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Tecnologias
Educacionais : presenças ausentes na escola |
Profa. Dra. Lucí Hildenbrand
Licenciada em Biologia (UFRRJ), M.Sc em Educação/Tecnologia
Educacional (UFRJ), Ph.D.em Comunicação/
Radio e Tv.(USP); especialista em Campanhas de Saúde
Pública, Consultora e Assessora de Projetos em
Tecnologia Educacional ; Educomunicação;
Comunicação, Educação e Saúde.
Docente da UFRRJ, UNIG e UNESA.
E-mails: lucihildenbrand@uol.com.br / luci.h@ig.com.br
[...]
é necessário o professor dominar a utilização
pedagógica das tecnologias, de forma que elas facilitem
a aprendizagem, sejam objeto de conhecimento a ser democratizado
e instrumento para a construção de conhecimento.
LEITE et al. (2003)
Cada
vez mais aceleram-se as inovações no campo
da tecnologia e, em decorrência, as reflexões,
aplicações e experimentações
em torno dela na área pedagógica.
Esta
afirmação resulta porque sabemos que,
em educação, tudo pode ser tomado como
tecnologia e os limites das tecnologias não estão
propriamente nelas, temos certeza disso. Via de regra,
tendemos a nos apropriar delas do mesmo modo que vemos
outros fazerem. Se os nossos olhos vêem lâminas
de retroprojeção serem empregadas exemplarmente
para apresentar conteúdos que poderiam ser registrados
no quadro de giz, passamos a fazê-lo na meesma
dimensão. Às vezes, até, chegamos
a ouvir indagações intrigantes que, subrepticiamente,
revelam um saber latente que diz que quando dois meios
são capazes de cumprir os mesmos papéis
pedagógicos é natural que o mais moderno
substitua o outro.
Os
especialistas que se dedicam ao estudo dos meios não
concordam com essa abordagem. Entendem que cada meio
é único, quando considerados seus limites
e possibilidades. O nosso pequeno conhecimento em torno
das características e particularidades das diversas
tecnologias é que nos faz lidar com elas restritivamente.
Assim, usamos, por exemplo, o filme gravado em vídeo
como se fosse o próprio filme; o rádio
gravado em áudio como se fosse rádio;
a internet como se fosse um espaço privilegiado
para difusão de mensagens impressas quando ela
é, sim, um espaço altamente apropriado
para difusão de mensagens cinético-audiovisuais.
Dessa
forma, a seleção das tecnologias educacionais
ou a incorporação delas na prática
de ensino não é uma ação
desatrelada dos saberes docentes em torno de seus códigos
e linguagens, de suas características e particularidades,
de suas possibilidades e limitações.
Tecnologias
educacionais precisam ser melhor conhecidas pelos professores
para que - dotados de conhecimentos, atitudes, práticas
e posturas compatíveis - possam assegurar a efetiva
utilização delas em seus afazeres profissionais.
Se de distintas ordens são identificadas e/ou
enunciadas, fica evidente a existência de lacuna
de conhecimentos neste sentido, o que justifica a rara
presença de tecnologias de ensino diversificadas
nas aulas e a abusiva utilização de outras..
Inegavelmente,
a profissão do professor o desafia, a cada dia,
a incorporar meios e meios de comunicação
e educação no trabalho pedagógico,
vez que, quer queira, quer não, a tecnologia
já é presença efetiva na escola
porque se acha introjetada na cultura de nossos alunos
(BACCEGA, 1996). Sendo assim, a relutância em
apropriar-se ou buscar perceber que há outra(s)
mais apropriada(s) para exercer determinada(s) função(ões)
no ensino-aprendizagem tem contribuído para o
estabelecimento de fosso entre a escola e a realidade.
Estando apartada do meio em que está inserida
- meio que compõe o caldo cultural que alimenta
os modos de ser e de fazer da sociedade - é natural
que seja percebida como descontextualizada e que, ainda,
proceda a abordagem dos conteúdos de modo fragemnetado.
Os
objetos do mundo social não são, nem estão,
sujeitos aos múltiplos olhares, dizeres e pensares
da escola. É como se o mundo real, revelando-se
tal qual um caleidoscópio - "pequeno instrumento
cilindrico, em cujo fundo há fragmentos móveis
de vidro colorido, os quais ao refletirem-se sobre jogo
de espelhos angulares dispostos longitudinalmente, produzem
um número infinito de imagens de cores variegadas
(FERREIRA,1976, p.257) -, fosse observado, em cada disciplina,
segundo uma única e indissociável imagem.
