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::. Reflexões acerca do mundo da educação
Zuleide Blanco Rodrigues
Graduada em Pedagogia (PUC-SP), pós-graduada em Educação (PUC-SP) e leciona no Colégio FMU.
E-mail:
zuleide.blanco@bol.com.br

Resumo: Prover subsídios para uma reflexão individual e/ou coletiva acerca do que seja a pedagogia, o conhecimento, as informações e, qual a relevância do professor no processo educativo.

Introdução: Caminhar pelo mundo da educação, não é senão, reviver através da memória, o começo, o trânsito e a perspectiva do futuro. Vygotsky, o chamado Mozart da psicologia, sustenta o uso da memória quando diz que a capacidade criativa consiste em construir o novo reestruturando o velho. Não só no mundo da educação usa-se o prefixo re, mas em todas as áreas do saber, porquanto estamos sempre reelaborando, reorganizando, reinventando a partir do resgate, pela memória, do que já existe. Refletir acerca do mundo da educação é buscar argumentos que justifiquem o lento caminhar da pedagogia. É preciso ousar mais, reinventar mais, recriar mais, para chegar a um mundo educativo que permita formar cidadãos conscientes dos fatos passados, dos erros e dos acertos e, a partir desse conhecimento retificar ou ratificar os princípios que norteiam esta ciência Pedagogia, fundamental na conquista de um viver de melhor qualidade.

A história é o exercício da memória realizado para compreender o presente e para nele ler as possibilidades do futuro, mesmo que seja um futuro a construir, a escolher, a tornar possível.

Pedagogia: Segundo o dicionário Aurélio é “a teoria e ciência da educação e do ensino. Conjunto de doutrinas, princípios e métodos de educação e instrução que tendem a um objetivo prático. O estudo dos ideais de educação, segundo uma determinada concepção de vida, e dos meios (processos e técnicas) mais eficientes para efetivar estes ideais. Por fim, profissão ou prática de ensinar”.

Resgatando-se a história deparamos com a instituição-escola, que entre Egito e Grécia se vai articulando tanto no aspecto administrativo como cultural. As escolas que se formam são estatais ou particulares e acolhem os filhos de classes de dirigentes e médias, transmitindo-lhes educação básica, constituída do bem falar e do bem escrever, enfatizando-se o cumprimento das regras rigidamente estabelecidas. São escolas que vão sofrendo transformações até a época helenística.

A figura do pedagogo surge na Grécia como o acompanhante da criança, que a controla e estimula, qualifica-se como protagonista da formação juvenil (exemplo Sócrates). O mundo antigo coloca como central a figura do pedagogo, significativamente ativa na vida do indivíduo, reconhecendo-lhes as qualidades.

A figura do pedagogo existe hoje como a figura do educador, do professor, do mediador, daquele que ao ensinar, aprende com seu aluno, daquele que reflete sobre sua prática. O momento atual, de grandes transformações já não se contenta com a aquisição, pura e simples, da leitura e da escrita. Hoje, temos um mundo profundamente alterado, não só em termos da pós-industrialização, mas, sobretudo, em relação às demandas humanas. A escola atual já não pode trabalhar numa lógica da técnica em que basta passar determinados conteúdos, mas ser um espaço cultural onde se realiza uma mediação reflexiva entre as transformações sociais, o que está escrito nos textos, os jovens e as crianças. A escola hoje deve ser o espaço que possibilita questionar criticamente, pensar, sentir, atuar. A escola de hoje precisa de bons profissionais como professores, de parceiros, formuladores de novo fazer. A formação e o desenvolvimento profissional são necessários e devem ser promovidos nas universidades, pois, sem dúvida é o local apropriado a tal formação.

Conhecimento ou informação? Quem é responsável?
Conhecer é mais do que obter as informações ou ter acesso a elas. Conhecer transcende o ligar-se à internet, ler um jornal, uma revista, interagir pela chat. Conhecer significa trabalhar as informações para que lhes sejam úteis.

O conhecimento é complexo, não pode, simplesmente, ser transmitido de uma pessoa para outra, mas construído a partir do diálogo e da relação interpessoal. Só pode ser compreendido no todo se for relacionado com outros conhecimentos, com a subjetividade e com a realidade social do aluno.

Se o indivíduo aprende a raciocinar e a falar sobre os conteúdos, adquire capacidade de entender a vida de maneira global e, consegue continuar a se desenvolver.

Grande parte desta responsabilidade cabe ao professor que deve agir como coordenador dos diálogos, ajudando os alunos na organização de seus argumentos e justificativas.

Isto é feito através da solicitação de exemplos, contra-exemplos, analogias, exposição das fontes de onde determinado argumento é retirado e dos critérios em que está embasado. O professor transforma-se num incentivador e articulador do diálogo, sem, contudo, ser a palavra final, ser o dono da verdade. E colabora para que a discussão conjunta seja aprofundada.

Conclusão
A reflexão sobre educação não se esgota jamais. O processo educativo, seja o formal transmitido pela escola, seja o obtido através da experiência de vida não é efêmero e se presta a insistentes debates e intenso estudo.

A pedagogia, como bem nos aponta o verbete do dicionário, trabalha com uma série de técnicas, fundamentações teóricas, experiência, conhecimento elaborado, com ideais educativos que passam a ser ideais de vida; portanto, a pedagogia pode-se dizer, mobiliza o indivíduo por inteiro.

O papel da escola, no mundo da educação, é o de questionar criticamente os modos de pensar, de sentir, de atuar e os resultados dessa atuação das gerações humanas.

Em síntese, o papel da escola perante as demandas contemporâneas seria o de recriar a cultura na escola e a cultura que nos rodeia.

Precisamos, não só refletir, mas agir na necessidade de construir uma escola melhor. O primeiro passo após a reflexão sobre um problema é ter consciência dele e resolvê-lo - é o que nos diz o professor Vitor Henrique Paro, de 59 anos, professor da Faculdade de Educação da USP que há mais de 30 anos estuda a educação pública brasileira. “Enquanto não soubermos que a Educação depende de criar ou construir no aluno a vontade de aprender, não teremos um bom ensino”, afirma Vitor Paro. “Se não acreditarmos na Educação, deixaremos de acreditar no ser humano”, observa Claudia Davis, 53 anos, doutora em psicologia da educação pela USP e professora do programa de pós-graduação da PUC de São Paulo.

Bibliografia

CAMBI, Franco – História da pedagogia / Franco Cambi: tradução de Álvaro Lorencini. – São Paulo: Editora UNESP, 1999.

DELORS, Jacques – Educação: um tesouro a descobrir. – 5. ed. – São Paulo : Cortez; Brasília, DF : MEC : UNESCO, 2001. “Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre educação para o século XXI”.

MASETTO, Marcos Tarciso – Competência pedagógica do professor universitário / Marcos Tarciso Masetto. – São Paulo: Summus, 2003.

PIMENTA, Selma Garrido – De professores, pesquisa e didática / Selma Garrido Pimenta – Campinas, SP: Papirus, 2002.

_____________ - Docência do Ensino Superior / Selma Garrido Pimenta, Lea das Graças Camargos Anastasiou. – São Paulo: Cortez, 2002.
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