| ::.
Os
Alunos e os Colegas de Escola |
Poeta Professor Silas Correa Leite
Site pessoal: www.itarare.com.br/silas.htm
E-mail - poesilas@terra.com.br
Poeta
Prof. Silas Corrêa Leite, Educador, Jornalista,
Escritor Premiado De Itararé-SP
Membro da UBE-União Brasileira de Escritores
Educador da Rede Pública e Particular de Ensino.
Pós-graduado em Educação, Literatura,
Relações Raciais e Inteligência Emocional.
Autor do Romance Virtual de sucesso ELE ESTÁ NO
MEIO DE NÓS, no site: www.hotbook.com.br/rom01scl.htm
Freud
diz que tudo o que somos na vida, vem de nosso berço
familiar, nosso canto de origem e história. Raízes
e DNAs.
Já
Piaget e outros pedagogos de renome, coloca isso mais
socialmente evolutivo, a partir de um contexto sócio-ambiental
todo.
E
a escola, normalmente, é o primeiro vínculo
de um aluno com seu associacionismo extralar, fora de
casa, de seu primeiro ambiente-habitat.
Faz-se
a turma.
E
aí, tudo pode ser diferente, o teen se revela
de per-si, se agrupa como se adequa, passa a pensar
em equipe, comunitariamente. E corre riscos. Às
vezes, imaturo, dá a cara pro tapa, imberbe e
incauto. Como diz a canção do Raul Seixas,
inocente, puro e besta
Kant
diz do sujeito ético, e coloca o ser-cidadão
diante de sua responsabilidade inerente. E o aluno aí
vai se agrupar, medir as coisas por outro referencial,
sacar mesmo o professor que impõe, produz conhecimento,
lidera, agrupa, cerceia circunstancialmente até,
visto então ali como um não-pai, um tiofessor
possivelmente, só que este o aluno pode contestar,
até mesmo por alguma neura adquirida, querer
bater de frente, sentir o embate, medir riscos avaliatórios,
mediar interesses construtivistas, avaliar ao seu enfoque-prisma
se o educador sabe realmente o que diz que sabe, o que
se propõe a fazer na sua didática participativa-participante.
Com
a instituição-escola o aluno vai interagir,
congregar, adaptar-se por que é da natureza humana
esse estado social de ser e de humano.
Com
os coleguinhas de classe é que o bicho pega.
Cada
aluno-ser, é um planeta, um mundo, pois cada
cabeça é uma sentença, diz o adágio
popular.
E
o nosso aluno vai com/Viver com esse “diferente” dele,
em cor, status social, crendices, estímulos,
irrazões, gostos disformes e tudo mais. Vai ter
que aprender a lidar com isso. Faz parte de um contexto
todo de ser jovem dando os primeiros passos fora de
seu habitat de origem e meio. E, normalmente, o adolescente
aqui e ali vai agir antes de pensar, ficar inseguro,
pensar mal, ter noções erradas, seu juízo
de valores ainda é ralo e raso nesse estágio
de busca, adaptação, socialização.
O homem é um animal político enquanto
ser social vendo-se no outro, discordando, gostando,
trocando, reagindo.
Se
tem um líder barrabrava na tchurma, o jovem vai
ver nele uma referência de alguma forma. Está
reagindo a um estímulo. Se houver outro muito
culto, também. Se um desses enveredar por infrações
ou dependências químicas, lá vai
o colega de classe sentir se, arranjando a situação,
pode ser amigo, pode ser útil, pode ser evitável.
Depende do momento. O ser e as circunstãncias.
É melhor não ir contra a turma? É
melhor ficar na sua? É melhor se tocar, tá
ligado?
Jovem
é isso. Da hora. Paulatinamente medindo, com
sua régua mental, sua bagagem de origem (vide
Paulo Freire) o que vai fazer daquilo que vai apreendendo.
Uma espécie de letramento de posturas. O fazer-se
de si do que a escola-meio fizer dele. Agindo assim,
de outro jeito, como um e outro naturalmente retorna
essa ação, capta como o educador saca
o lance ou dispersa, como as coisas e acontecências
rendem ou respondem numa situação orbital
toda.
O
jovem é sensível, puro, quase uma folha
em branco ainda a ser preenchida pela vida, portanto
deve ser respeitado como tal, suas habilidades naturais
estão viçando, mas ele tem até
muito mais sensibilidade para captar, do que o próprio
professor ou pais. Isso tem que ser avaliado. O poder
dessa energia é fora de série. Quem trabalha
no ensino tem que saber como lidar com reações
e reclamos. É próprio da natureza pedagógica
esse desgaste da relação, só com
suporte inclusive estrutural e base psicológica
para o professor sentir que é da área
mesmo, do ramo, e é exatamente para isso que
ele ali está, para gerenciar conflitos, administrar
problemas, tirar dúvidas das mais inadequadas
ou imagináveis, reger aulas num arrazoado humano
bem heterogêneo.
