Home | Anuncie | Publique seu artigo | Normas para publicação | Boletim periódico | Classificados | Cadastre-se | F@le conosco

::. Reflexões sobre a hiperatividade dos alunos 
Fernando Falabella Tavares de Lima
Assistente Técnico de Gabinete do Ministério Público do Estado de São Paulo - Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça da Infância e da Juventude;Diretor Clínico do NETPSI (Núcleo de Estudos e Temas em Psicologia), realiza trabalhos de prevenção ao uso de drogas e à AIDS e trabalhos clínicos (atendimento psicológico, grupos de estudo e supervisão); Coordena o site do Núcleo, editando e escrevendo artigos; Docente em trabalhos de "Escolha Profissional" no Colégio Integrado Global; Consultor da Rádio Nove de Julho (1600 AM) sobre o tema de Prevenção e Tratamento a usuários abusivos de drogas e álcool; Docente em "Educação Preventiva" no Colégio Santo Agostinho.

Este pequeno texto nasceu da demanda de diversas escolas públicas e colégios particulares em que o NetPsi tem atuado, através de programas de Educação Preventiva durante os últimos anos (programas de escolha profissional, prevenção ao uso abusivo de álcool e drogas, prevenção à AIDS e DSTs e sexualidade). Em nossas atividades preventivas junto aos professores e aos pais de diversas escolas, temos notado diversas queixas e inabilidades no que tange a temática da disciplina de alunos, principalmente crianças e pré-adolescentes, Educadores em geral, tanto professores quanto coordenadores e diretores, têm se queixado bastante em função de falta de disciplina e comportamentos inadequados de alunos nas salas de aulas e nas demais atividades educativas realizadas nas escolas.

Inicialmente, convém destacar que os seres humanos são bastante diferentes uns dos outros e muito complexos. Assim, uma criança ou um pré-adolescente apresenta diferentes comportamentos conforme o ambiente e a situação em que se encontra. Muitas vezes, o aluno "excessivamente agitado" não se apresenta assim em todos os ambientes. É bastante comum que surjam queixas realizadas por professores de uma escola e que não apresentam respaldo de todos os educadores da entidade. Há alunos que são agitados e inconvenientes para uns professores e apresentam-se de forma bastante distinta em outras aulas. Resta-nos avaliar se o fator que faz com que a falta de atenção e o comportamento inadequado do aluno não provém do próprio comportamento do professor.

Há professores que por terem dificuldades de lidar com a disciplina ou por cansaço e desesperança na profissão, acabam elegendo alguns alunos para bodes expiatórios. Assim, a responsabilidade por todos os problemas que possam ocorrer durante as aulas, são sempre dos mesmos alunos. Cria-se assim um grupo de alunos que são considerados como "terrivelmente agressivos", em geral liderados por um líder que é visto como "muito maléfico" (segundo as expressões usadas por professores).

Convém analisarmos que os professores, muitas vezes, não se encontram bem preparados para lidar com a indisciplina e com os conflitos que possam surgir de disputa de poder com os alunos. Ressaltamos não ser um bom caminho entrar em choque direto com os alunos e tentar impor-se, apenas, de forma ditatorial. Nunca é demais lembrar: autoridade e autoritarismo são conceitos muito distintos.

Além disso, há muitos professores que fazem questão de passar uma imagem muito negativa, de alguns alunos ou mesmo de uma sala inteira, aos seus colegas de profissão. Todos nós sabemos a influência que um pré-conceito pode gerar em novas situações. Desta maneira, os novos professores já vão àquela sala esperando lidar com uns "delinqüentes mirins", não dando chances para que as novas relações entre educadores e alunos possam ser estabelecidas de maneira distinta. De quem é a responsabilidade então? Infelizmente, dos adultos, professores que não conseguem lidar com as dificuldades docentes e que passam a influenciar os colegas de profissão em sua "cruzada pelo bom comportamento", contra as crianças.

Não estamos falando que os alunos em questão sejam fáceis ou anjinhos e os professores os únicos culpados.

Muitas vezes, a proposta educacional, ou seja, o plano pedagógico da escola não dá margem ao diálogo. Os alunos nunca têm voz ativa e pouco participam de decisões. Assim, os alunos mais "sensíveis" (de acordo com uma visão que tenta ser politicamente correta de alguns educadores, mas que reforça o preconceito) reagem negativamente, causando boicotes e tornando-se inadequados. Os educadores, por sua vez, não podem usar criatividade e tentar incluir, da melhor maneira possível, os alunos tidos como "problemáticos" em suas aulas.

Evidentemente, os alunos devem aprender desde a mais tenra infância a abrir mão, em alguns momentos, da realização direta de seus desejos, para que possam estar em grupo e viver numa comunidade (no caso as classes de aula). Todavia, um dos papeis de educador não é exatamente o de possibilitar esse crescimento e amadurecimento para as relações pessoais por parte dos alunos? O que ocorre que impede essa realização?

Alguns dirão que a educação e os ensinamentos de limites são papeis das famílias. Têm razão os que assim pensam. Acontece que as famílias têm tido pouco tempo e não conseguem exercer o seu papel de educação das crianças. Além disso, a televisão ainda exerce uma influência negativa no que tange à aquisição de limites pelas crianças. Então, o "problema" estoura na escola, dentro e fora das salas de aulas.

Indisciplina, agressividade, inquietação e mau-humor são sintomas que podem indicar problemas psicológicos de crianças e adolescentes, como no caso da hiperatividade e de outros transtornos psíquicos apresentados por alguns alunos. Entretanto, antes de mandarmos "todos os alunos de um determinado grupinho" aos divãs de psicólogos, devemos analisar se os problemas não estão mais relacionados aos adultos, à equipe de educadores das escolas, enfim, ao plano pedagógico e às relações estabelecidas pelos adultos e os seus alunos.

Concluindo, ressaltamos a importância de uma análise da equipe e de qualificações constantes para melhor desempenhar o papel de educadores. A reciclagem é uma das principais ações que as escolas deveriam ofertar aos seus profissionais (incluindo os funcionários que, diga-se de passagem, exercem importantes papeis de educadores). Enfim, a questão da disciplina e dos relacionamentos entre professores e alunos não deixa de ser um tema de Educação Preventiva. Assim, deve estar em constante pauta de trabalho e aperfeiçoamento pelas equipes docentes das entidades de ensino.
Profissionais da Educação,
Envie suas sugestões, textos, trabalhos, reportagens, opiniões, etc. Eles serão publicados, neste Site, assinados por especialistas como você.
F@le conosco

Home | Anuncie | Publique seu artigo | Normas para publicação | Boletim periódico | Classificados | Cadastre-se | F@le conosco