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Um
novo olhar para o adolescente |
Nívea
Carvalho Fabricio / Vânia Carvalho Bueno de Souza
/ Christiane Laurito Costa
Nívea
Maria de Carvalho Fabrício
Psicóloga; Psicopedagoga; membro da ABPp – Associação
Brasileira de Psicopedagogia; Diretora dos colégios
Graphein e Brasil Canadá.
Vânia Carvalho Bueno de Souza
Pedagoga, Psicopedagoga, Diretora dos Colégios
Graphein e Brasil Canadá.
Christiane
Laurito Costa
Psicóloga
pela USP com especialização em Psicologia
da Saúde pela UNIFESP (Universidade Federal de
São Paulo).
Colégio
Graphein
Rua Cotoxó, 608 - Perdizes - CEP: 05021-000 -
Tel: 3868-3850 - Fax: 3868-3015
Email: graphein@graphein.com.br
- www.graphein.com.br
O
Colégio Graphein é um colégio particular
de São Paulo especializado no atendimento de
alunos com dificuldade de aprendizagem. Da Educação
Infantil ao Ensino Médio, a proposta curricular
é realizada através de projetos psicopedagógicos
individualizados, respeitando o ritmo de aprendizagem,
habilidades e interesses de cada aluno.
UM NOVO OLHAR PARA O ADOLESCENTE
Diante
das contínuas transformações que
vêm ocorrendo na sociedade atual, que repercutem,
sobretudo, na forma de organização do
trabalho e nas relações sociais, a instituição
escola precisa, mais do que nunca, “sair de seus castelos”.
Houve um tempo em que o comprometimento,
por parte da escola, com o aspecto acadêmico era
suficiente. No entanto, o jovem de hoje tem muito mais
acesso a informações que outrora. O adolescente
acompanha ativamente a rapidez dos avanços tecnológicos.
Frente a isso, a escola depara-se com
a necessidade imprescindível de questionar suas
concepções de educação e
suas propostas curriculares, na tentativa de rever seu
papel frente aos jovens. Quem são os adolescentes
que ingressam atualmente no nosso sistema educacional?
Quais modelos de escola estão realmente a serviço
do preparo desses jovens, para que possam se integrar
ao mundo contemporâneo?
Para quem trabalha com adolescentes,
tem sido comum ouvir relatos referentes à desmotivação
deles, à repetência e às sucessivas
trocas de escola – isso tudo ainda acentuado pela ausência
de projetos de vida. Por um lado, deparando-se com inúmeras
opções de escolha, o jovem ganha em perspectiva,
mas por outro, o fato de ter suas vivências ampliadas
intensifica e torna mais complexa a crise que todo jovem
atravessa pela busca de sua identidade adulta. E afinal,
nos perguntamos: o que, de tudo isso, é característico
do processo da adolescência e o que passa a ser
indicador de mais problemas? Até onde as crises
adolescentes são naturalmente aceitáveis?
Esta é uma questão que merece ser analisada
cuidadosamente, pois muito aflige os familiares, ao
mesmo tempo em que coloca desafios para todos aqueles
que se propõem a acompanhar esses jovens – seja
como educadores ou como profissionais da saúde.
Muitas vezes, o comportamento dos adolescentes
é expressão das transformações
e dos conflitos da sociedade. Há, no entanto,
um consenso entre muitos autores que abordam a temática
adolescente, ao afirmarem que em qualquer contexto sociocultural,
a adolescência é marcada por crises e períodos
de desequilíbrio e instabilidades.
Do ponto de vista dos pais, muitos aspectos
do comportamento do adolescente tornam a convivência
familiar difícil, acarretando momentos de grande
ansiedade e fazendo surgir muitas questões aos
pais a respeito do que está ocorrendo na relação
com seu filho. O adolescente, por sua vez, tenta se
encontrar e oscila muito entre a dependência e
independência em relação aos pais,
entre a imagem que tinha de si e deles na infância
e outras que constrói, ainda indefinidas.
