Warlen
Fernandes Soares Marques
Pedagoga, especialista em Psicopedagogia, Mestre em Educação
pela PUC-Campinas.
Instituição: PUC-CAMPINAS (Grupo de Pesquisa/CNPQ)
E-mail: edlen@uol.com.br
Eis o momento! Começando nesta porta,
um longo e eterno caminho mergulha no
passado: atrás de nós está uma
eternidade!
Não será verdade que todos os que podem
andar
têm de já ter percorrido este caminho?
(F. Nietzsche)
Este texto se propõe a uma interlocução
com o leitor sobre a categoria tempo. Tempo vivido e cooptado
no fazer docente.
Vivemos em uma sociedade capitalista, frente a qual tudo
tem conotação financeira e econômica.
Nada daquilo que produzimos escapa a este olhar mercantil,
a esta visão mercadológica.
Assim, nos propusemos a entender ou suscitar questões
que nos faça questionar o tempo escolar.
A questão do tempo é bíblica "Há
tempo de plantar, há tempo de colher..." (ECLESIASTES).
Será este o nosso momento de colheita? Será
este o momento em que estamos colhendo enquanto educadores
as mazelas de um passado não muito distante onde
o embate entre a técnica e o político fazia-se
presente?
O trânsito da discussão passará pelo
viés do tempo curricular. Aquele que não
se esgota quando as nossas aulas terminam. PARA
CASA: O TEMPO DO PROFESSOR
A questão do tempo escolar mostrou-se fascinante
para mim quando comecei a ler "Crítica da
organização do trabalho de Didática"
(Luiz Carlos Freitas). O autor tece uma análise
que envolve e nos faz parar para refletirmos sobre a
questão tempo/espaço/escola.
Muito frequentemente vemos o nosso tempo reduzido, massacrado
por um currículo gradeado que sutilmente nos
empurra serviço para casa. Penso que talvez o
professor seja um destes poucos profissionais que levam
trabalho para casa sem se importar com isto.
Qual dos leitores sendo professor não, deixou
a ida ao cinema, a visita a um amigo, em função
de estar corrigindo provas ou trabalhos? Ou talvez fazendo
o seu Plano de Curso, o seu relatório?
Falo nisso com muita serenidade porque o livro acima
citado nos faz pensar que não dá para
pensar o trabalho pedagógico sem antes pensar
nas condições reais no qual ele se concretiza.
Evidentemente não dá para discutir a categoria
tempo sem entender que será através desta
categoria que fazemos a organização de
nosso trabalho. Dividimos o conteúdo, organizamos
as avaliações e seus diversos instrumentos
em torno de cinqüenta minutos ou mais. Será
neste tempo (hora/aula) e neste espaço (escola)
que estabelecemos relações de amizades,
diga-se de passagem, aligeirada às vezes... "A
gente conversa mais tarde, estou sem tempo..."
Não há como pensar em um Currículo
vivo sem considerar a formação total do
ser. Mas isto demanda tempo.
Veja-se o que nos diz CUNHA: "De fato, em seu trabalho
cotidiano os educadores deparam com problemas práticos
que demandam compreensão de questões de
fundo. (2004, p. 07)
Ler nas entrelinhas e deslocar o nosso olhar do ingênuo
para o crítico é um exercício necessário.
O tempo entendido como uma categoria a ser refletida
e estudada, incide na percepção de que
fazemos muito mais além do tempo real para o
qual somos contratos a atuar.
Não faço apologia ao trabalho docente
como mais-valia, na concepção marxista.
Mas reflito sobre o que nos permitimos e sobre o que
nos é cobrado formal e informalmente.
Finalizando...
Procurarei aprofundar minhas idéias ainda em
processo de gestação, e que delas surgam
outras e outras. Mas que fique a contribuição
para que o tempo possa ser debatido, dialogado e entendido,
mas, sobretudo respeitado.
Não pretendi aqui tecer elos com a questão
filosófica, antropológica ou política
que a questão permite. Busquei apenas levar um
pouco de minhas inquietações ao leitor.
Enfim, a atual conjuntura requer empreendimentos rápidos,
maduros, seguros, decisões a serem tomadas em
pouco tempo. Certamente para nós educadores,
esta questão perpassa por caminhos que nos farão
continuar esta discussão.
BIBLIOGRAFIA:
FREITAS, L. C. Crítica da organização
do trabalho pedagógico e da didática. Campinas:
Papirus, 1995.
GONÇALVES, E. P. (org). Currículo e contemporaneidade:
questões emergentes. Alínea: Campinas, SP,
2004. |