|
|
Poeta
Professor Silas Correa Leite
Site
pessoal: www.itarare.com.br/silas.htm
E-mail - poesilas@terra.com.br
Por que estudar? Vamos morrer mesmo. Tem tanta gente burrinha
da silva que é cheia da grana. Tem tanta gente
que mal sabe garatujar o próprio nome e tem tantas
posses e influências no status quo. Tem tanto artista
gaiato e manequim brega que mal fala "a gente fumo..."
e sai na Caras ou rebola no Gugu, quando não, alguma
Maria Chuteira que casa com um inocente Vampeta da vida,
depois vai no Programa do Ratinho pedir DNA e exigir pensão?
Por que estudar, afinal?
Meu pai dizia, na sua santa sabedoria caseira que me fez
muito melhor do que tantos ditames de academias e enciclopédias:
Da Vida só levamos, o Amor e o Conhecimento. Depois,
falando sério, ninguém fica muito rico depressa
impunemente, já dizia o Mestre-Mor Millôr
Fernandes...
Por que Estudar? Para nos treinarmos nas sabedorias dos
milhares de livros, executarmos a tal teoria versus praxis
e, assim, com a nossa bagagem, o nosso meio, o nosso modus
vivendi, nos lapidarmos e, é claro, também
nos habilitarmos profissionalmente, abrindo escadas para
o alto e alguma necessária evolução
social que também abrigue o próprio clã...
Não nascemos analfabetos? Pois é. Aprendemos
no meio - Freud disse que somos realmente tudo o que daí
temos e somamos - depois trocamos figurinhas com os colegas
de infância, os amigos e inimigos do meio, os parentes
bons e ruins, até os que são serpentes,
daí temos os chamados Referenciais, observando,
aprendendo sempre com erros de terceiros, avaliando atitudes
e comportamentos, medindo vivências, pragmatismos
e as posturas de nosso bairro, nossa cidade, nosso mundão
sem porteira....
Tudo é mesmo um eterno e santo aprendizado. A Escola
é apenas um regrado espaço de conhecimento
que tem normas, aonde teremos direitos & deveres,
e aonde convivemos com o diferente de nós, com
os livros clássicos, com mensagens às vezes
seculares com o Mito da Caverna de Platão, ou as
bússolas e velas de grandes navegadores aventureiros,
além dos interessantes e curiosos riscos da história
de vencedores e vencidos, as conquistas da matemática,
a evolução da ciência, a descoberta
de gelo em Marte, o poder da imprensa (Quarto Poder) tudo
isso numa soma - os meios de comunicação
formam cabeças pensantes (ou buchas de canhão
da mídia) - e assim, cidadãos, esclarecidos,
civilizados, conscientes, vamo-nos a crescer com diplomas,
cursos, avaliações, concursos, progressos,
leituras (jornais todo santo dia), daí sim, ganhando
mais, sendo promovidos, reconhecidos em nosso meio profissional,
a partir de então finalmente colhendo lucros &
frutos, conquistas, sucesso, felicidade, mas, sempre,
ESTUDANDO.
A vida é um exercício de libertação
pelo Estudo. A revisitada imagem do pai. A pedagogia magistral
do exemplo de nossa angélica mãe. Aquele
artista, aquele jogador, aquele político, aquele
repórter, aquele jornalista, todos, afinal, têm
uma vida inteira para contar, como eu que fiz a minha
própria vida pelas minhas próprias mãos
e pés, baseado na famosa canção My
Way, pois fiz o meu caminho, a minha estrada, do meu jeito,
com sangue, suor e lágrimas. E, claro, com tantos
estudos, cursos, currículo, um rato de sebo, um
amante de jornais. Adoro ler e escrever. Em suma: Estudar!
Brinco com meus queridos alunos-filhos, que agradecido
beijo todo santo dia meu calo no dedo de tanto escrever,
pois foi ele que me deu tudo o que tenho. E há
ainda o "calo" de tanto ler (a vista cada vez
mais fraca), mais os cabelos ralos de tanto "pensar"
o "LER" e finalmente, com isso, ter opinião
própria, sacando lances e momentos, procurando
ser esclarecido, ser politizado, ter consciência
do que eventualmente nos dopa a mídia atrelada,
nos veicula o meio nem tanto ético como deveria,
mas que nos açoda o ânimo exaltado numa violência
banal, numa inversão de valores, num consumismo
hipócrita, numa invasão infame, num ataque
de hitlerismo quando um ou outro se valora por intermédio
da força bélica, do poder da grana, da arma
louca, quando sou - como também o era nos gloriosos
Anos 60 - um poeta do Amor e Flor, do Amor e Paz, ou seja,
um consciente ser humano sem fronteira, que também
como poeta, parafraseando Drumond, carrega o mundo nas
costas...
