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::. Policiais vão às escolas e ensinam crianças a se manterem longe das drogas
Polícia Militar do Estado de Sergipe
Rua Itabaiana, 336 - Centro - Tel: (0xx79) 211-1158 - Aracaju - Sergipe
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Já se tornou uma cena comum e muito pouco agradável, principalmente em escolas da rede pública das grandes capitais, a inserção do comércio e consumo de drogas entre crianças e adolescentes. Uma ação criminosa que ganha corpo provoca crimes entre os próprios alunos e desafia o trabalho dos órgãos que têm como responsabilidade evitar este comércio paradoxal, ao mesmo tempo tão sutil e flagrante.

O Proerd (Programa Educacional de Resistência às drogas e a violência) chega para suprir necessidades onde a ação ostensiva da Polícia Militar não consegue ser eficiente no combate imediato as drogas, em uma sociedade onde a curiosidade de crianças e adolescentes impera. A PM sentiu a necessidade de inserir-se no próprio universo do aluno, a sala de aula, e fazer valer uma frase bastante conhecida entre a garotada: "Drogas? Estou fora".

O Programa é um esforço cooperativo entre Polícia Militar, escola e família, que tem como público principal crianças de 9 a 12 anos que cursam da 4ª à 6ª série do ensino fundamental. É uma filosofia pedagógica que se aproxima do objetivo principal da Polícia Comunitária: aproximar o público alvo dos policiais a fim de trabalhar o policiamento preventivo. "Não se evita a violência e o consumo de drogas apenas com o policiamento ostensivo nas ruas da cidade e nas portas dos colégios, com viaturas modernas e armas potentes. Pode também ser realizado preventivamente, com um giz, uma cartilha e bastante criatividade e senso de humor elevado", garante uma das coordenadoras do projeto, major Dielle Viana.

Os Policiais Militares instrutores, ensinam a desenvolver a auto-estima, a capacidade de lidar com o estresse, conflitos, tensões, noções de cidadania, respeito e diversas habilidades de comunicação.

Estimativa do Proerd mostra que 80% dos crimes urbanos cometidos no Brasil possuem ligação com o consumo exagerado de entorpecentes.Em virtude disso, o trabalho preventivo em Sergipe cresce gradativamente. Em 2003, somente em Aracaju, 2755 alunos dos ensinos público e privado foram contemplados com as aulas dos policiais militares. No segundo semestre, os instrutores do Proerd chegaram em municípios do interior do Estado, a exemplo de Boquim (138 alunos), Itabaiana (544), Laranjeiras (267), Nossa Senhora do Socorro (443), Própria (203) e São Cristóvão (291). Até agora, 4911 alunos de todo o Estado receberam as instruções dos policiais. Em breve, de acordo com a coordenadoria do Proerd, os alunos de Gararu, Barra dos Coqueiros, Propriá e Cristinápolis também contarão com o programa.

Para o desenvolvimento do projeto são necessários apenas quatro pré-requisitos: interesse da rede de ensino, material didático (cartilhas, crachás, caixinha de perguntas), autorização dos pais e agendamento das aulas. No caso do Policial Monitor, não pode beber nem fumar, e a conduta moral têm que ser exemplar. Como a Soldado Hunalane, estudante de economia da UFS que após fazer o curso de monitora, dá aulas a crianças da Escola Carvalho Neto.

A secretária municipal da Educação de Aracaju, Rosângela Santana acredita que um dos problemas que mais afetam e preocupam os professores são as drogas, que acabam gerando violência no espaço escolar. "É um problema muito sério que afeta o próprio aluno em seu desenvolvimento escolar, a família, os professores e gera conflitos em curto prazo para a sociedade", garante a secretária.

Para a garotada, o Proerd é muito mais que uma instrução em sala de aula, mas um exemplo de vida. "Os policiais me ensinam a eu não deixar me influenciar pelas pessoas que querem que eu consuma drogas", diz o estudante da Escola Carvalho Neto, localizada no Bairro América, Manoel Vítor, 14 anos.Quando perguntado qual a sensação de receber aulas de um policial fardado ele é enfático. "No inicio foi difícil, mas, hoje me sinto muito bem. Já vi meninos usando drogas, vou tentar passar o que eu aprendi aos meus amigos", declara Manoel Vítor. Já para Marcela Renilda dos Santos, aluna do colégio Tancredo Neves, há muito não se divertia tanto em sala de aula. Os policiais desenvolvem atividades como teatro, poesia, música, dança, jogral, a fim de destacar o grau de envolvimento da criança com o aprendizado.

Os professores do ensino fundamental acreditam que as aulas são providenciais para a formação das crianças. "O objetivo das escolas é dar continuidade ao trabalho desenvolvido pelos policiais militares", disse a professora da 4ª série, Sandra Augusta de Oliveira Lobo, ressaltando que a metodologia usada pelo monitor é muito eficiente, dinâmica e envolve os alunos de tal maneira que eles não se sentem constrangidos com a presença do policial fardado. "O engraçado é que cai por terra o estereótipo que nós temos sobre a atividade policial", garante a professora.

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