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A
motivação dos estudantes: Podemos
vencer esse desafio? |
Profa.
Dra. Sueli Édi Rufini Guimarães
Universidade Estadual de Londrina
Profa. Dra. Evely Boruchovitch
Faculdade de Educação – UNICAMP
Existe um relativo consenso entre os educadores sobre
qual é o principal problema dos alunos na escola:
a falta de interesse. Em relação ao ensino
fundamental e médio, a dificuldade de envolver
os alunos nas atividades de aprendizagem, levá-los
a persistir nas tarefas desafiadoras, em suma, a valorizarem
a educação, tem sido relatada em artigos,
livros e entrevistas. Parece que, para alguns estudantes,
não é claro o porquê de estudar. Desse
modo, é alimentada uma esperança de que,
quando estiverem mais maduros e então puderem optar
por uma área do conhecimento de seu interesse,
sua motivação em relação a
aprendizagem se modifique positivamente. Quem sabe, então,
no ensino superior possamos encontrar alunos mais envolvidos!
Essa expectativa parece não se confirmar. As impressões
dos professores acerca do envolvimento dos universitários
em muitas disciplinas de seus cursos também indicam
desmotivação. Para exemplificar, em nosso
cotidiano de trabalho em diversos cursos de licenciatura
encontramos nas salas de aula alunos apáticos,
com a atenção aparentemente voltada para
aspectos não relacionados com os conteúdos
ali abordados, esforçando-se ou comparecendo o
mínimo necessário para garantir sua aprovação
na disciplina. Perguntas como: "quantas faltas eu
tenho?", "posso checar minhas notas nos últimos
bimestres?", seguidas por um evidente alívio
em pensar que poderão faltar ainda mais ou que
não será necessário muito esforço
para aprovação, caracterizam esse tipo de
envolvimento. Também estão presentes nas
classes alunos extremamente preocupados com notas, aprovação
ou em serem reconhecidos como capazes pelos professores
e colegas. Esforçam-se muito nos dias que antecedem
as avaliações, muitas vezes não confessando
o empenho despendido. Consideram um resultado como sendo
sucesso somente depois de se certificarem que superaram
o desempenho dos colegas. Relutam em assumir atividades
que acenem com riscos de fracasso ou que possam denunciar
uma possível falta de capacidade. Compartilhando
o espaço com os primeiros, temos alunos realmente
preocupados em aprender, em aprofundar o nível
de conhecimentos e em adquirir novas habilidades. Estes
estudantes parecem naturalmente motivados, envolvem-se
ativamente nas tarefas propostas, esforçam-se e
usam estratégias de aprendizagem adequadas, sem
demonstrarem preocupações excessivas com
os resultados. Talvez você conheça alguns
estudantes com essas características e já
tenha se questionado sobre o que efetivamente poderia
ser feito para que eles desejassem aprender. O tema motivação
e aprendizagem tem sido objeto de investigação
dos psicólogos educacionais nos últimos
anos e o problema da falta de motivação
dos estudantes representa um dos maiores desafios à
eficácia do ensino. Alguns determinantes da motivação
escolar já são conhecidos e podem auxiliar
o trabalho do professor que pretenda ver seus alunos genuinamente
envolvidos. Nesta área de conhecimentos, a linha
de estudos sobre metas de realização compreende
a motivação como sendo resultado da fixação
de metas, ou seja, cada meta representa um núcleo
de pensamento que reúne modos particulares de perceber
a situação, processar as informações,
podendo explicar os comportamentos, a direção
e a intensidade do esforço. No ambiente escolar,
os estudantes podem buscar ou adotar uma variedade de
metas, algumas compatíveis com a aprendizagem e
desempenho e outras contrárias. Por exemplo, as
metas sociais, fazer amigos, ser bem aceito ou popular;
as metas de aprendizagem, obter conhecimentos, buscar
níveis mais profundos de aprendizagem; as metas
ego ou de performance, ser reconhecido como o melhor,
o mais capaz ou, pelo menos, ocultar uma possível
falta de capacidade. Além dessas, fatos distantes
da sala de aula podem ser selecionados como meta dos alunos
(um grupo musical, um time de futebol, jogos de computadores)
e, muitas vezes, temos que competir com elas. Neste último
caso, rotulada como meta de alienação acadêmica,
o foco de interesse pode estar completamente desvinculado
dos assuntos ou atividades planejados pelo professor.
