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Recursos,
soluções e possibilidades: um tributo
a Milton H. Erickson -
minha voz irá contigo
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Marcos Bueno
Psicólogo de orientação gestáltica
e ericksoniana, fundador do NUP-GT de Uberlândia/MG,
professor universitário, Mestre em Engenharia de
Produção: Gestão da Inovação
Tecnológica e Ambiental pelo PPGEP/UFSC, Especialista
em Administração pela FGV e UFU/Université
du Quebèc a Trois Rivières e formação
em Psicologia pela UnG e ex-gerente de RH e Qualidade.
E-mail:
mlbueno@brturbo.com
"Todos os recursos para resolver nossos problemas
estão dentro de nós."
Milton H. Erickson
Resumo:
O artigo busca um olhar sobre três palavras-chaves
em nossas vidas: recursos, soluções
e possibilidades. Sabendo utilizá-las
adequadamente, saudavelmente podemos desfrutar da felicidade
de realizar nossos sonhos e projetos pessoais.
Palavras-chave:
recursos, soluções, possibilidades e utilização.
Artigo:
Uma vida bem vivida depende de como observamos e percebemos
os recursos, as soluções e as possibilidades.
Fomos educados para perceber, sentir e falar sobre problemas,
dificuldades e limitações.Essa visão
pessimista e reducionista acaba nos limitando num mundo
de infinitas possibilidades como dizia e deu seu exemplo
de vida o psiquiatra, psicólogo e educador americano
Milton H. Erickson.
Falando um pouco de Milton H. Erickson.Ele nasceu no
dia 15 de dezembro de 1901 na cidade de Aurum, Nevada,
numa fazenda, filho de pequenos fazendeiros, foi criado
e fez o curso básico na escola rural.Aos quatro
anos Erickson ainda não falava e aos domingos
ele ia a igreja com seus pais e lá ele e sua
mãe eram obrigados a ouvir aquela ladainha, por
que o Milton ainda não está falando? Será
que ele é normal? Será que ele não
tem algum problema? E outras coisas do tipo.
Milton segurando nas mãos de sua mãe aguardava
a sua defesa e sua mãe que era muito sábia,
tranqüilamente, saudavelmente respondia as pessoas
inquietas: Não se preocupem quando o Milton estiver
pronto ele vai falar.E o Milton expressava um leve sorriso
de confiança em sua mãe. Por volta dos
cinco anos, Milton começou a falar e mais tarde
se tornou o pai da Comunicação Estratégica,
da Programação Neurolinguistica - PNL,
da Hipnose naturalista e da Psicoterapia breve. Tudo
isso se tornou possível, muito provável
a paciência e confiança de sua mãe.
Milton entrou na escola aos sete anos e tinha dificuldade
com a aprendizagem, sua professora o estimulou a utilizar
o dicionário que ele leu mais de cinco vezes
até os doze anos quando descobriu que ele tinha
dislexia.Milton desde pequeno revelava sua capacidade
bem humorada para lidar com problemas, dificuldades
e limitações.Superou todas.
Descobriu também que ele era daltônico,
só percebia a cor roxa, mas isso só influenciou
na decoração de sua casa. Aos 17 anos
teve uma poliomielite grave que resultou numa paralisia
total, foi desenganado pelos médicos, com muito
esforço conseguiu sair da cama e começou
a aprender a andar novamente observando sua irmã
caçula de dois anos.Entrou para a universidade
usando muletas e depois passou a utilizar a bengala,
especializou-se em psiquiatria e um mestrado em psicologia,
especializou-se em hipnose e foi professor e terapeuta
até os últimos dias de vida aos 78 anos.
Teve uma vida pessoal, acadêmica e profissional
de sucesso e superação de desafios permanente.Especialmente
com relação a sua saúde que era
bastante preocupante. Aos quarenta e oito anos teve
nova recidiva de poliomielite que o deixou na cadeira
de rodas até o final de sua vida.Ele e sua família
precisaram se adaptar as suas novas e limitas condições
físicas.Teve que se transferir dos hospitais
e universidade onde trabalhava como diretor de pesquisa
e psiquiatra chefe para a cidade de Phoenix no Arizona
devido ao clima ser mais seco e propicio a sua saúde.
