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Pseudo-poder
/ pseudo-Educador |
Zuleide Blanco Rodrigues
Graduada em Pedagogia (PUC-SP), pós-graduada em
Educação (PUC-SP) e leciona no Colégio
FMU.
E-mail: zuleide.blanco@bol.com.br
O Prof. Dr. Julio Groppa Aquino, em entrevista ao jornal
Folha de São Paulo, caderno Equilíbrio,
de 17/08/2000, sob o título "Tratamos as
crianças com muita truculência", quando
perguntado sobre o que os alunos querem?, responde prontamente:
"...Numa palavra só? Professores. Professores
que saibam , que tenham o domínio no seu campo
de conhecimento, que tenham o domínio metodológico.
Mas, fundamentalmente, que tenham generosidade nos seus
atos. A gente trata as crianças com muita truculência.
Não somos generosos com eles no sentido de acolhê-las.
Todas as questões que as crianças trazem
para a escola são tomadas como desvio, como anomalia,
como disfunção."
Muito bem, deste parágrafo enfático no
trato às crianças, retiro a frase - "Mas,
fundamentalmente, que tenham generosidade nos seus atos."
- para tentar explicar a mim mesma, porque uma professora
coloca uma criança de sete anos, atrás
da porta da classe, de "castigo", para "pensar"
em suas atitudes. Penso que melhor seria inverter as
posições, colocando esta pseudo-educadora
a pensar, muito severamente, em como age com as crianças
que estão sob sua tutela no período das
aulas e, muito mais que ensinar, refletir sobre sua
tarefa de dar proteção e zelar pelo bem-estar
dessas crianças.
Esta postura protecionista encontra-se na Lei 8.069,
de 13/07/1990, que dispõe sobre o Estatuto da
Criança e do Adolescente, no Art. 5º - "Nenhuma
criança ou adolescente será objeto de
qualquer forma de negligência, discriminação,
exploração, violência, crueldade
e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado,
por ação ou omissão, aos seus direitos
fundamentais.". Pois é, "professora",
a lei está aí, basta, pedir que se cumpra.
Indignação, vergonha, tristeza, nem mesmo
sei como definir meu sentimento em relação
a esse fato, acontecido em Nova Odessa (126 Km a noroeste
de São Paulo), relatado pelo Jornal Folha de
São Paulo em 17/11/2004, onde "de castigo,
aluno é esquecido atrás da porta".
Voltando ao Prof. Julio, o que o aluno (criança
ou jovem) espera de um professor, além do estudo,
é carinho, generosidade, afeto. A criança
sente, até mesmo no olhar do professor, qualquer
manifestação de desagrado, e quando a
ação é carregada de crueldade então,
o quadro se torna muito mais grave. Note-se que os efeitos
não se fazem sentir somente na pessoa agredida,
mas em todo o restante da classe, que se intimida, se
introspecta, e pode-se-lhes aflorar tanto a timidez,
quanto a violência na mesma medida. Portanto,
fatos como estes, são extremamente lamentáveis
e deturpam todo trabalho reflexivo que tem sido feito,
por pessoas conscientes de seu dever enquanto educadores,
sobre as questões de insatisfação,
desinteresse, falta de estímulo e, infelicidade
dos alunos, em suas escolas.
Pessoas como esta professora, que extrapolam os limites
de senso ético, fraterno e de justiça
devem ser banidas do meio educacional, pois que dificilmente
farão brotar frutos saudáveis, "a
árvore quando não dá fruto será
cortada e a que dá, ainda que pouco, será
podada e tratada, e cada vez mais frutificará".
O que a sociedade precisa é de cidadãos
saudáveis, bem educados, felizes e prósperos,
que façam por seu país o mesmo que lhes
é atribuído durante seu desenvolvimento.
Pseudo-poder / pseudo-educador - a ninguém é
dado o poder de gerar a infelicidade do outro, a ninguém,
que não seja educador é dado o direito
de ser chamado de Educador.
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