O livro Educação, um tesouro a descobrir,
sob a coordenação de Jacques Delors,
aborda de forma bastante didática e com muita
propriedade os quatro pilares de uma educação
para o século XXI, associando-os e identificando-os
com algumas máximas da Pedagogia prospectiva
e subsidia o trabalho de pessoas comprometidas com
a busca por uma educação de qualidade
. Diz o texto na página 89: "À
educação cabe fornecer, de algum modo
os mapas de um mundo complexo e constantemente agitado
e, ao mesmo tempo, a bússola que permite navegar
através dele".
Segundo o autor, a analogia com a prática pedagógica
se mostra quando diz que a educação
deve preocupar-se em desenvolver quatro aprendizagens
fundamentais, que serão para cada indivíduo
os pilares do conhecimento: aprender a conhecer, indica
o interesse, a abertura para conhecimento, que verdadeiramente
liberta da ignorância; aprender a fazer, mostra
a coragem de executar, de correr riscos, de errar
mesmo na busca de acertar; aprender a conviver, aqui
temos o desafio da convivência que apresenta
o respeito a todos e o exercício de fraternidade
como caminho do entendimento e, finalmente; aprender
a ser, visto, talvez, como o mais importante, por
explicitar aí o papel do cidadão e o
objetivo de viver.
Os pilares são quatro, os saberes e competências
a se adquirir são apresentados, aparentemente,
divididos. Estas quatro vias não podem, no
entanto, se dissociar por estarem imbricadas, constituindo
interação com o fim único de
uma formação holística do indivíduo.
Jacques Delors (1998) aponta como principal conseqüência
da sociedade do conhecimento a necessidade de uma
aprendizagem ao longo de toda vida, fundamentada em
quatro pilares, que são, concomitantemente,
pilares do conhecimento e da formação
continuada.
A seguir, uma síntese dos quatro pilares para
a educação do século XXI.
Aprender a conhecer - É necessário tornar
prazeroso o ato de compreender, descobrir, construir
e reconstruir o conhecimento para que não seja
efêmero, que se mantenha através do tempo,
que valorize a curiosidade, a autonomia e a atenção,
permanentemente. É preciso também pensar
o novo, reconstruir o velho, reinventar o pensar.
Aprender
a fazer - Não basta preparar-se com cuidados
para inserir-se no setor do trabalho. A rápida
evolução por que passam as profissões
pede que o indivíduo esteja apto a enfrentar
novas situações de emprego e a trabalhar
em equipe, desenvolvendo espírito cooperativo,
de humildade na re-elaboração conceitual
e nas trocas, valores necessários ao trabalho
coletivo. Ter iniciativa, gostar de uma certa dose
de risco, ter intuição, saber comunicar-se,
saber resolver conflitos e ser flexível. Aprender
a fazer envolve uma série de técnicas
a serem trabalhadas.
Aprender
a viver juntos, aprender a viver com os outros - No
mundo atual este é um importantíssimo
aprendizado por ser valorizado quem aprende a viver
com os outros, a compreender os outros, a desenvolver
a percepção de interdependência,
a administrar conflitos, a participar de projetos
comuns, a ter prazer no esforço comum.
Aprender
a ser - É importante desenvolver sensibilidade,
sentido ético e estético, responsabilidade
pessoal, pensamento autônomo e crítico,
imaginação, criatividade, iniciativa
e desenvolvimento integral da pessoa em relação
à inteligência. A aprendizagem precisa
ser integral não negligenciando nenhuma das
potencialidades de cada indivíduo.
A partir dessa visão dos quatro pilares do
conhecimento, pode-se prever grandes conseqüências
na educação. O ensino-aprendizagem voltado
apenas para a absorção de conhecimento,
que tem sido objeto de preocupação constante
de quem ensina, deverá dar lugar ao ensinar
a pensar, saber comunicar-se, saber pesquisar, ter
raciocínio lógico, fazer sínteses
e elaborações teóricas, ser independente
e autônomo, enfim, ser socialmente competente.
Uma educação fundamentada nos quatro
pilares acima elencados sugere alguns procedimentos
didáticos que lhe seja condizente, como:
- Relacionamento do tema com a experiência do
estudante e de outros personagens do contexto social;
- Desenvolvimento da pedagogia da pergunta (Paulo
Freire e Antonio Faundez - Por uma Pedagogia da Pergunta
- Paz e Terra, 1985);
- Relação dialógica com o estudante;
- Envolvimento do estudante num processo que conduz
a resultados, conclusões ou compromissos com
a prática;
- Processo de auto-aprendizagem, co-responsabilidade
no processo de aprendizagem;
- Utilização do jogo pedagógico
com o princípio de construir o texto.
Conclusão
Presenciamos um momento muito importante em nosso
país, o da demanda por educação,
que ao crescer, faz com que sociedade e instituições,
em uníssono, movimentem-se no atendimento a
esta urgência nacional. Esta é uma tarefa
importante e é isso que se espera que o Brasil
faça. Temos materiais e temos idéias.
É preciso pôr em prática todos
os estudos e projetos para a modernização
da educação.
Para mudar nossa história e lograr conquistas
precisamos ousar em cortar as cordas que impedem o
próprio crescimento, exercitar a cidadania
plena, aprender a usar o poder da visão crítica,
entender o contexto desse mundo, ser o ator da própria
história, cultivar o sentimento de solidariedade,
lutar por uma sociedade mais justa e solidária
e, acima de tudo, acreditar sempre no poder transformador
da Educação.
Sugestão
de leituras
- Educação: um tesouro a descobrir.
- São Paulo: Cortez - coordenador Jacques Delors
- capítulo 4: Os quatro pilares da educação
- páginas 89 à 102.
-
Por uma pedagogia da pergunta / Paulo Freire, Antonio
Faundez. - Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985.