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Para
onde estamos indo? Novos e Velhos caminhos da Educação... |
Thereza
Bordoni
Mestre em educação. Consultora do Projeto
Linha Direta. Diretora da A&B Consultoria e Desenvolvimento
e do site www.vaganaescola.com.br
. Palestrante.
Contato: tbordoni@vaganaescola.com.br.
(31) 91849405.
Na
última década muito foi discutido sobre
todas as vertentes de um processo educacional. Nomes,
teorias e autores, viraram moda, metodologia, um "bum"
educacional e passaram a fazer parte do discurso dos educadores,
apesar de a maioria apenas repetir aquilo que ouve, sem
saber realmente do que está falando ou qual a relação
com a sua vivência pedagógica. Com o avanço
da comunicação, o discurso pedagógico
ficou repleto de "termos" e conhecimento das
novas propostas, porém, percebo que falta o entendimento
significativo de todos estes novos caminhos da educação.
Um discurso se consolidou: "Formar o cidadão
critico e participativo". De norte a sul, este passou
a ser o lema dos educadores. Mas, afinal o que significa
isto? Como e baseado em que, o trabalho acontece?.
Julgo que nos próximos anos será o momento
de colocar em prática todos os estudos feitos até
então. É hora de unificar, o trabalho em
sala de aula e a teoria estudada. Para isto é preciso
que o educador aprofunde seu conhecimento, entenda e analise
as posturas educacionais que no decorrer dos anos passaram
a fazer parte do seu discurso. É preciso que o
educador seja capaz de relacionar a sua prática
diária à intencionalidade e para isto, o
estudo teórico pode ser um grande aliado.
Eis algumas idéias chaves que se apresentam mais
freqüentemente hoje na literatura pedagógica
e que nos auxiliam a entender as perspectivas atuais da
educação. Elas nos suscitam muitas interrogações
e podem nos abrir novos caminhos. Para melhor compreensão,
o quadro a seguir se propõe a relacionar idéias,
que fazem parte de nosso dia-a-dia nas escolas, ao estudo
realizado. Me limito a citar apenas alguns dos grandes
nomes e estudos que têm contribuído para
tantos avanços no processo educacional e peço
desculpas pela tentativa de traduzir o estudo e pesquisa,
às vezes de uma vida inteira, em apenas uma palavra
ou idéia chave. Cito os quais ainda, em minhas
andanças por este Brasil, percebo dúvidas
e superficialidade no conhecimento de suas obras. Seria
praticamente impossível citar todos estudiosos
e teóricos da educação. Minha intenção
é que este texto seja um sinalizador de busca,
para o aprofundamento da teoria e prática; um roteiro
para ajudar a traçar o mapa dos caminhos educacionais.
Dos nomes citados uns construíram teorias propriamente
ditas, outros aplicaram estudos e observações
diretamente no campo pedagógico, mas, sem dúvida,
todos foram estudiosos que deixaram marcas na educação.
|
PALAVRA/IDEIA
CHAVE |
TEORICO/AUTOR/PESQUISADOR |
|
Cognitivismo - construtivismo |
Jean
Piaget |
|
Curiosidade e "palavra geradora" |
Paulo
Freire |
| Níveis
alfabetização |
Emília
Ferreiro |
| Competências
e habilidades |
Philippe
Perrenoud |
| Tolerância |
Karl Jaspers |
|
Autogestão |
Celestin
Freinet, Michel Lobrot |
| Desordem
e teoria da complexidade |
Edgar Morin |
| Paixão |
Marilena Chauí |
| Ação
comunicativa |
Jürgen Habermas |
| Empatia |
Carl Rogers |
| Cuidado |
Leonardo Boff |
| Currículo
e contextualização |
Cezar
Coll |
| Projetos
e currículo |
Fernando
Hernández |
| Relação
teoria e pratica |
John
Dewey |
| Metodologia
e formação |
António
Nóvoa |
| Códigos
da Modernidade |
Bernardo
Toro |
| Imaginário
|
Gilbert
Durand e Cornelius Castoriadis |
| Zona
do desenvolvimento proximal |
Vygostsky |
|
Múltiplas Inteligências |
Gardner |
| Inteligência
Emocional |
D.