Voltemos
ao nosso aluno. Ele ali está sacando o lance.
Logo descola uma carona-companhia. Torna-se amigo e
tem uma série de predicados para ser amigo e
parecer mesmo um. Logo pinta um lance, uma paquera.
Empresta uma grana prum esquecido e disperso, copia
trabalho de um outro, troca idéia sobre regra
de três ou camada de ozônio com um mais
dedicado, se encorpa num contexto de sobre/Vivencia
entre, em tese, iguais na faixa etária.
Pode
também se sentir deslocado, a partir de situações-limites
que traz consigo. Mas normalmente acha a sua turma.
Um e outro tem, vá lá, cinqüenta
por cento do ser de si, ou do que se agrada, pois se
completa nele. A companhia útil.
Esse
outro, independente da razão, como ele, também
tem um berço e uma estrada de vivência
e postura, de reações a enfrentamentos,
inclusive íntimos. O amigo por toda vida pode
ser composto e afinado aí. A paquera (que o primeiro
amor a gente nunca esquece) está nesse terreno.
E o perigo mora ao lado.
Se,
por um lado, dois ou três pensam em fundar uma
banda de rock pesado, se encaixam nesse propósito,
pode rolar aí uma imitação de méritos
de um fã-clube, ou posturas daninhas de um ou
outro artista famoso que faz suas besteiras posturais
e isso vira marca e ganha retoque na mídia. Drogas,
só para citar uma, nem entrando no campo do neoconsumismo
babaquara.
Degraus.
Pisadas na bola. Escolhas. Experimentações.
Intimidades e desaforos. Tudo ainda nos conforme. Ser
jovem é isso mesmo, adrenalina, alienação,
composturas, elos, somas. Tira-se sarro, preocupações
dúbias, outros interesses ainda não adultizados.
Começa
o avanço para um ou outro lado. Para o externo
ou dentro de si, afinal, somos espíritos, temos
interioridades até mesmo as não captadas,
mas somatizadas, até os recalques e individualidades
de ilações tácitas.
Quando
o pai está perto, acompanha com amor e referencial-postura,
tudo bem. Ajuda. Quando a mãe além do
amor dá um puxão de orelha (vá
lá, figura de linguagem que seja), o filho está
entre o experto e o provocativo, mas sabe quem é
quem. O pai é o pai, o professor é uma
mão na roda, a mãe é o ombro amigo,
o consolo. Quando há uma falha nesse império
de relações, na pirâmide formada
na cabeça do aluno, nesse flanco que entra a
probabilidade do descaminho, do dezelo íntimo,
do deslize. É preciso estar atento. Ser pai não
é só pôr no mundo, não é
o que diz a fala fácil de nosotros? Ser mãe
não é só amor e carinho-lastro,
tem toda uma sorte de cobrança com explicação,
medidas de sanção com noções
de aprendizados, manejos e estímulos. Jovem gosta
de ver o pátrio poder ser exercitado pra marca
de território e hierarquia. É próprio
da sua idade. Mas quando o pai finge uma coisa sendo
outra, ou faz uma coisa que não quer que o filhote
faça sem dar explicações aceitáveis
e eticamente plausíveis, a coisa fica feia.
Andemos
com esse jovem. Façamos o caminho dele. Escola
casa, clube cinema, shoping colega. Uma rede de fatos.
Um mosaico de acontecimentos o vão rodeando.
Tempos pós-modernos. A rua da amargura. O clube
e suas etiquetas. A internet e suas falcatruas. O sexo,
o álcool, a maconha. Tudo isso está bem
na cara do jovenzinho. Se ele mal dizer alô você,
e o vão estar servindo numa boa. Estamos num
mundo assim, não devemos fechar o olho, confiar
em Deus e pronto. Orar e vigiar. O jovem ali, bonachão,
bonitão. Esses são os seres a serem provocados,
predados. As flores mais bonitas são colhidas
primeiro. O pai tem que estar esperto, supervisionar,
fazer de conta que não está ali, estando.
Fazer de conta que não põe reparo, mas
estar mais em cima do que o Vampeta botinudo marcando
o Kaká com sua canela de vidro. É isso.
E a mãe de olho. Cheiros e sintomas. Intimidades,
com todo o respeito, de olho na mochila, sondando a
agenda, abrir-se em leque para o dialogo. Homossexualidade,
cocaína, pervertidos, prevaricações.
Farol ligado. Mãe que é mãe, solicita,
please, não manda. Mas pode e, se preciso manda
mesmo a acabou-se o que era doce. Jovem não deve
ter sempre tudo o que quer. Mas pode ter direitos e
conquistas. Ser levado a evoluir para ganhar espaços,
bens, viagens e serventias.
Voltemos
ao nosso quase rapaz. Corte de cabelo horrível,
calça em que cabem três dele, espinhas
no rosto, tênis sem cadarço (que falta
de imaginação), chulé, Coke, vídeo-game
(quando não vício-game), boas e más
companhias. O espetáculo da vida. Tudo um grande
circo-horror-show, entre o medo, o entretenimento e
o grau de receptividade. Cabeça, tronco e membro.
