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Saber
e Fazer .... Competências e Habilidades ?!? |
Thereza
Bordoni
Mestre em educação. Consultora
do Projeto Linha Direta. Diretora da A&B Consultoria
e Desenvolvimento e do site www.vaganaescola.com.br.
Palestrante. Contato: tbordoni@vaganaescola.com.br
.
Fone: (31) 91849405.
O termo competência tem recebido vários significados
ao longo do tempo. Percebo que em certos momentos algumas
palavras assumem o significado de paradigma, e isto tem
ocorrido com as palavras: competências e habilidades,
apesar de que atualmente parece haver uma idéia
comum de competência.
Mesmo assim, sinto que precisamos ainda, clarear o real
significado de termos tão usados por nós
educadores. Me vêem a mente algumas questões
como:
Devemos dizer educar para competências ou educar
por competências? A expressão "habilidades
e competências", que sentido tem? Afinal que
significado têm estas palavras?
Se observarmos o funcionamento das estruturas intrínsecas
do processo educacional como um todo, perceberemos que
a organização escolar estrutura-se em função
das respostas dadas a estas perguntas, isto é,
em torno da idéia da formação do
sujeito para resolver situações-problemas
do dia-a-dia, que envolvem diferentes graus de complexidade.
Estudiosos contemporâneos, afirmam, que as transformações
pelas quais a sociedade está passando, estão
criando uma nova cultura e modificando as formas de produção
e apropriação dos saberes. Por isto competências
e habilidades ganharam destaque nos debates atuais, pois
fazem referências simultâneas ao cotidiano
social e educacional.
Segundo o professor Vasco Moretto, um dos sentidos de
competência aflora na utilização da
palavra no senso comum quando utilizamos expressões
como "vou procurar um dentista, mas quero que seja
competente", ou "meu irmão é um
pianista competente". Todas elas têm o mesmo
sentido: uma pessoa é competente quando tem os
recursos para realizar bem uma determinada tarefa. A expressão
isolada "fulano é competente" não
tem muito sentido, provocando outra pergunta: "competente
para fazer o quê?" Poderíamos dizer
que Ronaldinho ( jogar de futebol) é mais, ou menos
competente que Guga (tenista) ?
Vislumbrando as varias acepções de competências,
parece-me mais lógico o conceito de competência
relacionado à capacidade de bem realizar uma tarefa,
ou seja, de resolver uma situação complexa.
Para isso, o sujeito deverá ter disponíveis
os recursos necessários para serem mobilizados
com vistas a resolver a situação na hora
em que ela se apresente. Educar para competências
é, então, ajudar o sujeito a adquirir e
desenvolver as condições e/ou recursos que
deverão ser mobilizados para resolver a situação
complexa. "Assim, educar alguém para ser um
pianista competente é criar as condições
para que ela adquira os conhecimentos, as habilidades,
as linguagens, os valores culturais e os emocionais relacionados
à atividade específica de tocar piano muito
bem" (Moretto).
A competência é "portátil",
por si só não é amarrada, tem de
ter flexibilidade. Nesta analise, a idéia de competência
é: "como me viro diante de uma situação
complexa? A pessoa que realmente adquiriu uma competência
tem condições de resolver este tipo de situação
com criatividade. Assim, a metodologia com relação
a competências precisa dar conta de situações
novas. O trabalho em grupo e a pedagogia de projetos estão
se destacando como facilitadores para uma nova metodologia.
Porem, nem o professor nem o aluno estão preparados
para trabalhar com a pedagogia de projetos. Para os educadores
o entrave é trabalhar com as deficiências
que os alunos trazem, independentemente do que eles têm
de saber; Outra dificuldade que nós educadores
temos é a de não termos sido educados para
isso. Repetimos na nossa ação o modelo pelo
qual fomos educados. A excessiva ênfase na compartimentalização
em disciplinas é uma das coisas que dificultam
o desenvolvimento de competências. Tanto o ensino
fundamental quanto o médio têm tradição
conteudista. Na hora de falar de competência mais
ampla, carrega-se no conteúdo. Não estamos
conseguindo separar a idéia de competência
de conteúdos, a escola traz para os alunos respostas
para perguntas que eles não fizeram: o resultado
é o desinteresse; As perguntas são mais
importantes que as respostas.