Sua esposa Elizabeth Erickson teve um papel determinante
na vida de Erickson, ela não foi apenas uma esposa,
foi uma companheira de vida, de desafios, superação,
crescimento, descobertas.Lendo o livro Homenagem a Elizabeth
Moore Erickson, editorial Diamante e escrito pela terapeuta
Marilia Baker a autora cita "este livro é
uma homenagem a uma mulher extraordinária, profissional,
esposa, mãe e companheira e a um casal. Mas é
também uma homenagem a todas mulheres e a todos
os casais que querem construir, viver e experienciar
juntos sua vida".
"A
vida não é algo a que se possa dar uma
resposta imediata.
Você pode usufruir o processo da espera, o processo
de você se
tornar você mesmo, você mesma. Não
há nada mais prazeroso do que
plantar sementinhas de flores e não saber quais
variedades irão brotar".
Milton H. Erickson (do livro Homenagem
a Elizabeth M. Erickson).
Erickson
foi considerado por muitos um gênio por criar recursos
psicoterapeuticos aparentemente absurdos para a psiquiatria
e a psicologia americana nas décadas de 40 a 70.
Alguns o achavam um impostor por não gostar das
teorias acadêmicas, porém ele conseguia resultados
simplesmente impressionantes e até hoje muitos
de seus alunos e pesquisadores não conseguem explicar.Erickson
afirmava que não era adequado colocar o paciente
dentro de uma teoria como se fosse a "cama de Procusto".Ele
dizia que a terapia tinha que ser feita sob medida e a
medida era o paciente único que estava ali na sua
presença, que veio até você buscando
ajuda e esperando acolhimento, respeito, compreensão.
O que sabemos é que Erickson utilizava a observação
e a percepção com muita eficácia,
o poder da comunicação e da "intuição"
de forma brilhante.Sabemos também que de forma
geral somos deficientes na comunicação e
mais ainda na intuição, especialmente devido
a nossos preconceitos, portanto só poderia ser
absurdo o que ele fazia.
Tive oportunidade de fazer cursos com alguns de seus ex-alunos
e eles são muito bons principalmente no cuidado
com o ser humano, na amorosidade que é o que falta
nas chamadas abordagens acadêmicas tradicionais,
onde se preocupam mais com a técnica, com a teoria,
com o nome das doenças e esquecem do humano.
A técnica de Erickson era muito focada em histórias,
anedotas e metáforas.Era uma linguagem indireta
de atingir o inconsciente.Ele dizia que o consciente é
inteligente e o inconsciente é sábio, portanto
exige uma comunicação diferente para acessá-lo,
entendê-lo, interpretá-lo.
Certa vez Erickson disse ao Dr. Sidney Rosen seu ex-aluno
"que o que você não percebe,Sid, é
que a maior parte da sua vida está determinada
de forma inconsciente".E Rosen mais tarde percebeu
que o que Erickson queria dizer era que todas e cada uma
de nossas experiências atuais afetam tanto nossa
mente consciente quanto nossa mente inconsciente.E continua
Rosen (2003) se leio algum texto que me inspira, minha
mente inconsciente terá se modificado; o mesmo
acontece se conheço uma pessoa importante ou especial
para mim.
Na verdade, a eficácia de qualquer terapia, de
qualquer educação ou relação
fundamentá-se na capacidade da pessoa para se transformar,
em grande parte em conseqüência de um encontro
com a outra ou com outras pessoas como também aborda
a fenomenologia de Martin Buber e a Gestalt-Terapia de
Pearls.
Erickson também não trabalhava as resistências
da forma tradicional como uma dificuldade, um problema,
ele incorporava as resistências como material útil
e integrava a queixa do paciente, com isso reduzia a angustia
do terapeuta em ficar lidando com as resistências.Ele
dizia que é preciso trabalhar com tudo o que o
paciente trás ao consultório, tudo tem sua
importância, é preciso observar, perceber,
ler e interpretar os significados.