Goleman |
| Interdisciplinaridade |
Ivani Fazenda |
| Ecopedagogia
- Escola cidadã |
Moacyr
Gadoti |
| Letramento |
Magda Soares |
| Pratica
educativa |
Antonio
Zabala |
Estes
estudiosos e pesquisadores de várias áreas
do saber como a Psicologia, Biologia, Medicina, Filosofia,
Antropologia, Educação e outras, contribuíram
em muito para que a educação avançasse.
Poderia citar ainda: Rousseau, Pestallozzi, Froebel,
Ferrer, Dècroly, Makarenko, Ferrière,
Cousinet, Neill, Robin, Steiner, Montessori, Libâneo,
Teberosky, Demo, Gandin, Sacristan, Wallon, Lapierre,
Le Boulch, Santome, Levy, que entre outros que de alguma
forma, têm lugar no campo pedagógico. Lembrando
que ao examinarmos o pensamento e a obra dos educadores
ou pessoas não estritamente ligadas à
educação, mas cujas idéias refletiram
e exerceram influência na educação,
é de suma importância que levemos em conta
o tempo e o espaço em que viveram, as influências
que receberam e as que exercem até nossos dias.
Podemos
observar na analise das obras e nos estudos realizados
que os temas representam uma espécie de "sinal
dos tempos", isto é, apontam uma certa direção,
um caminho a seguir para uma pedagogia da unidade, no
conturbado cenário atual de várias tendências
educacionais.
Julgo
porém, que valeria a pena pincelar aqui o debate
de algumas tendências. Entre elas, usando a fala
de alguns autores, podemos destacar:
Educação
Crítica. Dialógica e Problematizadora.
Formadora de cidadania, dando consciência da responsabilidade
social e política do educando, onde o professor,
ao mesmo tempo que ensina, aprende com a riqueza cultural
que o aluno traz na sua bagagem de conhecimento prévio,
assim os temas escolhidos para estudo fazem interseção
com a realidade social vivida pelo aluno, através
de uma metodologia voltada para a relação
reflexão e ação, ou seja, para
a práxis (prática-teoria-prática):"
o aluno vem para a escola com sua experiência
de vida (a prática), recebe na escola o saber
elaborado ou erudito (a teoria) e ao voltar para sua
realidade tem uma nova prática, agora enriquecida
pela teoria "e a avaliação deixa
de analisar somente o aluno e procura avaliar também
o currículo, a escola e até o sistema
educacional. Como encarar o desafio de uma educação
sem discriminação étnica, cultural,
de gênero e solidária? É possível
dar sentido" as disciplinas e conteúdos
isolados, ainda trabalhados?
Transdisciplinaridade.
Indica uma nova tendência na educação,
que será preciso analisar. Transpor o currículo
e as áreas do saber acadêmico, fazendo
a interação interdisciplinar com a realidade.
Como construir interdisciplinarmente o projeto político-pedagógico
da escola? Como transformar o currículo fragmentado
em um currículo contextualizado e transinterdisciplinar?
Multiculturalismo.
Aproveitamento e valorização da cultura
local ou regional no ensino escolar, o chamado patrimônio
cultural da Humanidade. É a pluralidade de culturas
presente no currículo. Como relacionar multiculturalidade,
educação para todos e currículo?
Transversalidade.
Temas como ética, meio ambiente, saúde,
orientação sexual, trabalho e consumo
são incorporados nas áreas ou disciplinas
curriculares. Seria este um ponto para favorecer uma
aprendizagem significativa e significante?
Interdisciplinaridade.
Todas as disciplinas ou áreas de estudos e práticas
educativas trabalhando dentro de uma única área.
Como romper com a cultura do professor especialista?
Planetaridade(1)*. ""O planeta
é a minha casa e a Terra, o meu endereço.
Como posso viver bem numa casa mal arrumada, mal cheirosa,
poluída e doente? A Terra é um "novo
paradigma"' (Leonardo Boff). Que implicação
tem essa visão de mundo sobre a educação?
O que seria a ecopedagogia (Francisco Gutiérrez)
e uma ecoformação (Gaston Pineau)? O tema
da cidadania planetária pode ser discutido a
partir desta categoria. Podemos nos perguntar como Milton
Nascimento: "para que passaporte se fazemos parte
de uma única nação?". Que
conseqüências podemos tirar para alunos,
professores e currículos?
