| ::. Pais
Incompetentes, Reflexos na Escola |
Poeta Professor Silas Correa Leite
Site pessoal: www.itarare.com.br/silas.htm
E-mail - poesilas@terra.com.br
Poeta
Prof. Silas Corrêa Leite, Educador, Jornalista,
Escritor Premiado De Itararé-SP
Membro da UBE-União Brasileira de Escritores
Educador da Rede Pública e Particular de Ensino.
Pós-graduado em Educação, Literatura,
Relações Raciais e Inteligência Emocional.
Autor do Romance Virtual de sucesso ELE ESTÁ NO
MEIO DE NÓS, no site: www.hotbook.com.br/rom01scl.htm
Para Danuza Leão
Tem
mulher que nasceu mesmo para ser Mãe, no mais
belo sentido da palavra que por si só já
é magna e representa muito. Basta ver não
apenas como trata os filhos, mas como trata os sobrinhos,
os irmãos, os pais, os amigos, os alunos, os
profissionais competentes, as pessoas em geral. É
a mãe de todos, a chamada mãe perfeita.
Tem
gente que trabalha, estuda, dirige, reclama, provoca
crises, ganha dinheiro, e o filho é só
mais um acessório em torno, no derredor, nasceu
para ser tudo – e poderosa, vitoriosa, vá lá
- menos mãe mesmo.
Pais
e filhos. Mães e Pais. Pai é tudo aquilo
entre herói e bandido, irmão e amigo,
sábio e referencial. Tem gente que nasceu pra
isso, de esquentar a chuquinha até trocar fraldas,
fazer papinhas, dar banho, cantar cantiga de ninar,
casos raros. A maioria não é assim, infelizmente.
O pai chega cansado do batente, machista e abrupto,
ou atende o filho carente com tantos perguntas e descobrimentos
pueris, ou lê o jornal; ou brinca de bola com
o júnior ou assiste o jogo do seu timão,
por aí. O filhote se acomoda e pronto, e, falando
sério, na melhor das hipóteses, claro,
vira Corinthiano também se o pai de uma forma
ou de outra é legal. Se não for, cedo
ou tarde o filho transgride, troca de time, vira a camisa.
Pra desgosto do pai com algum problema no ensinamento.
Porque não há kit básico de pai.
Amar
se aprende amando? Pois é, ser pai se aprende
sendo.
Segundo
Freud todos os nossos problemas na verdade derivam desse
momento, desse precioso tempo, do nosso próprio
lar. Pais e Filhos e as relações afetivas
circundantes. Tem gente que nasce para ser pai e sabe
sê-lo no amor e na sanção, sem perder
a ternura. Provê afetivamente e puxa a orelha,
coloca de castigo. Quem ama pune.
Tem
muita mãe pelaí que é mãe
por acidente, maldita falta de planejamento; o filho
é suportável, não para definitivamente
e diuturnamente amá-lo e sabê-lo, pensá-lo.
E cabe ao mundo (com tantos riscos) decifrá-lo,
maltratá-lo muito, corrigí-lo (ou não),
e é aí que mora o perigo.
É
na Escola que estoura a bomba-filho, para os outros,
claro. Professor professa a aula, passa o conteúdo
pragmático, tem que ter dom, missão, educação,
didática, essas coisas, mas ainda assim tem que
ser essencialmente profissional honesto e humano. Pois
– com esses pais incompetentes e filhos problemáticos
– o professor rebola para tentar ser (e não é
preparado para isso como desvio de função):
assistente social, enfermeiro, psicólogo, padre,
confidente, regulador de voltagens, sanador de falta
de peças de reposição afetiva e
vai por aí o problema nas relação
filho (enquanto ser humano) e sociedade-filho, grupo
social, aluno e o mundo que é cruel em erros
graves, não perdoa. Quem não se dá
bem com o filho, passa o problema para a escola?
E
você viu alguém que não se dá
bem com professor ter alguma coisa de sucesso na vida.
Muito difícil.
Sobra
pro professor, pra escola, até que, bem ou mal
corrigida a criança, o jovem, o mundo recepta-o
no primeiro emprego, no tranco do vestibular, na feroz
torcida-gangue, nas drogas, nos desvios sexuais ponhamos
assim, e perde todo mundo, perde a sociedade, perde
a educação propriamente dita, mas perdem
ainda mais os pais, se é que têm a exata
consciência disso pela incompetência que
nem sempre regulam bem ou que não têm estrutura
familiar e daí pra infração, pro
crime, pra balada com drogas e mesmo para a violência
é questão de espaço, meio, núcleo
de abandono, má companhia. E alguns pais mal-resolvidos
culpam a escola por tudo, culpam os professores. Esses
não nasceram para ser pais. Mas o pior é
que pensam que são. Precisam de tratamento, como
os filhos que herdaram males deles.
Será
que, só mesmo alguns pais ruins aí, que
não sacam que esses descaminhos surgiram em casa
e eles são culpados, portanto, devem pedir arrego
pro ego, pedir ajuda, correr atrás, buscar ajudas,
não simples e bobamente culpar a escola ou mesmo
o mestre que não foi quem gerou aquilo e tem
que tentar de alguma maneira insólita curar aquilo,
mais, pior, suportar aquilo? Essa é a questão.
Esse é o problema.