Imagem que, em verdade, sendo múltipla e complexa;
careceria ser observada e analisada em distintos aspectos;
ser apreciada no correr de seu processo de transmudação,
a partir de cada fragemento, visando a percepção
mais ajustada e mais aproximada daquilo que se mostra
como real. Por conta dessa contemplação
distorcida - na medida que fragmentada e descontextualizada
- a escola passa a ser percebida como obsoleta, relutante
à renovação e à inovação
pedagógicas, apartada da vida cotidiana, favorecedora
do alheamento tecnológico no qual vivemos e frágil
promotora da cultura latejante do país . .
Posto
isto, é claro, que hoje nos deparamos com a necessidade
de compreender as tecnologias de tal forma que possamos
incorporá-las com propriedade à nossa
práxis; em outros termos, que estejamos abertos
à recepção dos meios e materias
tecnológicos na escola sem a adoção
de simplismos - termo que desgina "vício
de raciocínio que consiste em desprezar elementos
necessários da solução" (FERREIRA,
1976, p.1302). Usar tecnologia não é mero
clicar de botões, de trazer fita de áudio
ou vídeo para ser assistida, enquanto o docente
realiza outra atividade de maior importância -,
também não se trata de dispor o flipchart
ao ladro do quadro de escrever... Usar tecnologia é
muito mais do que isso: há uma base conteudista
inerente a este fazer e esta base está, inegavelmente,
indissociada da opção filosófica
que ancora a nossa compreensão acerca da Tecnologia
Educacional.
Portanto,
incorporar a tecnologia na escola, dentro dos pressupostos
das teorias que solicitam, aos agentes comunicativos,
interação e interatividade e construção
de conhecimentos - ajustada ao nível e a realidade
de cada aluno, de modo a poder contribuir para o seu
engajamento em processo de aprendizagem coletiva e cooperativa
- requer, minimamamente, tempo de estudo e desejo docente
para aprender. Sem estas duas condições
primeiras, as tecnologias até se farão
presentes na escola, porém não estarão
certamente inseridas em abordagem que as assuma como
elementos mediadores da compreensão da realidade
que vivemos. Igualmente, se nossa leitura de mundo não
permitir o entendimento de que elas -tecnologias - embora
não redentoras, devam ser instrumentalizadoras
das transformações sociais com as quais
a escola deve cooperar e se comprometer, elas não
terão sentido no contexto da escola (SOUSA, 2001).
Buscar
nossa alfabetização tecnológica
é, por conseguinte, um fazer inadiável:
sabemos que as tecnologias educacionais, designando
as diferentes categorias de meios - concretos, impressos,
auditivos, audiovisuais e informáticos - não
são elementos constantes na maioria de nossas
salas de aula. Em geral, se se fazem presentes são
exploradas para além dos limites de suas possibilidades
- exemplo marcante disto pode ser trazido pela lembrança
do uso abusivo com que se lida com o retroprojetor,
com o quadro de escrever, com impressos....
Vemos
então que a prática pedagógica
acadêmica até incorpora meios e materiais
de comunicação e educação
em suas ações, porém nem sempre
isto ocorre com propriedade. Não podemos mais
continuar nos aventurando por trilhas que levem à
seleção, à utilização
ou que dispensem a avaliação da prática
pedagógica, auxiliada por tecnologias; precisamos,
sim, saber se os percursos que relizamos são,
de fato, os caminhos mais próprios para se chegar
ao(s) fim(ns) instrucional(is) e/ou educacional(is)
pretendido(s).
Se
as indevidas seleção, utilização
e/ou avaliação das tecnologias interferem
na comunicação escolar, acarretando insatisfações
e prejuízos aos distintos atores do processo
de ensinar e de aprender, é preciso viabilizar
saída(s). Segundo Fagundes (2004), o percurso
da escola, para adentrar neste mundo conectado (grifo
nosso) e permeado por tecnologias, passa, necessariamente,
"pela curiosidade, pelo intercâmbio de idéias
e pela cooperação mútua entre todos
os que se encontram tes envolvidos no processo.
Referências:
BACCEGA,
Maria Aparecida. Tecnologia, escola, professor. Comunicação
e Educação, São Paulo, ano.3, n.7,
p.7-9, set./dez. 1996.:
LEITE,
Lígia Silva et al. Tecnologia educacional: descubra
suas possibilidades na sala de aula. Petópolis:
Vozes, 2003.
SOUSA,
Mauro Wilton. Novas linguagens. São Paulo: Salesiana,
2001.
FAGUNDES,
Léa. Podemos vencer a exclusão digital.
Nova escola, Rio de Janeiro, n. 172, maio. 2004. Disponível
em:< http://novaescola.abril.uol.com.br/>. Acesso
em: 28 maio 2004
FERREIRA,
Aurélio Buarque de Holanda (Ed.). Novo Dicionário
Aurélio. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1976. |