Estudamos para saber falar direito. Para não ficar
com a turma abobada discutindo novela, Big Brother (credo),
Gugu, Faustão, Hebe, João Kleber, Sérgio
Malandro, Mion, ou a vida sexual de um e outro famoso
de ocasião. Estudamos para avaliar a imprensa,
o presidente, o síndico, o vigia-noturno, o patrão,
o educador, a sociedade, a justiça tão injusta
e conivente com o chamado Quinto Poder, a violência
banalizada. Somos reféns da mídia ou estudamos
para avaliar melhor o que cai sobre nós todo santo
dia, com um monte de informações, algumas
querendo fazer nossas cabeças (muitas já
lavadas)? Sim, devemos pensar reações educadas,
tomar atitudes dignas, berrar pelos cotovelos, pelo menos
quando necessário e nos dizer respeito, delatar,
criticar, dar codinome aos bois...
Sim, baby, estudamos para não ser usados. Estudamos
para refletir. Estudamos para ter um eixo norteador, "sentidor",
criativo. Estudamos para tornar fácil o difícil.
Estudamos para termos ferramentas hábeis e podermos
então realizar os nossos impossíveis sonhos
pessoais, a nossa Lenda. Estudamos para sabermos melhor
perdoar o irmão imprudente. Estudamos para sentirmos
o valor dos pais vividos. Estudamos para ter como auferir
o tamanho da amizade ou compreender o pontapé inicial
do amor. Estudamos para não sermos coiós
e nem fazermos parte da chamada Banda dos Contentes...
Estudamos por isso. Todos são iguais. Eu estudo
muito porque quero ser muito. E sei, então, depois
de bem inteirado numa visão apurada de 360 graus,
que nem todos são iguais. Uns são mais iguais
que os outros, como diz aquela balada meio rock. Qual
a diferença, cara pálida? Estude e verás...
Há um Deus. E há os que pensam...
Eu estudo tudo de tudo. Adoro ler de gibis a almanaques,
de jornais a revistas, de livros a enciclopédias,
de dicionários a livretos de causos, da Bíblia
a Platão, do gibi velho do Tex a poemas de Neruda.
Da magna Constituição à bula de remédio
genérico. Dos olhos de minha musa inspiradora ao
prelúdio de Itararé. Acreditam nisso?.
Uma vez perguntaram por que eu estudava tanto, e eu, grosso
modo, mas de imediato e na bucha, sendo verdadeiro e direto,
respondi que estudava para não ser burro. Meu finado
pai, à beira do Rio Itararé, me vendo sempre
com um livrinho, um caderninho, uma revistinha na mão,
um jornal amelado, me achando um precoce entojado a ter
posturas e cobrar coisas, reclamava que eu lia muito,
escrevia muito, falava muito. E eu sentindo que deveria
mesmo viver intensamente e muito, brincava que ainda iria
viver de falar e escrever. E ganhar dinheiro com isso.
E vivo disso. Acredite, se quiser.
-Professor - Ai a pidoncha da Maria Cebola de novo! -
por quê o sr tasca tanta matéria assim? Por
que o sr não enrola um pouquinho, senta, descansa
um pouco, ouve walk-man, chupa um drops? Por quê
o sr tem direto esse faniquito de dar o conteúdo
inteiro, explicar "da hora", passar questionário
cabeludo, dar lição de casa? Nós
adoramos o sr mas o sr dá muita coisa...
-Eu quero que você seja muito, Kharol. Esse é
o melhor momento de sua vida inteira. Viva intensamente.
Não passe em brancas nuvens pela vida. Aprenda
a lição da difícil Viagem de EXITIR.
Você precisa. Você tem talento, é viva,
tem energia mal conduzida, tem origem humilde, tem necessidade
de ser gente, brilhar, não para morrer de fome
ou frustrada. E depois, filhinha, seus pais pagam impostos,
por tabela, eu sou a empregada doméstica deles,
tentando fazer você crescer, evoluir, produzir conhecimento.
-...Assim, como você "colar" significa
de certa forma um jeito triste de estar treinando para
ser malandra, roubando seu amigo e montando seu teatro
de absurdos, se eu por acaso enrolar as aulas vou estar
roubando seus pais, o governo... E se eu não for
correto, justo, como quero querer que o outro seja? Como
posso cobrar dignidade? E depois, estou aqui passando
um pouco do que eu sei, um pouco do que você vai
precisar, te estendendo a mão, dizendo "Vamos,
venha comigo para o futuro!". Você quer ir?
Você vem? Ou você quer que eu mande um gentil
recadinho pra sua mamãe me autorizar a, todo santo
dia de pagamento, só vir receber o minguado holerite-cebola,
não passar nada, não dar nada, não
explicar nada, não ensinar nada, tornando você
uma igual, uma comum, uma pessoa fácil de ser conduzida
no redil dos infelizes?
-Confesse, querida Maria Cebola, confesse: na sua casa
alguém diz coma, apague a luz, desligue o rádio,
entre, vá dormir, estude, leia, abaixe a televisão,
tome o xarope, tome banho, corte as unhas, quem é
a mandona em casa, a pessoa mais adorável, o anjo
de sua vida, que se preocupa com você, que repara
em você, que morre e brilha para que você
seja vencedora? Pense nisso, filhinha... Aqui sou eu quem
continua nessa mesma toleima...