"...
grande parte da juventude sente uma intensa necessidade
de lutar por um futuro melhor para o homem; é
sobre este sentimento que deveria basear-se o programa
educativo", ..., "somente quando se aliar
a atividade pedagógica a uma atividade social
que vise evitar que a existência social do homem
esteja em contradição com sua essência
se alcançará uma formação
da juventude em que a vida e o ideal se unirão
de modo criador e dinâmico" (Suchodolski,
1991, p. 128-134).
Ecopedagogia*.
A pedagogia tradicional centrava-se na espiritualidade,
a pedagogia da escola nova na democracia e a tecnicista
na neutralidade científica. A ecopedagogia centra-se
na relação entre os sujeitos que aprendem
juntos "em comunhão" (Paulo Freire).
É sobre tudo uma pedagogia ética, uma
"ética universal do ser humano" (Freire,
1997: 19). "A ecopedagogia pretende desenvolver
um novo olhar sobre a educação, um olhar
global, uma nova maneira de ser e de estar no mundo,
um jeito de pensar a partir da vida cotidiana, que busca
sentido a cada momento, em cada ato, que" pensa
a prática "(Paulo Freire), em cada instante
de nossas vidas, evitando a burocratização
do olhar e do comportamento" (Moacir Gadotti).
Sustentabilidade*.
O desenvolvimento sustentável, mais do que um
conceito científico, é uma idéia-força,
uma idéia mobilizadora, nesse milênio,
sintetizada no lema "uma educação
sustentável para a sobrevivência do planeta",
difundido pelo Movimento da Carta da Terra na Perspectiva
da Educação e pela Ecopedagogia. O que
seria uma cultura da sustentabilidade?O que estamos
estudando nas escolas? Não estaremos construindo
uma ciência e uma cultura que servem para a degradação
e deterioração do planeta?
Virtualidade*.
Essa categoria implica toda a discussão atual
sobre a educação à distância
e o uso dos computadores nas escolas (Internet). Quais
as conseqüências para a educação,
para a escola, para a formação do professor
e para a aprendizagem? Como fica a escola diante da
pluralidade dos meios de comunicação?
Globalização*.
É uma categoria que deve ser enfocada sob vários
prismas. Para pensar a educação do futuro,
precisamos refletir sobre o processo de globalização
da economia, da cultura e das comunicações.
Isto
tudo nos direciona para uma "Alquimia do conhecimento":
que segundo Morais (1998) "é o currículo
pensado a partir de diferentes competências, ou
seja, do cognitivo para o relacional, incluindo a parte
emocional e o afetivo". O cotidiano e o ensino
fundem-se num todo.
Em
todos estes nomes, idéias, tendências e
nestes caminhos educacionais podemos perceber o direcionamento
que parece anunciar a configuração de
uma nova visão de escola, de currículo,
de educador e de educação. Onde se considera
a pessoa concreta, inserida na sua realidade e capaz
de traçar junto com a escola, o seu caminho.
Cabe a nos educadores aprofundarmos nossos conhecimentos
para fazer dos vários caminhos uma única
rota rumo à formação do verdadeiro
cidadão critico, participativo e solidário.
Vamos
continuar estudando, buscando, pesquisando e principalmente
pensando a nossa prática pois... "a prática
de pensar a prática é a melhor maneira
de pensar certo ( Paulo Freire)"
REFERÊNCIAS
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caminhando. Petrópolis, Vozes, 2000
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o novo liberalismo econômico. 2. ed. Rio de Janeiro:
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Texto.
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Paulo: Cortez. 1995
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Paulo: INSTITUTO PAULO FREIRE. 1996
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GUTIÉRREZ, Francisco e Daniel Prieto. A mediação
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Porto: Afrontamento, 1999.
SUCHODOLSKI, Bogdan. A pedagogia e as grandes correntes
filosóficas. Lisboa: Livros Horizonte, 1991.
UNESCO Educação para um futuro sustentável:
uma visão transdisciplinar para ações
compartilhadas (Brasília: IBAMA) Conferência
Internacional sobre "Meio Ambiente e Sociedade: Educação
e conscientização pública para a
sustentabilidade". 1999
(1) Partes do texto de Moacir Gadotti:
A Pedagogia da Terra: Ecopedagogia e educação
sustentável. |