Mãe
chata, mal-amada, falsa, presunçosa, arrogante
– não somos todos seres humanos? – quando não
solteiras, viúvas, abandonadas (quem suporta
conviver com uma pessoa assim), tendo que segurar o
tranco da sobrevivência, às vezes esquecem
a ração diária de amor pelo filho,
e quando se tocam, está lá o júnior
dando graves problemas insuperáveis na escola,
dando bandeira na rua e suas associações
espúrias, quando a Coordenadoria Pedagógica
grita, tá lá a mãe só defendendo
o filho, não a verdade plena, como se fechando
as máscaras entre a resignação
e a incompetência, querendo culpar a escola, ou
cobrando que a escola suporte a aberração
que criou mas que não sacou o lance ainda. São
várias as vertentes.
Nunca
foi tão difícil para um professor, como
agora, tentar pelo conteúdo de uma matéria,
uma ciência, e na própria práxis
pedagógica, fazer um serviço que não
é dele, reeducar o adolescente que saiu mal-feito
enquanto Ser e enquanto Humanus de casa, por problemas
com os pais daninhos e incoerentes, e o aluno pensa,
imaturo que é, que pode soltar todo aquele inferno
íntimo, pessoal, na escola, numa convivência
em grupo. Azar do professor.
Pais
incompetentes, filhos infratores.
Os
pais brigam, são falsos, vivem crises em constrangimentos
sublimados e, bobos, descompromissados ou egoístas,
pensam que o filhinho ainda é inocente, puro,
não saca nada. Grande erro. Grave erro. Criança
saca logo e tudo. Pegam no ar. Sabe que o relacionamento
é de fachada, foi pro vinagre, ou que a mãe
é mandona e quizilenta, quando não mau
caráter achando que é o que não
é, ou que o pai apronta e vai por aí o
bolero dos casamentos em decadência. Sobra pra
cabeça do filho, que ali guarda uma mágoa,
e, claro, vai desatar o nó quando der chance
pro despojo.
Sobra
na escola. Pro professor. Os pais não têm
diálogos, não são transparentes,
e toma lá o professor a receber o filho com seus
estigmas e suas seqüelas. E muitos casos são
resolvidos aí, com alguma sorte, com algum zelo
e extrapolando a própria docência em si.
Noventa
por centro dos problemas na escola com alunos azedos,
é só sacar os pais. A cara de um e o problema-júnior
de outro. Pais que muito defendem os filhos errados,
infratores, tentam repassar a própria incompetência
que não assumem da má criação,
ou de falsas atitudes e referenciais insanos de meios
improbos. Pior, são eles que precisam de psicólogo;
serem amados, superar problemas de todos os tipos, procurar
um analista, para então, só depois disso,
gabaritados, pensarem em um planejamento familiar e
criar os filhotes com ética e alma cidadã.
Mas
não é assim que acontece. Muito pelo contrário,
infelizmente. Uma boa família, mesmo pobre, com
muito diálogo e amor, vai sim produzir bons filhos,
por conseqüência bons alunos, educados, pelo
menos. Muitas mães se acham as tais. Mesmo paradoxais
(parecem uma coisa que não são. São
uma coisa só de fachada), querem demonstrar que
educaram bem o filho (quando não educaram), quando
a escola aponta o grave problema, ameaçam burramente,
berram intransigentes e, são exatamente o que
os filhos fizeram refletindo espelhos: despreparadas.
E
pessoas despreparadas (ou desqualificadas enquanto cidadãs)
não deveriam gerar, pois acabam proliferando
neuras de seus núcleos de abandonos. A sociedade,
claro, colabora em muito com a situação-problema,
desde a crise moral, a impunidade, o consumismo, o desemprego
generalizado, a má formação do
clã, tudo isso interfere e piora. Mas os pais
devem buscar ajuda quando perdem o controle dos filhos.
Só que têm vergonha de buscar ajuda, como
se isso fosse um atestado de incompetência. Não
é por aí.
Nunca
vi falar que escola estraga aluno, de alguma maneira
que ele não pode ser recuperado, e sanado o eventual
problema de percurso em curto prazo. Mas pais e mães
incompetentes, são sim, os culpados pelos problemas
sociais irrecuperáveis dos filhos, aliás,
frutos, eles mesmos, os pais, de anteriores graves seqüelas
punitivas-educacionais de seus antepassados que eles
nunca souberam resolver definitivamente, então
desviam óticas, falem noções posturais,
e assim, por esses e outros motivos emergenciais produzem
filhos-problemas como resultantes-espelhos.
Pais
brilhantes, filhos extremamente humanos, cidadãos.
Educados, finos, polidos, mesmo que questionadores ou
críticos.
Pais
incompetentes? Tudo estoura na escola e depois, vá
lá, os pais incompetentes acabam por fim produzindo
filhos que depois de definitivamente perdidos, viram
marginalizados sociais. Quando fazia direito, fui fazer
uma pesquisa com marginais condenados numa casa de detenção.
Eram raros os casos que os sentenciados não tinham
que não fosse de origem familiar. Em nenhum caso
foi um profissional da educação o culpado
por uma vida pregressa de má resultante qualquer.
E
aí perde todo mundo, inclusive a escola e o país,
porque professor não foi feito para dar a educação
(caráter, sanção, estrutura) em si,
mas para lecionar com competência a matéria,
sendo ético e dinâmico, reger aulas gostosas
didaticamente, na sua docência que até tem
que ser sim ético-humanista mas não punitiva
ou corretiva, muito menos por incompetência de pais
despreparados para serem pais, ou que de alguma forma
mesmo que tácita pediram demissão de serem
pais e não assume essa má formação. |