Na
sociedade moderna, onde os pais trabalham fora e a escola
é insuficiente para acompanhar o desenvolvimento
da sexualidade dos adolescentes, o problema torna-se
preocupante, pois, por falta de informações,
suas relações sexuais, sem proteção,
podem resultar em gravidez indesejada, além de
doenças sexualmente transmissíveis.
Dados
estatísticos estão preocupando pais, educadores
e médicos, pois o índice de gravidez de
adolescentes cresceu 150% em relação às
duas últimas décadas. No Brasil, uma entre
cada cinco jovens entre 15 a 19 anos já tiveram
filho, descontadas aquelas que praticaram aborto. No
ano de 1999, segundo o Ministério da Saúde,
foram realizados 700.000 (setecentos mil) partos, De
cada cinco, um era de adolescente com menos de 19 anos.
Cerca
de 20% das crianças que nascem a cada ano no
Brasil são filhas de adolescentes. Comparado
à década de 70, três vezes mais
garotas com menos de 15 anos engravidam hoje em dia.
A maioria não tem condições financeiras
nem emocionais para assumir essa maturidade. Acontece
em todas as classes sociais, mas a incidência
é maior e mais grave em populações
mais carentes. O rigor religioso e os tabus morais internos
à família, a ausência de alternativas
de lazer e de orientação sexual específica
contribuem para aumentar o problema
A
adolescência é uma espécie de preparação
para assumir o papel de adulto, que é definido
principalmente por ter um trabalho que garanta a sobrevivência
de um lar.
Para
a jovem mulher esse processo é mais difícil
por causa de condicionamentos culturais, que limitam
sua autonomia na elaboração de projetos
de vida, quase sempre exigindo que se mantenha nos limites
do núcleo familiar. Se além da dificuldade
de construir sua identidade, administrar emoções
e entender as mudanças que acontecem com seu
corpo, houve uma sobrecarga de necessidades fisiológicas
e psicológicas, a adolescência pode se
caracterizar como um processo de ruptura, inviabilizando
a formação de um adulto saudável,
equilibrado, consciente de seus direitos. No caso das
mulheres, vítimas do preconceito sexual, uma
ruptura decorrente de uma gravidez precoce pode acarretar
o que se chama de risco psicossocial. E a comunidade
tem alertado que as conseqüências de uma
gravidez na adolescência não se resumem
apenas aos fatores psicológicos ou sociais.
Os
fatores que agravam o crescimento de gravidez na adolescência
são: a liberalização da sexualidade,
a desinformação sobre o tema, a desagregação
familiar, a urbanização acelerada, as
precariedades das condições de vida e
a influência dos meios de comunicação.
O
Brasil, segundo a Organização Mundial de
Saúde, é o país onde mais se pratica
aborto (10% dos abortos mundiais), sendo que para cada
criança que nasce, duas são abortadas. São
13.090 abortos por dia, 570 por hora, 0,5 por minuto.
Como conseqüência do aborto praticado por parteiras
e curiosas, ou por médicos em lugares sem a mínima
condição de higiene, são muitos os
casos em que a mulher sofre seqüelas graves.
As conseqüências de uma gravidez precoce podem
trazer transtornos irremediáveis a longo prazo
na vida de uma adolescente, sem contar que no dia a dia,
depois que a criança estiver maior e já
tenha passado da fase das gracinhas de bebê, o que
irá sobrar serão as responsabilidades emocionais
e financeiras para proporcionar uma vida pelo menos digna
para esse filho crescer e se estruturar, sem passar necessidades.