Em decorrência, será necessário também
uma mudança no conceito do que é ensinar.
O professor é um elemento chave na organização
das situações de aprendizagem, pois compete-lhe
dar condições para que o aluno "aprenda
a aprender", desenvolvendo situações
de aprendizagens diferenciadas, estimulando a articulação
entre saberes e competências. Em lugar de continuar
a decorar conteúdos, o aluno passará a exercitar
habilidades, e através delas, a aquisição
de grandes competências ou seja desenvolvendo habilidades
através dos conteúdos. Caberia então
aos professores mediar a construção do processo
de conceituação a ser apropriado pelos alunos,
buscando a promoção da aprendizagem e desenvolvendo
condições para que eles participem da nova
sociedade do conhecimento.
Neste contexto definimos o papel do educador: aquele que
prepara as melhores condições para o desenvolvimento
de competências, isto é, aquele que, em sua
atividade, não apenas transmite informações
isoladas, mas apresenta conhecimentos contextualizados,
usa estratégias para o desenvolvimento de habilidades
específicas, utiliza linguagem adequada e contextualizada,
respeita valores culturais e ajuda a administrar o emocional
do aprendiz. E o ato de ensinar como o processo que proporciona
a aquisição de recursos que possam ser mobilizados
no momento em que situações-problema se
apresentem.
Poderíamos dizer que uma competência permite
a mobilização de conhecimentos para que
se possa enfrentar uma determinada situação,
uma capacidade de encontrar vários recursos, no
momento e na forma adequadas. A competência implica
uma mobilização dos conhecimentos e esquemas
que se possui para desenvolver respostas inéditas,
criativas, eficazes para problemas novos.
O conceito de habilidade também varia de autor
para autor. As habilidades são inseparáveis
da ação, mas exigem domínio de conhecimentos.
As competências pressupõem operações
mentais, capacidades para usar as habilidades, emprego
de atitudes, adequadas à realização
de tarefas e conhecimentos. Desta forma as habilidades
estão relacionadas ao saber fazer. Assim, identificar
variáveis, compreender fenômenos, relacionar
informações, analisar situações-problema,
sintetizar, julgar, correlacionar e manipular são
exemplos de habilidades.
Sabemos que é necessário educar para competências,
mas como fazê-lo ?
Torna-se necessária uma revisão daquilo
que é desenvolvido em sala de aula, através
da contextualização e da interdisciplinaridade.
Ou seja, conteúdos impregnados da realidade do
aluno demarcam o significado pedagógico da contextualização
e a intercalação dos diversos conteúdos
dentro de uma mesma disciplina explicita a interdisciplinaridades.
Isto imprime significados e relevância aos conteúdos
escolares favorecendo uma ruptura com as práticas
tradicionais e o avançar em direção
a uma "educação competente", pluralista,
em rede, harmônica, flexível, aberta e processual.
Para conhecimento:
Vasco
Moretto aponta cinco recursos para resolução
de situações complexas:
a) o conhecimento de conteúdos relacionados
à situação; b) as habilidades
(saber fazer) para resolver a situação;
c) o domínio das linguagens específicas
relacionadas ao contexto; d) a compreensão
dos valores culturais que dão sentido à
linguagem e que torna a situação relevante
no contexto, e e) a capacidade da administração
do emocional diante do problema.
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E as
diretrizes do MEC explicitam 5 competências:
- domínio de linguagens
- compreensão de fenômenos
- construção de
argumentações
- solução de problemas
- e elaboração
de propostas
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OUTRAS
VISÕES DE COMPETÊNCIA:
- A competência é o que o aluno aprende.
Não o que você ensina. Jamil Cury/CNEB
- Competência é a capacidade de mobilizar
conhecimentos, valores e decisões para agir de
modo pertinente numa determinada situação.