No entanto, as representações
que o adolescente possui de si são intensamente
atravessadas por expectativas, em grande parte inconscientes,
dos pais. Podemos dizer que tais expectativas têm
a ver com o lugar onde os pais colocam o filho desde
o nascimento. Em muitos casos, os pais não conseguem
ressignificar aquilo que idealizaram no início
para o filho, mesmo diante da criança ‘’real”
que vai se apresentando. Impossibilitado de ocupar outros
lugares que não aquele que lhe fora designado,
podemos dizer que se instaura, então, ainda que
não explicitamente, um “mandato” a ser cumprido
pelo adolescente.
Nossa experiência no Colégio
Graphein nos faz pensar que, na maioria das vezes, os
“mandatos” que o adolescente carrega são fatores
que, se não são determinantes nas dificuldades
de aprendizagem, ao menos se configuram como elementos
importantes no seu histórico de fracasso escolar.
O adolescente, preso ao lugar que lhe fora designado
pela família, muitas vezes acaba desenvolvendo
o que a psicanálise denomina como sintoma, podendo
este manifestar no campo da aprendizagem. O rendimento
escolar do aluno começa a decair, ele apresenta
dificuldades para acompanhar os estudos e se desinteressa
pela atividade. Pode também passar a desqualificar
a escola, a desafiar os professores, a apresentar condutas
agressivas que, em geral, escondem sentimentos de impotência,
insegurança e baixa auto-estima. Frente aos insucessos
vividos, o adolescente já não mais acredita
ser capaz de aprender e de se desenvolver.
Acreditamos que em virtude do fracasso
escolar, o jovem, na realidade, faz um “pedido” por
outra chance. Como escola, é a esse pedido que
estamos atentos quando recebemos os adolescentes: para
que a partir de uma proposta psicopedagógica,
que respeita o estilo de aprendizagem de cada um, possamos
resgatar as potencialidades desses jovens e ajudá-los
a encontrar um lugar no círculo social.
O Colégio Graphein estruturou-se
a partir da proposta de atender a um perfil de aluno
que não respondia satisfatoriamente ao sistema
das escolas voltadas a um público ‘padrão’.
Atendemos, portanto, crianças e adolescentes
que apresentam distúrbios no campo da escolarização
mas possuem potencialidades; que possuem defasagem escolar
e, em muitos casos, desadaptação escolar
por motivos de indisciplina ou outros.
Para isso, desenvolvemos junto aos alunos
Projetos Singulares, que buscam atender às necessidades
individuais dos alunos. Todo o processo de planejamento
desses projetos é baseado no conhecimento e exploração
constante da dinâmica familiar, do desenvolvimento
cognitivo e emocional do adolescente, bem como de seu
histórico escolar, modalidade de aprendizagem,
potencialidades e interesses. Nas aulas, os professores
buscam sempre partir do conhecimento prévio do
aluno e investem no fazer – partindo de aulas práticas
e dinâmicas; fazendo a interligação
com a teoria, o professor pode conquistar o interesse
do aluno e obter o resgate da aprendizagem.
Por fim, gostaríamos de considerar
que uma escola que se proponha a atender alunos com
dificuldades em sua escolarização, não
poderá acontecer sem uma equipe de técnicos,
professores e funcionários em contínua
capacitação profissional desenvolvendo
um novo olhar sobre os alunos. Um olhar que ultrapasse
o rendimento escolar, ou seja, que possibilite, principalmente,
a descoberta de meios eficazes de aproximação
com os alunos, a despeito de a maioria deles carregarem
uma bagagem de frustrações decorrentes
do fracasso escolar.
Nós, como escola, nos dedicamos
à busca de novas formas de intervenção
frente às dificuldades e desafios que se apresentam
na vida escolar de jovens. Buscamos um modelo escolar
que possa acompanhar a demanda atual, levando esses
jovens a recuperarem o prazer de aprender, a confiança
em seus próprios recursos e a capacidade de sonhar
com projetos de vida. Vamos sempre em busca de uma porta
de entrada...
Bibliografia
ABERASTURY, A & KNOBEL, M. A Adolescência
Normal.
Porto Alegre, Artes Médicas,
1981.
OUTEIRAL, J. (ORG.), Clínica
Psicanalítica de crianças e Adolescentes.
Rio de Janeiro, Revinter, 1998.
PENOT, B. Figuras de Recusa - Aquém
do negativo.
Porto Alegre, Artes M
WINNICOTT, D.W. O Brincar e a realidade.
Rio de Janeiro, Imago, 1975.
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