| ::. Refletir
sobre nossas aulas: Um desafio. |
Maria
Helena da Costa Smaniotto
Coord. Pedagógica da Educação Infantil
e Séries Iniciais do Ensino Fundamental Instituto
Municipal de E. Assis Brasil. Formada no magistério
em 1986, professora concursada desde 1987, na rede municipal
de ensino de Ijuí. Formada em Pedagogia pela UNIJUÌ,
em 1991 e Pós-graduada em Gestão e Orientação
escolar em 2006 pela UNOPAR(ead)
Na
atual realidade em que vivemos, as transformações
são constantes e em ritmo muito acelerado; onde
"verdades" são questionadas e as nossas
"certezas" se tornaram provisórias.
Diante deste quadro; aprender a aprender e saber pensar
são habilidades indispensáveis ao sujeito.
Para oportunizarmos o desenvolvimento das mesmas em
nossos educandos, precisamos repensar nossas práticas
e rever alguns pontos, refletindo sobre o estilo das
aulas que são dadas em nossas escolas e percebendo
a necessidade de priorizar o aprender a conviver e o
aprender a ser, fundamentais ao sujeito-cidadão.
Conforme analisa Pedro Demo, in Pesquisa e Construção
do Conhecimento, existem alguns tipos razoáveis
de aula:" A aula que socializa a pesquisa; podendo
ter o nome de conferência, preleção,
comunicação, perfazendo o papel essencial
de transmitir conhecimento construído; a aula
questionadora, feita para motivar a pesquisa e a introdução
inovadora; não oferece respostas prontas, mas
organiza perguntas, não deixa os alunos parados,
mas os faz se manifestarem, não esparge certezas,
mas multiplica a dúvida metódica e por
último, a aula introdutória, destinada
a apresentar temas e sobretudo a fornecer uma visão
geral, ainda que superficial, mas que não se
basta em anunciar e esvoaçar."
Refletindo sobre nossas aulas, podemos dizer que nos
esmeramos, oferecemos táticas expositivas, bem
organizadas, planejadas e utilizamos recursos audiovisuais;
procuramos expor bem e de modo atrativo os temas. Porém
os temas muitas vezes são alheios às necessidades
ou interesses dos educandos e ficamos preocupados apenas
em prender a atenção e melhorar o show.
Segundo Pedro Demo, a ciência não progride
e nem se faz por tal via. Ele nos provoca a repensar
realmente sobre nossa prática pedagógica,
no sentido de questionar o que e como se faz, convidando
a diversificar e redimensionar.
Pedro Demo questiona o valor da aula expositiva, onde
um ensina e os outros supostamente aprendem, sendo fundamental
prestar atenção, tomar nota, fazer silêncio.Estabelece-se
o privilégio do auditório cativo, submetido
à vingança da prova. A autoridade do professor
é absoluta, porém não há
real aprendizagem.
Ele aponta também para um submundo inútil
de aulas que apenas ensinam a copiar. Não revelam
qualquer esforço construtivo, nem no professor,
nem no aluno, sendo que o último repete o que
está no livro ou é dito como verdade pelo
professor; geralmente, sem compreender o que significa,
sem refletir sobre o que lê e escreve.
"Ensinar e aprender não é repetir,
mas recriar e projetar em situação dialógica
por onde começa um novo processo..." Mário
Osório Marques
"O problema crucial da aula é que não
substitui a elaboração própria
e a pesquisa. A rigor e por mais questionadora que seja,
aula não constrói conhecimento, ainda
que seja útil para a socialização.São
as vivências, as experiências, que envolverão
o sujeito, despertando a curiosidade e o desejo de saber
mais, estas sim, farão a diferença. A
aprendizagem precisa ser ativa, construída pelo
educando a partir da sua interação com
os conteúdos sócio-culturais e requer
um ensino ativo."Pedro Demo
O educador deve estar atento para propor conteúdos
e atividades que possibilitem ao aluno aprender pela
ação. O processo ensino-aprendizagem se
constitui dentro das interações que vão
se dando nos diversos contextos sociais. A sala de aula
deve ser considerada um lugar privilegiado da sistematização
do conhecimento e o professor um articulador na construção
do saber.
O que o aluno constrói com iniciativa própria,
pesquisando em grupo e elaborando individualmente, fica
para a vida, principalmente a atitude cotidiana construtiva,
sendo uma chance real de futuro.
Não podemos aceitar a idéia de sala de
aula "arrumada", onde todos devem ouvir uma
só pessoa transmitindo informações
que são acumuladas nos cadernos, de forma a reproduzir
em determinado saber eleito como importante e fundamental
para a vida de todos e onde se exige que todos aprendam
no mesmo ritmo, demonstrando as mesmas potencialidades.
Quando se pensa em uma sala de aula em um processo interativo,
acreditamos que todos terão possibilidade de
falar, levantar suas hipóteses e que ao aluno
seja propiciado perceber-se parte de um processo dinâmico
de construção.
O questionamento crítico e criativo, a capacidade
de comunicar e comunicar-se, a habilidade de argumentar
e contra-argumentar são necessárias ao
cidadão que possui um projeto próprio,
sendo sujeito histórico lúcido e participativo.
Será que estamos abrindo esta possibilidade aos
nossos alunos com nosso estilo de aulas?
Queremos que nosso aluno aprenda a copiar tudo corretamente
e reproduza fielmente nossas idéias e as dos
textos em avaliações ou estamos privilegiando
a produção e a elaboração
própria?Esta última é indispensável
para o domínio da linguagem, que consiste em
alicerce fundamental da cidadania.
Devemos erradicar o mero ensino, a prova reprodutiva
e mudar o conceito de bom aluno, usado para aquele que
memoriza com facilidade e faz boas provas, para aquele
que sabe pensar. "Por trás do pensar está
a idéia da compreensão do que se diz e
faz. Pensar não é apenas ter idéias.
Saber pensar não é só pensar. É
sobretudo, saber intervir." Pedro Demo
Se nós educadores refletirmos sobre nossa prática,
analisarmos nossos avanços e fizermos o balanço
sobre as aprendizagens significativas ou não
que oportunizamos; teremos condições de
revolucionar a educação e a própria
sociedade, que será composta na sua totalidade
por seres que pensam, agem e participam da construção
histórica; fazendo escolhas conscientes.
Nós educadores, precisamos definir a direção
que efetivamente desejamos dar à nossa prática
para um exercício organizado da mesma, assumindo
a responsabilidade de garantir uma aprendizagem satisfatória
e significativa dos conteúdos científicos
e culturais.
O conhecimento que se adquire deverá possibilitar
a iluminação da realidade, propiciando
ao educando, fazer conexões com a realidade,
compreendendo-a.
São muitas as teorias e idéias de grandes
pensadores para a educação.Mas só
com a capacidade de refletir sobre nossas práticas
pedagógicas e redimensiona-las, será possível
fazer germinar uma escola mais atraente, com objetivos
voltados para a formação de um cidadão
crítico e participativo, apostando na evolução
do ser-sujeito.
Refletir sobre nossas aulas é um desafio, pois
refletir é tomar posição, é
avaliar, é avançar, é repensar
as ações; é desejar fazer melhor...
"Refletir de fato é desconfiarmos da nossa
experiência..." Júlio G. Aquino.
Publicado
em 20/02/2007
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