Competências e habilidades pertencem à
mesma família. A diferença entre elas
é determinada pelo contexto Em resumo: a competência
só pode ser constituída na prática.
Guiomar Namo de Mello
- Competência -"qualidades de quem é
capaz de apreciar e resolver certos assuntos".
Ela significa ainda habilidade, aptidão, idoneidade.
Muitos conceitos estão presentes nessa definição:
competente é aquele que julga, avalia e pondera;
acha a solução e decide, depois de examinar
e discutir determinada situação, de forma
conveniente e adequada. É ainda quem tem capacidade
resultante de conhecimentos adquiridos. Dicionário
Aurélio
- Competência em educação é
a faculdade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos
- como saberes, habilidades e informações
- para solucionar com pertinência e eficácia
uma série de situações. Philippe
Perrenoud
- Competência é mais do que um conhecimento;
Ela pode ser explicada como um saber que se traduz na
tomada de decisões, na capacidade de avaliar
e julgar. Lino de Macedo
- Conceito de competência, já claramente
exposto nas Diretrizes e bem repetido aqui pelo Professor
Cordão, envolve muito mais que acumular conhecimento,
desenvolver habilidades e introjetar valores. O sentido
é muito importante: não é uma soma
de valores, de conhecimentos, de habilidades. É
a capacidade de mobilizar, articular e colocar em ação
esses componentes, para um desempenho eficiente e eficaz.
Então, valores, conhecimentos e habilidades são
componentes que, por si sós, não são
a competência. Bahij Amin Aur - Conselho Estadual
de Educação de SP
- Competência: "o saber em acção"
ou "o agir em situação". DEB
(2001): Currículo nacional do Ensino Básico
Competências Essenciais; Ministério da
Educação, Departamento da Educação
Básica, Lisboa.
- A idéia de competências tem três
ingredientes básicos. Primeiro: relaciona-se
diretamente à idéia de pessoa. Você
não pode dizer que um computador é competente;
competente é o seu usuário, uma pessoa.
Segundo: a competência vincula-se à idéia
de mobilização, ou seja, a capacidade
de se mobilizar o que se sabe para realizar o que se
busca. É um saber em ação. Aliás,
da má compreensão deste aspecto vem outra
crítica, a de competência como mero saber
fazer algo. Agir é mais do que fazer. Nilson
Machado
- Um conceito de competência pode ser apresentado
como o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes
demonstrados pela pessoa na realização
de uma tarefa. Dizemos que somos competentes numa atividade
quando esse conjunto de comportamentos apresentados
resulta no sucesso para a realização daquela
atividade. Harber
- Competências se desenvolvem em um contexto.
Aprender, fazendo, o que não se sabe fazer. Philippe
Meirieu
Para
pensar:
- A quem compete facilitar o desenvolvimento de competências
?
- O que é ser competente ?
- Nós queremos desenvolver competências sob
que ótica: a do capital, a do saber escolar, a
da vida?
- Quais as grandes mudanças por parte do professor
e do aluno no ensino atual e no ensino para competência?
- A competência valoriza o profissional?
- O que o aluno ganha com isto?
Bibliografia:
BRASIL, MEC. Em Aberto (Currículo: referenciais
e tendências). INEP, Brasília, N.º 58,
abril/jun. 1993.
COLL, César et alii. Os Conteúdos na Reforma:
ensino e aprendizagem de conceitos, procedimentos e atitudes,
Porto Alegre, Artes Médicas, 1998
JANTSCH, A. P. e BIANCHETTI, L. (Orgs). Interdisciplinaridade.
Rio de Janeiro, Vozes, 1995.
MORETTO, Vasco P. Construtivismo, a produção
do conhecimento em aula. 3ª ed. Rio de Janeiro: DP&A,
2002.
MORIN, Edgar. Sete saberes necessários à
educação do futuro. São Paulo: Cotez,2000.
PERRENOUD, Philipe. Construir as competências desde
a escola, Porto Alegre, Artes Médicas, 2000.
____________. Dez novas competências para ensinar,
Porto Alegre, Artes Médicas, 1999.
REVISTA NOVA ESCOLA. Edições diversas. |