Alma, coração, receptáculo. Aproxima-se
a competitividade. No amor e na dor. Força e
forcas. Somar não é só uma conta.
Dividir não é só um verbo. Subtrair
pode ser por vários estados de necessidade. Ganhar
e perder. Como um livro caixa, sem glosa de afeto. Pai
presente. Mãe anjo. O jovem, claro, na sua, estocando,
tentando, sacando o flanco, o vão, a válvula
de escape. Sempre pinta uma. Nas piores horas, os piores
conflitos. Nos momentos de intimidade, a peleja do ser
consigo mesmo. Riscos e fugas. A arte é um bom
cabide de egos. Fora isso, a sensibilidade é
tentada a desafios radicais. Experimentar aquele comprimido
que energiza, pode ser um encalhe tácito contra
uma postura ao seu ver errada do pai mandão.
O pai ter que ser constante. Participar. De olho no
filhote, pro guri não ser um laranja, o que de
alguma forma, um dia ou outro acabamos sendo, em maior
ou menor grau de proporção e fatalidade.
Estamos nessa vida também para tomar chuva e
apanhar de vara de marmelo dos acidentes, as chamadas
coincidentes circunstâncias desfavoráveis.
Ser
jovem é uma bosta, diz-me um, repetindo o palavrão
do último cedê ótimo da Rita Lee
e seu muso-vítima. O jovem é inquieto.
Pega fácil. Faz amizade facilmente, na sua maioria.
Embarca em canoas furadas. Às vezes dá
com os burros nágua, mesmo tendo sentido diverso,
propósito bom, intuito salutar. Também,
se amar se aprende amando (Saravá Vinícius
de Morais), viver se aprende vivendo, escrever se aprende
escrevendo. E ser jovem se aprende mesmo sendo, aqui
e ali, aos trancos e barrancos, medida as proporções
do que se tem de casa, se traz de casa, se apanha na
escola, se acompanha fora dela, se enquadra, se entra
de gaiato num navio tipo as aparências enganam.
Nada do que foi será, cantou o Lulu Santos.
Como
estaria nosso jovem? A primeira balada. Mandou bem?
Cabeça cheia de idéias esquisitas. Walk-man.
Surf. Ao pensador, as batatas. Será que servir
o exército é uma fria? E esses ídolos
– como os nossos pais – errando e vendendo imagens e
arquétipos? Sociedade precisa de maluco-beleza.
Toda imagem entra no refluxo do inconsciente, ídolos
de barro, tapumes neurais, propaganda enganosa. Quem
é que pediu pra nascer? Quase todo jovem um dia
de impropério destila esse veneno vernacular.
Faz parte. Trocas. Senta aí, carinha, vamos levar
um lero? Que mina é aquela? Ta usando preservativo?
Que qué isso, companheiro. Aleluia, perdeu a
virgindade. Viajar sozinho? Posar fora? Meu Deus, estamos
ficando PAIS, a escola não é só
um depósito de rejeitos urbanos, não pedimos
demissão de sermos Seres & Humanos, e vai
por aí a árvore de groselha preta de técnicas
e aprendizados. Pais e filhos. Mano a mano.Tá
na fita. Sacou baby. Onde já se viu isso? Será
o impossível. Benza-Deus.
Pois
é. Não há arranjos sem flores.
Você vê flores no seu filho de tromba?.
E a sua Sandy passou das quantas. Isso. Árvores
crescem. Você está muito frondoso, ta na
hora de se dar um tempo, deixar seu júnior crescer
a árvore que ele vai ser no seu jardim de DNA
paredemeia. Sentiu firmeza? Aleluia Kid Abelha. Seja
um pai dez. pareça-se com um. Não é
só pôr no mundo e fui. É uma baita
responsabilidade. E agora, você vai jantar fora
só com o rapagão, viajar só com
sua filhona, curtir aquela balada do Skank, ou vai ficar
aí fumando feito um homem-chaminé, assistindo
tevê feito uma senzala-totem, largar tudo na mão
da patroa e deixar o caldo entornar, pra depois dizer
que não sabia, não viu, tava em impedimento
na hora crucial do jogo de cena?
Eu
por mim quero a minha parte em vivências. A vida
é um grande concerto de rock. Você vai
ser uma Janis Joplin só pra consumo próprio,
depois sumir da geografia da vida? Ou vai ser um paizão,
uma mãezona, ou, como disse o Arnaldo Antunes,
num neologismo bem sacado, em vez de ser Pai e Mãe,
ser um Pae ou Mai? Fique esperto, camarada. O mundo
é dos que pensam.
Tiau.
Tenho
aula agora. Giz, lousa e saliva. Morro de amor pela docência.
Adoro crianças e jovens. Sei lê-los. Cuide
bem de seu amor. |