-Pois é, Baby, depois de seus pais, acho que o
Professor pode ser a pessoa mais importante em sua vida.
Para quem precisa, só há três saídas:
Estudar, Estudar, Estudar! A escola é um lugar
sagrado como a sua casa ou a sua igreja. É uma
escada para cima, um salto para o alto. Ou não.
Depende de você. Qual é a sua opção?
Você decide. Antes que seja tarde demais. A vida
não dá outra chance. Essa dimensão,
não tem retorno...
-...Todo grande homem da humanidade, teve um professor
em seu caminho. Vocês serão os roqueiros,
os deputados, os encanadores, os poetas, os desenhistas,
os astronautas, os comerciantes, os vencedores do futuro.
Ou não? Os catadores de latinha de cerveja? O que
é que você vai fazer disso? De sua vida?
De seu conhecimento? (Da vida só levamos o Amor,
e o Conhecimento).
-Noooooossa, "Profe", o sr foi fundo agora,
hein? -Claro, baby, adoro você e quero você
brilhando um dia, dando orgulho pros seus pais, ajudando
seus entes queridos carecidos, sempre meiga, ativa, brilhante,
canalizando essa vontade, essa falácia, essa energia,
pro seu bem, pro bem de seu país e de seu mundo...
E tudo isso via Estudo, por intermédio da escola,
desse lugar, desse estágio. Posso confiar?
-Professor, quando eu crescer, quero ser igualzinha ao
sr. (Não desejo isso a ninguém). -Tá
bom, Maria Cebola, faça o exercício. Qualquer
dúvida, "Disque Silas", cobre, fale comigo.
Os olhos dela tinham coisas brilhantes que numa metáfora
ou neologismo eu diria que eram perolágrimas...
Vai saber.
Tenho recebido cartas de ex-alunos e ex-alunas. Tem um
monte de Silas André, Silas Cícero, Silas
Maria, Silas Thiago, normalmente um Silas com um outro
nome de santo. Como o meu que é grego e quer dizer
Considerado, e que era um personagem bíblico parceiro
de Paulo de Tarso, depois de cego e finalmente convertido.
Chego em casa com o senso do dever cumprido. É
claro que, volta e meia, um problema, os pais são
convocados. E muitas vezes ouvi: -Ele brigou com o sr,
mas adora o sr. Diz que o sr fala a linguagem deles...
Ou, os pais se identificam comigo e sentem que sou, sem
querer ou não, o olho vivo deles na filha ou no
filho em sala de aula, fora do contexto do lar. E os filhos
falam muito, discutem, cobram, mais exigem do que se doam,
mais querem direitos do que fazem os devidos deveres.
E eu estou ali cobrador, ombro amigo, referencial, amistoso,
para brincar e exigir, para sentar com eles e produzir,
formá-los. Não repeti-los, jamais.
Não sei se sou um bom professor, ou "Profe"
como eles dizem. Mas tento torná-los cidadãos.
E quero que escrevam bem. Cobro muito isso. Racionem,
peço, didático. Reflitam, ensino, pondero.
Escrevem, dou dicas. Dou bagagem. Dou noções.
Dou exemplos. E tenho consciência do referencial
que sou, que preciso ser, sempre com ética e visando
uma visão plural-comunitária, num futuro
humanismo de resultados. Às vezes acerto. Às
vezes erro, claro. Sou formador de opiniões, mesmo
quando canto um RAP meu, crítico. Não vou
mudar o mundo. Mas, posso tentar? Eles são meus
canteiros. Eu sou sou só mais um que eles terão
pela frente, pelo caminho, na encruzilhada da vida.
Como na canção de Lennon, espero não
estar só. E não estou só. Nunca estarei.
E espero que eles não se percam pelo caminho. Mas,
confesso, se sou um Sonhador, planto sonhos no coração
deles. Ensino manejos. Técnicas, estilos, partilhas.
Talvez alguma semente fique, dê frutos, valha a
pena. Se valeu a pena, então Estudarão.
E terão alguma coisa do que se orgulhar um dia.
E dirão que tiveram um tiofessor que os alumiou,
como se diz lá na Estância Boêmia de
Itararé. Afinal, não somos todos Anchietas?
Pois é.
-0-
Poeta Prof. Silas Corrêa Leite - www.itarare.com.br/silas.htm
E-mail: poesilas@terra.com.br
Autor do livro virtual (e-book) ELE ESTÁ NO MEIO
DE NÓS (Romance Místico) no site: www.hotbook.com.br/rom01scl.htm
O autor é de Itararé-SP, membro da UBE-União
Brasileira de Escritores, pós-graduado em Educação
(Mackenzie), Inteligência Emocional, Relações
Raciais, Jornalismo e Literatura pela USP, e Diretor do
Elos Clube de Itararé/Comunidade Lusíada
Internacional
(Texto da Série "Inventários e Partilhas,
Prática
Educacional Vivenciada" (livro inédito do
autor) |
|
|