A vida é relação, contato, encontro,
motivação e mudanças.Tudo acaba sendo
uma forma de intervir consigo ou com o outro.A questão
central é a qualidade da intervenção.Rosen
(2003) cita que nas intervenções de Erickson,
ao contrário, provocavam mudanças que se
autoperpetuavam gerando outras mudanças. Talvez
isso acontecesse porque apontavam na direção
do crescimento e da "abertura" pessoal. A filosofia
de Erickson era de que cada individuo é importante
e pode melhorar, e cada um tem suas próprias possibilidades
de crescimento.
A filosofia de Erickson não é novidade,
porém, por que deu certo para ele e não
funcionava com outros terapeutas e educadores? Talvez
seja porque Erickson vivenciava o que ele fazia.Não
era uma teoria abstrata como ele sempre dizia, era intervenção
sob medida.Acontecia um encontro de dois especialistas,
um em ser humano o outro na terapia.
Os pacientes quando vão ao consultório vão
buscar ajuda para aliviar seu sofrimento e não
para receber uma aula teórica sobre as possíveis
causas do sintoma.Só que a maioria dos profissionais
foram treinados para dar aulas aos pacientes, utilizando
uma terminologia rebuscada e incompreensível ao
leigo.Não acontece o mais importante, a comunicação.O
resultado não aparece, muitas das vezes consegue-se
aliviar o sintoma.Erickson também não se
preocupava com as causas, pois achava que vasculhar no
passado em busca das causas era um luta quase sempre inglória,
porque a lembrança e a memória mudam e o
processo é muito complexo.
Erickson que foi também muito bom educador deixou
observações do tipo quando você conta
uma história os alunos prestam atenção,
ficam atentos, focados, concentrados (eles estão
num transe hipnótico e você pode entrar num
transe junto com eles também) quando acontece esse
estado alternativo de consciência ocorre uma expansão
da consciência e o aprendizado é muito maiores,
interessantes, prazerosos, motivador.
Quando o professor dá uma aula tradicional, os
alunos ficam inquietos, conversam muito, ficam nervosos,
brigam, dormem, etc. Por que? Simplesmente não
estamos conversando com eles em um canal adequado.O bom
comunicador é aquele que conhece os diversos canais
de comunicação (visual, auditivo e cinestésico)
e os utiliza eficientemente, ele percebe os momentos que
deve mudar o canal para despertar os ouvintes, alunos,
platéia, pacientes, pais, etc.
Quando utilizamos uma história, uma metáfora
com os alunos e pacientes de forma adequada ao contexto,
a terapia acontece.Como dizia Erickson quando induzia
seus pacientes ao transe natural...minha voz irá
contigo. Isto tudo foi um pouco do legado de Erickson.
Bibliografia consultada:
FREIRE, Paulo.Educação como prática
da liberdade. Ed.Paz e terra, São Paulo,1978.
GAIARSA, José Ângelo. Amores perfeitos. Ed.
Gente.São Paulo, 1994.
Haley,Jay.Terapia Estratégica. Editorial Summus,1994.
O'HANLON, William. Em busca de soluções.São
Paulo, Psy II, 2000,
________________. Raízes profundas.São Paulo:
ed. Psy II, 2000.
ROGERS, Carl R. Sobre o poder pessoal.Livraria Martins
Fontes editora, São Paulo, 1978.
ROBLES,Tereza.Revisando o passado para construir o futuro.Ed.Diamante/BH
TELLES, Izabel. Feche os olhos e veja.Ed. Agora, 2003.
ZEIG, Jeffrey K. Vivenciando Erickson. Livro Pleno.Campinas:
2003.
MENDONÇA,José Augusto e Mendonça,Ângela.
Abrindo portas com amor.Editorial Diamante, 2004.
_______________.A magia da hipnose na psicoterapia.Editorial
Psy,Campinas/SP. |