Resumo:
Prover subsídios para uma reflexão individual
e/ou coletiva acerca do que seja a pedagogia, o conhecimento,
as informações e, qual a relevância
do professor no processo educativo.
Introdução:
Caminhar pelo mundo da educação, não
é senão, reviver através da memória,
o começo, o trânsito e a perspectiva
do futuro. Vygotsky, o chamado Mozart da psicologia,
sustenta o uso da memória quando diz que a
capacidade criativa consiste em construir o novo reestruturando
o velho. Não só no mundo da educação
usa-se o prefixo re, mas em todas as áreas
do saber, porquanto estamos sempre reelaborando, reorganizando,
reinventando a partir do resgate, pela memória,
do que já existe. Refletir acerca do mundo
da educação é buscar argumentos
que justifiquem o lento caminhar da pedagogia. É
preciso ousar mais, reinventar mais, recriar mais,
para chegar a um mundo educativo que permita formar
cidadãos conscientes dos fatos passados, dos
erros e dos acertos e, a partir desse conhecimento
retificar ou ratificar os princípios que norteiam
esta ciência Pedagogia, fundamental na conquista
de um viver de melhor qualidade.
A história é o exercício da memória
realizado para compreender o presente e para nele
ler as possibilidades do futuro, mesmo que seja um
futuro a construir, a escolher, a tornar possível.
Pedagogia:
Segundo o dicionário Aurélio é
“a teoria e ciência da educação
e do ensino. Conjunto de doutrinas, princípios
e métodos de educação e instrução
que tendem a um objetivo prático. O estudo
dos ideais de educação, segundo uma
determinada concepção de vida, e dos
meios (processos e técnicas) mais eficientes
para efetivar estes ideais. Por fim, profissão
ou prática de ensinar”.
Resgatando-se a história deparamos com a instituição-escola,
que entre Egito e Grécia se vai articulando
tanto no aspecto administrativo como cultural. As
escolas que se formam são estatais ou particulares
e acolhem os filhos de classes de dirigentes e médias,
transmitindo-lhes educação básica,
constituída do bem falar e do bem escrever,
enfatizando-se o cumprimento das regras rigidamente
estabelecidas. São escolas que vão sofrendo
transformações até a época
helenística.
A figura do pedagogo surge na Grécia como o
acompanhante da criança, que a controla e estimula,
qualifica-se como protagonista da formação
juvenil (exemplo Sócrates). O mundo antigo
coloca como central a figura do pedagogo, significativamente
ativa na vida do indivíduo, reconhecendo-lhes
as qualidades.
A figura do pedagogo existe hoje como a figura do
educador, do professor, do mediador, daquele que ao
ensinar, aprende com seu aluno, daquele que reflete
sobre sua prática. O momento atual, de grandes
transformações já não
se contenta com a aquisição, pura e
simples, da leitura e da escrita. Hoje, temos um mundo
profundamente alterado, não só em termos
da pós-industrialização, mas,
sobretudo, em relação às demandas
humanas. A escola atual já não pode
trabalhar numa lógica da técnica em
que basta passar determinados conteúdos, mas
ser um espaço cultural onde se realiza uma
mediação reflexiva entre as transformações
sociais, o que está escrito nos textos, os
jovens e as crianças. A escola hoje deve ser
o espaço que possibilita questionar criticamente,
pensar, sentir, atuar. A escola de hoje precisa de
bons profissionais como professores, de parceiros,
formuladores de novo fazer. A formação
e o desenvolvimento profissional são necessários
e devem ser promovidos nas universidades, pois, sem
dúvida é o local apropriado a tal formação.
Conhecimento
ou informação? Quem é responsável?
Conhecer é mais do que obter as informações
ou ter acesso a elas. Conhecer transcende o ligar-se
à internet, ler um jornal, uma revista, interagir
pela chat. Conhecer significa trabalhar as informações
para que lhes sejam úteis.
O
conhecimento é complexo, não pode, simplesmente,
ser transmitido de uma pessoa para outra, mas construído
a partir do diálogo e da relação
interpessoal. Só pode ser compreendido no todo
se for relacionado com outros conhecimentos, com a
subjetividade e com a realidade social do aluno.
Se o indivíduo aprende a raciocinar e a falar
sobre os conteúdos, adquire capacidade de entender
a vida de maneira global e, consegue continuar a se
desenvolver.
Grande parte desta responsabilidade cabe ao professor
que deve agir como coordenador dos diálogos,
ajudando os alunos na organização de
seus argumentos e justificativas.
Isto é feito através da solicitação
de exemplos, contra-exemplos, analogias, exposição
das fontes de onde determinado argumento é
retirado e dos critérios em que está
embasado. O professor transforma-se num incentivador
e articulador do diálogo, sem, contudo, ser
a palavra final, ser o dono da verdade. E colabora
para que a discussão conjunta seja aprofundada.
Conclusão
A reflexão sobre educação não
se esgota jamais. O processo educativo, seja o formal
transmitido pela escola, seja o obtido através
da experiência de vida não é efêmero
e se presta a insistentes debates e intenso estudo.
A pedagogia, como bem nos aponta o verbete do dicionário,
trabalha com uma série de técnicas,
fundamentações teóricas, experiência,
conhecimento elaborado, com ideais educativos que
passam a ser ideais de vida; portanto, a pedagogia
pode-se dizer, mobiliza o indivíduo por inteiro.
O papel da escola, no mundo da educação,
é o de questionar criticamente os modos de
pensar, de sentir, de atuar e os resultados dessa
atuação das gerações humanas.
Em síntese, o papel da escola perante as demandas
contemporâneas seria o de recriar a cultura
na escola e a cultura que nos rodeia.
Precisamos,
não só refletir, mas agir na necessidade
de construir uma escola melhor. O primeiro passo após
a reflexão sobre um problema é ter consciência
dele e resolvê-lo - é o que nos diz o
professor Vitor Henrique Paro, de 59 anos, professor
da Faculdade de Educação da USP que
há mais de 30 anos estuda a educação
pública brasileira. “Enquanto não soubermos
que a Educação depende de criar ou construir
no aluno a vontade de aprender, não teremos
um bom ensino”, afirma Vitor Paro. “Se não
acreditarmos na Educação, deixaremos
de acreditar no ser humano”, observa Claudia Davis,
53 anos, doutora em psicologia da educação
pela USP e professora do programa de pós-graduação
da PUC de São Paulo.
Bibliografia
CAMBI,
Franco – História da pedagogia / Franco Cambi:
tradução de Álvaro Lorencini.
– São Paulo: Editora UNESP, 1999.
DELORS,
Jacques – Educação: um tesouro a descobrir.
– 5. ed. – São Paulo : Cortez; Brasília,
DF : MEC : UNESCO, 2001. “Relatório para a
UNESCO da Comissão Internacional sobre educação
para o século XXI”.
MASETTO,
Marcos Tarciso – Competência pedagógica
do professor universitário / Marcos Tarciso
Masetto. – São Paulo: Summus, 2003.
PIMENTA,
Selma Garrido – De professores, pesquisa e didática
/ Selma Garrido Pimenta – Campinas, SP: Papirus, 2002.
_____________
- Docência do Ensino Superior / Selma Garrido
Pimenta, Lea das Graças Camargos Anastasiou.
– São Paulo: Cortez, 2002.