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Qual
o nosso propósito? |
Thereza
Bordoni
Mestre em educação. Consultora
do Projeto Linha Direta. Diretora da A&B Consultoria
e Desenvolvimento e do site www.vaganaescola.com.br.
Palestrante. Contato: tbordoni@vaganaescola.com.br
.
Fone: (31) 91849405.
"Nem
as medidas de reestruturação (descentralização,
concentração, etc.), nem as medidas de
intensificação (formação
continuada, revisão curricular, etc.), sozinhas,
conseguem operar nos atores escolares as mudanças
de paradigmas indispensáveis para desenvolver
outra concepção de aprendizagem, mais
interativa, construtivista, capaz de envolver os alunos
no desenvolvimento das competências indispensáveis
para enfrentar o complexo mundo futuro".WOODS et
al. 1997
O
complexo mundo futuro já chegou, é agora.
A realidade evolui e nós precisamos e podemos
intervir nesta evolução. Temos consciência
do ambiente de competição no qual vivemos
e já fizemos a leitura do cenário macro
em que a educação está inserida.
Fruto de um mercado globalizado, de uma ampla evolução
tecnológica, de um processo de estabilização
econômica e de uma enxurrada de informações
difundidas. Cenário este também de rápidas
mudanças.
Este novo mundo nos exige a construção
de novas habilidades para novas competências.
Sabemos que neste complexo mundo novo arrisca-se mais,
é preciso ter maior capacidade de adaptação,
alianças podem ser decisivas e antes de ter um
bom projeto é necessário ter uma boa estratégia.
E
a escola, como se adaptou a este cenário atual?
O que mudou no estilo de gestão e direção,
na capacitação dos professores, no contexto
no qual o corpo docente é chamado a funcionar
(a organização dos horários e do
espaço, a distribuição dos alunos,
os procedimentos de agrupamento e de promoção,
a forma de certificação etc.)?
Antes
de buscar as respostas é necessário que
a Escola dê a devida importância às
perguntas (que nos fazem olhar para frente e ao mesmo
tempo buscar referências no que já é
conhecido). A primeira pergunta, nos proporciona um
duplo olhar, ao passado e ao presente e este é
o dilema básico da educação no
mundo, porque coloca em confronto o avanço social
e a interação com a escola. Para interagir
positivamente, com tantos elementos convergentes é
preciso, que a Instituição tenha profundo
conhecimento de suas raízes, sua filosofia e
sua missão; A partir da análise de sua
história, resgatando o passado, fazendo o presente
e planejando o futuro, pautada em suas conquistas, necessidades
e planos. Seus princípios norteadores são
a sua "identidade" perante a sociedade e devem
ser também o ponto de diferenciação
neste conturbado cenário atual.
Manter-se
fiel aos seus princípios e utilizá-los
como uma estratégia de diferenciação,
não significa que não devemos romper com
paradigmas, propor e buscar inovações.
Não dá mais para separar o local do global,
afinal a escola não é uma "ilha da
fantasia", ela é um reflexo da sociedade.
Na
analise das questões e na busca pelas respostas,
o primeiro ponto que precisamos rever é a importância
do professor. É urgente revalorizar a docência.
Todos os atores do processo educacional têm importância
única e fundamental. Porém, o professor
faz toda a diferença. Quando este ator assume
o seu papel no palco da sala de aula (e fecha a porta),
ele é o dono da cena!
O sucesso da Escola depende enormemente do professor.
A
escola deve investir agressivamente no processo de seleção,
capacitação e certificação
dos professores.
Aos
gestores, cabe lembrar:
1. O professor faz a Escola, mas quem faz o professor
é o líder. "O exemplo arrasta"
2. Avalie 2 vezes, contrate uma;
3. Ofereça uma visão realista do trabalho;
4. Selecione criteriosamente sua equipe pedagógica;
5. Invista em treinamento;
6. Construa um clima de confiança Institucional;
7. Livre-se do que não é necessário;
8. Certifique a qualidade de seus profissionais (o ensino
público já começou).
O
segundo ponto é sair da área do "achismo",
das impressões ou convicções firmadas:
"eu acho que eu tenho isto.." "... mas
meu aluno acha que..."Cuidado com as falsas pistas,
os falsos diagnósticos e as falsas terapias...
A educação é um setor singular,
com características específicas, mas é
também um setor de prestação de
serviços, que como todos os outros precisa atender
as demandas da sociedade. Precisamos trabalhar pautados
também em fatos e dados, determinando um modelo
gerencial específico para a área de serviços
educacionais.
