEMPO
UTILIZADO PARA IMPLANTAÇÃO, DESENVOLVIMENTO
E CONCLUSÃO DESTE PROJETO:
Este projeto foi implantado e desenvolvido desde o início
do segundo bimestre do ano letivo de 2002, totalizando
dois meses.
COMO
FOI DESENVOLVIDO O SISTEMA DE AVALIAÇÃO:
Tanto para mim, quanto para qualquer outro professor,
o momento da avaliação final de um determinado
projeto é sempre muito difícil e angustiante.
Ter que avaliar numericamente um aprendiz não
é uma tarefa das mais simples e para Romão
(2001), "avaliar não é simples e
exige o domínio de conhecimentod re técnicas,
além de experiências em processos concretos
de avaliação".
Avaliei individualmente e grupalmente as questões
de: participação, concentração,
interesse, avaliação escrita, expressão
artística (teatro e desenho), relatório
e avaliações críticas solicitadas
e pesquisas realizadas.
Optei pela auto-avaliação como forma de
ser uma alternativa que eu conhecia, porém não
a tinha colocado em prática.
Formamos um grande círculo onde cada aluno pode
comentar sobre o projeto, sua participação
efetiva ou não e uma nota para ele mesmo.
Avaliar desta forma foi bastante novo, pois a auto-avaliação
trabalha a consciência e os, alunos reconheceram
que poderiam ter se envolvido um pouco mais e prometeram
que nos próximos trabalhos contemplariam isso.
Ao final deste debate e como eu possuía duas
aulas naquela série, solicitei aos alunos que
avaliassem também meu trabalho.
Por escrito, cada qual foi descrevendo e avaliando,
agora já mais amadurecidos, conseguiram expor
seus sentimentos e que muito auxiliou em minhas atividades
educacionais daquele dia em diante e, baseando-me em
Tosi (2001, p.22), "a etimologia da palavra educação
nos faz acreditar que educar é fazer aflorar
as potencialidades dos indivíduos".
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