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Autoconceito
e desmpenho acadêmico
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Adriana Cristina Boulhoça Suehiro
O desenvolvimento psicológico do ser humano se
dá ao longo de toda a sua existência, porém
é durante a infância que o indivíduo
agrega as principais aquisições concernentes
à organização da personalidade que
o instrumentalizam para a vida. Tais aquisições
são resultantes das trocas constantes do indivíduo
com as contingências do meio em que se encontra
inserido. Muitos estudiosos afirmam que a interação
entre a criança e seus primeiros cuidadores possibilita
seu amadurecimento e a inclusão de outras figuras
de interação. Nesse sentido, os motivos
fisiológicos e subjetivos da criança são
permeados e modificados pela experiência social
a que é submetida por aqueles que a cercam e que
atuam como mediadores do processo. Dentro dessa perspectiva,
Jacob (2001) afirma que a criança experimenta e
registra um leque de vivências afetivas que fornecem
uma série de elementos para a formação
de sua concepção a respeito de suas capacidades,
habilidades e importância para as pessoas que com
ela convivem. Assim, a percepção da criança
é mediada pelo ambiente que, ao mesmo tempo, sinaliza
a ela como a percebe. Esse interjogo contínuo de
percepções reflete-se na imagem que a criança
faz de si mesma e na construção de sua identidade,
constituindo-se como a principal fonte de trocas ao longo
do seu desenvolvimento. À medida que a criança
vai crescendo suas trocas com o ambiente e suas contingências
vão ficando cada vez mais diferenciadas e diversificadas
e seu universo de relações e pessoas de
outros contextos torna-se fonte de troca afetiva e de
reforço. Ao lado disso, o ingresso na escola coloca
a criança em contato com novos conteúdos
e com outras pessoas, ampliando as demandas às
quais estará sujeita. Nesse ambiente, até
então desconhecido e de novas vivências interativas,
as crianças experimentam novas contingências
e são avaliadas em relação aos seus
comportamentos e aprendizagens. Assim, a instituição
escolar intervém não só na transmissão
do saber científico organizado culturalmente, como
influi em todos os aspectos relativos aos processos de
socialização e individuação
do estudante, sobretudo no que se refere ao autoconceito,
à auto-estima e à construção
da autonomia do aluno (Cubero & Moreno, 1995). No
contexto educacional (desde a pré-escola até
à universidade) o desempenho do estudante é
interpretado como um prenúncio de suas capacidades
e de seu potencial produtivo. Em suma, em nossa cultura,
um bom desempenho acadêmico é considerado
decisivo para o sucesso na sociedade (Lindahl, 1988).
As vivências desse processo são percebidas
de forma positiva ou negativa. À medida que o aluno
é solicitado a executar as tarefas propostas e
se sente capaz e habilitado, desenvolve o senso de realização
e constrói uma visão mais positiva de si
mesmo, o que influencia sua motivação e
suas atitudes em relação ao estudo. No entanto,
se o estudante vivencia as contingências ambientais
e as exigências acadêmicas como algo punitivo
e conseqüentemente aversivo, há a instalação
de sentimentos de incapacidade que culminam no desenvolvimento
de uma identidade marcada pelo senso de inferioridade
e fracasso frente às exigências e expectativas
do meio (Costa, 2001; Jacob, 2001). Considerando que as
vivências do processo de aprendizagem influenciam
as percepções que os alunos têm a
respeito de si é importante enfatizar a relevância
do papel do professor, uma vez que ele representa a figura
mais importante de transmissão de padrões
e expectativas sociais (Serrano, 1991). Um outro aspecto
que merece destaque refere-se às evidências
de que o desempenho acadêmico é mais valorizado
pelo estudante conforme progride nas séries escolares.
Entretanto, suas expectativas de sucesso e autoconceito
diminuem, tornando sua percepção do contexto
acadêmico mais negativa (Jesus & Gama, 1991).
Daí a necessidade da compreensão do autoconceito
dos estudantes, suas expectativas de sucesso, bem como
de sua percepção sobre o próprio
processo de aprendizagem. A percepção do
estudante sobre seu potencial intelectual e na sua capacidade
para aprender conteúdos escolares e de obter sucesso,
bem como a sua motivação para enfrentar
a situação de aprendizagem escolar são
destacadas nos achados de estudos, brasileiros e estrangeiros,
que têm apontado a existência de correlações
positivas entre o autoconceito e o desempenho acadêmico
(Sink, Barnett & Pool, 1993; Hamachek, 1995; Souza,
1996; Hosley, Hooper & Gruber, 1998; Estêvão
& Almeida, 1999; Castro, 1999; Amorim, 2000; Abu-Hilal,
2000; Jacob, 2001). Pela relevância do tema e sua
repercussão no processo de ensino-aprendizagem
sugere-se que haja mais estudos envolvendo esses dois
construtos, uma vez que a investigação teórica
nessa área é caracterizada por uma grande
imprecisão da terminologia e discordâncias
no que se refere às definições empregadas.
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