Todo
educador tem uma noção do que os pais
e alunos valorizam em uma escola. Esta noção
deve ser formalizada através de instrumentos
e questionamentos direcionados. A escola precisa aprender
a utilizar as suas informações internas
e também os dados externos de pesquisas e estudos,
elaborados por diversos organismos. Como por exemplo
um estudo recente sobre Evaluation and Academic Performance,
aponta como ponto comum para toda comunidade escolar,
sociedade e Instituições o Desempenho
Escolar, como fator de sucesso da Escola. Isto comprova
o que já sabemos no popular: Há aprendizagem
perceptível = existem alunos para esta instituição,
ou seja, os alunos e pais procuram as escolas que têm
melhor rendimento acadêmico. Isto nos remete ao
primeiro ponto e confirma a importância do professor
e de sua certificação de qualidade didático-pedagógica.
Conseqüentemente
estes dois pontos, nos levam ao terceiro, que nos impulsiona
a uma nova pergunta: Mas qual o propósito da
"nossa" escola?
De
certo modo, nós educadores que vivemos dentro
da escola, e somos com freqüência levados
a responder ao urgente, abrindo mão do importante,
perdemos o ângulo de visão e o senso crítico
e acabamos por crer que o que se exige são apenas
pequenos ajustes aqui e ali, melhores livros didáticos,
aparelhos de televisão e DVD em cada sala de
aula, datashow e um moderno laboratório de informática.
E deixamos de agir no foco, é o modelo/paradigma,
que está errado. O grande problema da maioria
das escolas, não é a infra-estrutura tecnológica,
assim como o dos professores, não é o
domínio do conteúdo de sua matéria
e sim o conhecimento de mundo, o comprometimento e a
paixão para formar cidadãos responsáveis.
Quem não se lembra daquele filme, em que o professor
rompe com o modelo/paradigma mandando os alunos rasgarem
seus livros didáticos, saírem da sala
de aula e irem para fora da escola, para aprender poesia.
Na escola vivemos, muitas vezes sem perceber, complicando
as coisas, preocupados com "mega-investimentos,
mega-eventos, mega-projetos" e nos esquecemos de
fazer o que é fácil e possível.
E
como em uma espiral, voltamos à discussão,
ampliada, dos princípios norteadores da escola.
Manter sua identidade e adaptar-se ao complexo mundo
de agora. Reconhecendo o valor e a importância
desta pergunta: Qual o nosso propósito? Deixo
mais algumas, para serem pensadas e discutidas no interior
da sua escola.
-
De que modo o meio afeta a escola?
Que políticas devem ser estabelecidas de modo a
que todas as atividades se realizem segundo a nossa estratégia
e em concordância com a ambição e
a filosofia da escola?
- Quais os valores básicos atuais e futuros que
devem ser negociados para a nossa escola?
- Que grau de responsabilização a exigir
aos diferentes atores pelos resultados da escola?
- Como constituir um campo interorganizacional com outras
escolas?
- Como criar parcerias estratégicas?
- Como negociar as nossas fronteiras com o meio?
- Como integrar no projeto da escola, projetos de outros
setores da sociedade?
- Quais as inovações estratégicas
que gostaríamos de desenvolver?
- Que serviços reais e potenciais a escola disponibiliza?
- Quais as oportunidades e ameaças atuais e futuras?
- Qual é a nossa ambição de construir
uma diferença relativamente às outras escolas?
- O que fazemos melhor relativamente às outras
escolas?
SAIBA MAIS
Bibliografia complementar:
ANINGER, Laila. Avaliação de Desempenho
para Educação. Site www.aebcd/artigos.com.br
BORDONI, Thereza. et al. Escola Eficazes. Revista Linha
Direta. N 76. p 31-32. Julho 2004. Site www.aebcd/artigos.com.br
FREITAS, Marcelo. Professores ou Facilitadores? Diretores
de Escolas ou Gerentes de Negócios Educacionais?
Revista Linha Direta. nº 30 set./ 00. Site www.corporateconsultoria.com
FREITAS, Marcelo. Salário em hora-aula? Coisa dos
livros de História. Revista Linha Direta. N 47.Fev/02.
Site www.corporateconsultoria.com
FREITAS, Marcelo. Novas Tecnologias, Nova Educação,
Novas Profissões. Revista Linha Direta. N 34. jan/01Site
www.corporateconsultoria.com
RUNKEL, M., SCHMUCK, R. et al. Tranrforming the schools
capacity for problem solving. Eugene: CEPM, 1979. |