Mais importante do que reconhecermos nos nossos alunos
tais padrões motivacionais, os estudos sobre as
metas podem auxiliar na compreensão dos fatores
que incentivam a adoção de uma determinada
orientação. Um importante aspecto a ser
considerado relaciona-se com a estrutura de meta ou clima
de sala de aula criado, sobretudo, em decorrência
das diferentes ações do professor. As estruturas
de meta referem-se aos objetivos assinalados e aos padrões
comportamentais valorizados em sala de aula, transmitidas
aos alunos de modo implícito ou explícito
por meio das diversas ações do professor
como, por exemplo, as características das atividades
solicitadas, as formas de avaliação, de
reconhecimento dos interesses e necessidades dos estudantes,
os critérios para formação de grupos,
o uso do tempo e o modo como o professor compartilha a
autoridade. Tais estruturas influenciam as metas adotadas
pelos alunos em relação à escola,
aos trabalhos escolares e, de modo geral, em relação
a sua educação. Em extremos opostos, no
quadro abaixo são apresentados alguns exemplos
de ações que podem promover o prejudicar
a motivação dos estudantes. Promoção
Ação Prejuízo Assunto interessante,
relevante e desafiador Apresentação de novo
conteúdo Faz parte do programa, vai ser avaliado
Oportunidade para ampliar conhecimentos, é desafiadora,
passível de realização com algum
esforço Proposta de atividade Vamos ver quem consegue
concluí-la, quem se sairá melhor, o tempo
é escasso, ela é muito difícil, ou
é muito fácil Faz parte do processo de ensino
e aprendizagem, possibilita informações
sobre o progresso ou dificuldades a serem superadas Expectativas
em relação às avaliações
É fonte de pressão e de controle Proporcionam
informações sobre o progresso individual
Os resultados de desempenho: são apresentados como
um produto final, favorecendo a comparação
entre os alunos São muitos os aspectos abordados
pelos estudos sobre a motivação no contexto
escolar que podem auxiliar o professor a compreender os
problemas e a agir de modo efetivo para superá-los.
No entanto, podemos ter como meta para esta reduzida apresentação
uma análise sobre o nosso papel na determinação
daquelas características dos estudantes, em relação
à aprendizagem, que tanto nos incomodam. O envolvimento
dos estudantes com os conteúdos de nossa disciplinas
decorrem, em parte, das nossas ações nesse
complexo ambiente em que se configura a sala de aula.
Referências bibligráficas
Ames, C. (1992). Classroom: Goals, structures, and student
motivation. Journal of Educational Psychology, 84(3),
261-271. Bzuneck, J. A. (2001). A motivação
do aluno orientado a metas de realização.
Em: E. Boruchovith & J. A. Bzuneck (Orgs.), A motivação
do aluno: Contribuições da Psicologia contemporânea
(pp. 58-77). Petrópolis: Vozes. Csikszentmihalyi,
M. (1992). A psicologia da felicidade. São Paulo:
Saraiva. Guimarães, S. É. R. (2001). A organização
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intrínseca e da meta aprender. Em: E. Boruchovith
& J. A. Bzuneck (Orgs.), A motivação
do aluno: Contribuições da psicologia contemporânea
(pp.78-95). Petrópolis: Vozes. Ryan, R. M. &
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parent and teacher influences on autonomy, motivation,
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Jai Press Inc. Stipek, D. J. (1998). Motivation to learn:
From theory to pratice. Englewood Cliffs: Prentice-Hall
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